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Reformas devem enxugar Constituição, diz Toffoli

Para presidente do STF:

Política / 16:09 - 21 de Mai de 2019

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, disse hoje, ter defendido junto à cúpula dos poderes Executivo e Legislativo que os textos das reformas da Previdência e tributária, ambas em tramitação no Congresso, quando aprovados, resultem na redução de dispositivos na Constituição.

Toffoli avalia que reduzindo dispositivos constitucionais nas reformas, deverá cair o número de processos que chegam por ano ao STF tendo como base violações desses dispositivos. Ele citou como exemplo o passivo de R$ 1 trilhão em litígios tributários ao aguardo de uma solução na Corte.

"Nós temos que diminuir o texto da Constituição. Para diminuir a litigiosidade, é necessário diminuir o texto", ressaltou em um fórum da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), em Brasília. "Se não há parâmetro para contestar constitucional, o sistema vai fluir de maneira mais eficaz, mais rápida, e sem litigiosidade", acrescentou.

Ele se posicionou contra o que seria uma noção comum no Brasil, de se aumentar o nível de detalhamento da Constituição via reformas. "Se se aumenta o número de dispositivos na Constituição, e qualquer norma infraconstitucional poder ser impugnada por se dizer contrária à Constituição, você está ampliando a possibilidade de judicialização da questão".

Toffoli disse manter diálogos constantes com o presidente Jair Bolsonaro e os ministros Paulo Guedes (Economia) e Onyx Lorenzoni (Casa Civil), bem como com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e outras lideranças parlamentares. O objetivo é que as reformas da Previdência e tributária resultem no enxugamento do texto constitucional.

"É claro que você não vai tirar da Constituição os direitos e garantias fundamentais, os direitos e garantias individuais, de liberdade, mas temos que refletir sobre isso, essa alta litigiosidade", ponderou.

Em uma fala de quase 30 minutos, Toffoli aproveitou também para negar, mais uma vez, a existência de uma crise entre os Poderes da República. Para ele, obstáculos eventuais no cotidiano democrático não podem ser confundidos com crises institucionais.

"As dificuldades no momento, conjunturais, não podem ser vistas como empecilhos que levem à ideia de que há numa crise, ou algum tipo de disputa entre poderes. Eu não vejo assim", disse.

"Penso que dificuldades momentâneas são próprias da democracia. Isso é viver o estado democrático de direito. Democracia é assim", acrescentou.

O problema, segundo Toffoli, é quando, além do Judiciário, Legislativo e Executivo "começa a surgir quarto poder, quinto poder", embora não tenha especificado quais seriam tais poderes, não previstos na Constituição.

 

Relator da PEC da Previdência reúne-se com sindicalistas

O relator da proposta de reforma da Previdência (PEC 6/19), deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), reúne-se às 13 horas com sindicalistas. O encontro com o relator foi proposto pelo deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP) e ocorrerá na sala 112 do anexo 2 da Câmara dos Deputados.

Ontem Samuel Moreira afirmou que apresentará o seu parecer até o próximo dia 15 de junho. O texto, segundo ele, ainda não está pronto. "Estamos trabalhando em cima do projeto que o governo enviou e vamos continuar assim. Se houver alterações, será apresentado um substitutivo, como sempre ocorreu na Casa, sem nenhum problema", disse o relator ontem após se reunir com o ministro da Economia, Paulo Guedes.

A Proposta de Emenda à Constituição 6/19 pretende alterar o sistema de Previdência Social para os trabalhadores do setor privado e para os servidores públicos de todos os Poderes e de todos os entes federados (União, estados e municípios). A idade mínima para a aposentaria será de 65 anos para os homens e 62 para as mulheres. Há regras de transição para os atuais contribuintes.

O objetivo, segundo o governo, é conter a diferença entre o que é arrecadado pelo sistema e o montante usado para pagar os benefícios. Em 2018, o déficit previdenciário total – setores privado e público mais militares – foi de R$ 264,4 bilhões.

 

Com informações da Agência Brasil e da Agência Câmara Notícias

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