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Reforma de Guedes é apenas 1/5 do que exigem os credores da dívida

Por Ranulfo Vidigal.

Opinião / 17:56 - 09 de Mai de 2019

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Em nossa dinâmica sociedade ocidentalizada, poder é a capacidade de impor preferências e/ou interesses, através de uma adequada ação política. É também a capacidade de impor uma agenda de debates e vetar temas incômodos, bem como influenciar pensamentos e desejos mediante o controle seletivo da informação.

Trazendo esta questão para nossa sofrida terra da jabuticaba, onde 22% das famílias não mora adequadamente, tem acesso precário à saúde e educação de qualidade, gasta longas horas para se deslocar de casa ao trabalho e vive com medo de sair à rua tarde da noite, esta face societária nos remete ao tamanho do desafio que temos pela frente.

Na economia não é muito diferente. Enquanto a tropa de pequenos empreendedores, de boa fé, discute questões secundárias, os economistas/analistas/financistas – os oráculos do “deus” mercado de capital fictício – sentenciam sem pudor: que o ajuste “guediano” da contrarreforma previdenciária representa, apenas, 1 por cento dos 5% do PIB da meta exigida pelos credores da dívida pública. Resumo da ópera: nossos financistas de plantão possuem o agradável caráter híbrido de vigaristas e profetas do caos.

 

A (necessária) eutanásia do rentismo

 

Vasculhando com cuidado os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do próprio Governo Federal, constata-se que nos últimos anos o saldo de contratações com remuneração superior a R$ 3 mil mensais é negativo. Sem incremento da massa de salários e demanda efetiva, ninguém investe.

Com tantos ajustes assim, a economia não retoma seu ritmo necessário para gerar bons empregos tão cedo. Confirmando minhas suspeitas, o Indicador de Incerteza da Economia medido pela Fundação Getulio Vargas avançou 8,1 pontos em abril, para 117,3 pontos, o maior nível, desde setembro de 2018 (121,5 pontos).

Chegamos a um estágio na crise do capitalismo brasileiro em que o lucro é sinônimo de destruição. O estouro de barragens, a queda de pontes e viadutos, tudo isso é somente a expressão mais superficial de uma sociedade em crise, aparecendo de forma espetacular na imprensa como simples “acidentes”. Da mesma forma que a violência urbana esconde o desemprego e o desespero das famílias.

O desafio presente me faz recordar Franz Kafka para quem “as portas de saída são inúmeras, as possibilidades de saídas são aparentemente numerosas, entretanto a saída concreta é uma só: resistir e lutar pela superação do rentismo que assola nossa rica nação de natureza exuberante e elite colonizada”. Vida que segue...

 

 

Ranulfo Vidigal

Economista.

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