Realidade incômoda: cresce a pobreza, e partidos não sabem o que fazer

Por Ranulfo Vidigal.

Opinião / 17:53 - 16 de ago de 2019

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No meio de uma situação internacional tensionada por crises profundas (social/financeira) na vizinha Argentina, a conjuntura econômica brasileira revela um quadro de fraca recuperação da atividade produtiva, forte desemprego, elevada taxa de endividamento das famílias, inadimplência e atraso em cumprir compromissos básicos (como o pagamento de serviços essenciais de utilidade pública) e salários incapazes de alavancar um novo ciclo virtuoso na oitava economia do planeta.

Um estudo do Instituto Wirtschafts-und Sozialwissenschaftliches (WSI), da Alemanha, analisou o salário mínimo garantido por lei em 37 países, por hora de trabalho. Entre os países pesquisados, o Brasil teve o terceiro pior salário mínimo, ficando à frente apenas da Rússia e da Moldávia.

Assim, no campo social, cresce a pobreza extrema, reduz-se o acesso a serviços públicos básicos, registra-se o crescimento de epidemias, e o custo da moradia expulsa populações vulneráveis para lugares distantes e com infraestrutura precária.

 

Salário mínimo no Brasil é o 3º pior,

à frente apenas da Rússia e da Moldávia

 

Na seara política, organizações, partidos, movimentos e lideranças responsáveis por intermediar a representação dos legítimos interesses em conflito mostram-se atônitas diante de um quadro cada dia mais confuso e incerto.

Nesse contexto, o sentimento que ganha vida para o embate eleitoral de 2020 revela um desafio, o de reconstruir o poder político real, a partir do território em que as pessoas vivem, produzem e cultivam suas tradições culturais.

O objetivo maior é que as pessoas se tornem titulares do legítimo poder de decidir sobre a própria vida, posto que pagam caríssimos impostos diretos e indiretos.

Para a classe dirigente, a tarefa é recuperar o caráter público da gestão orçamentária, investir na construção de bens comuns, debatendo e praticando um modo de sociedade, mais justa, mais solidária, mais cooperativa, com governos preocupados com a qualidade de vida das pessoas, e não em facilitar, apenas, os grandes negócios, mas preferencialmente, a vida do cidadão comum.

Na pauta, o emprego, a seguridade (previdência para os idosos), saúde e renda básica (de cidadania) e a segurança do núcleo familiar. Portanto, mãos a obra.

Ranulfo Vidigal

Economista.

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