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Quem ganhou o debate?

Fatos & Comentários / 10 Agosto 2018

O ex-prefeito do Rio de Janeiro, atualmente vereador, César Maia costumava dizer que o debate na televisão, em si, não influencia a eleição. Muito tarde, baixa audiência, acaba atingindo apenas eleitores com mais instrução etc. Mas é a repercussão nos dias seguintes, comentava Maia, que determina que saiu ganhando. Mesmo assim, a coluna não consegue se furtar de comentar o debate na Band. Quem ganhou? Quem perdeu?

Alckmin apareceu mais, pois foi procurado pelos adversários. Não teve grandes deslizes, mas também não somou pontos. Ficou na mediocridade que o caracteriza. Marina, uma vez mais, não emocionou. Meirelles apenas comprovou que não é do ramo; parecia um gerente de banco querendo vender um título de capitalização ao correntista.

Álvaro Dias começou bem, mas foi murchando ao longo do programa. Acabou gerando memes devido a seu visual e à insistência em incorporar Sergio Moro. Mas segue sendo uma pedra no sapato de Alckmin.

Boulos ganhou pontos no eleitorado petista, mostrou como se pode atingir Bolsonaro – um gancho pela esquerda, outro pela direita – e apresentou seu cartão de visita a um público que mal sabia seu nome.

Ciro Gomes alternou bons momentos com outros em que foi meio tecnocrata (como quando falou da previdência). De modo geral, acertou o tom entre o bom humor – tirou um leve sarro de Bolsonaro e do Cabo Daciolo – e a seriedade.

E o Oscar vai para… Cabo Daciolo. Sem nada a perder, até porque nas pesquisas ele não aparecia nem com traço, qualquer comentário sobre ele será uma vitória. Seu jeito, digamos, rústico fez a festa na internet. Não à toa, o maior pico de tweets por minuto sobre o debate ocorreu quando o mediador, Ricardo Boechat, respondeu “perdeu, playboy” ao presidenciável Ciro Gomes, após o candidato reclamar por não ter utilizado todo o seu tempo para responder uma pergunta feita a ele por Cabo Daciolo. O segundo e o terceiro picos também ocorreram quando Daciolo perguntava ou respondia.

Levantamento da FGV DAPP mostrou que as mensagens no Twitter giraram mais sobre comportamento e piadas do que sobre temas como segurança ou corrupção. O primeiro debate entre presidenciáveis alcançou 8 pontos no Ibope, com média de 6,2. Na média do horário a Band ficou em terceiro no ranking das emissoras.

 

Quem perdeu

Dois candidatos saíram perdendo. Não se pode dizer que foi uma derrota para Bolsonaro, mas seu desempenho baixou o moral das tropas. Ao não responder a Boulos sobre a caseira paga com verba da Câmara, passou insegurança e arrogância. Também levou baile de Ciro Gomes na discussão sobre educação.

O modelito calmo não lhe caiu bem. Era visível seu desconforto; sentava e levantava da cadeira, chegou a perder um tempo de réplica sem perceber (foi auxiliado por Ciro). O pior, talvez, foi se ver no espelho. Daciolo encarnou o papel que se esperava de Bolsonaro – e, por incrível que pareça, com ideias mais arejadas. O cabo mexeu com o capitão.

O segundo a perder não esteve no estúdio da Band. O PT, que tanto denunciou o golpe jurídico-midiático, não poderia ser ingênuo de acreditar que a justiça liberaria Lula para participar do debate, ou que a emissora e os adversários aceitassem um substituto. A ausência acabou deixando a candidatura do ex-presidente mais etérea.

Só para mulheres

Já acontece na Malásia e agora Ghizou, na China, foi a primeira cidade no país a adotar. E certamente algum engajado no Brasil tão logo vai propor a modernidade: nos shoppings, supermercados, clubes, há um estacionamento só para mulheres, para não serem atacadas. Dividem as vagas com os carros para pessoas com deficiência.

 

Mãos ao alto

Fico sabendo que grande número de chineses que foram ao Brasil a turismo voltou antes do previsto. Porque foram assaltados.

JC Cardoso, de Beijing

 

Rápidas

Nesta segunda-feira será comemorado o Dia do Economista *** Avanços científicos que integram tratamentos de lesões, a importância da nutrição e outros temas estarão no V Simpósio Internacional de Inovações Tecnológicas no Tratamento de Lesões (Siittral 2018), 31 de agosto e 1º de setembro, no Sheraton Rio Hotel & Resort. Detalhes em www.siittralrj.com.br *** O ministro das Cidades, Alexandre Baldy, e o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, assinam, nesta segunda-feira, o Termo de Cooperação para Segurança Viária – o Programa Road Safety. A meta é diminuir em 50% o número de acidentes no trânsito em dez anos.