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Quatro em cada dez brasileiros acima de 18 anos está com nome sujo

Conjuntura / 11 Outubro 2018

O volume de consumidores com contas em atraso aumentou em 3,9% em setembro na comparação com o mesmo mês do ano passado. Cerca de 62,4 milhões de brasileiros estão com restrições ao CPF, o que representa 40,6% da população adulta acima de 18 anos.

Os dados são da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito, a partir das bases a que ambas as instituições têm acesso. Em relação a agosto, a inadimplência ficou praticamente estável, com alta de 0,1%.

Para o presidente da CNDL, José Cesar da Costa, “o desemprego permanece elevado, e a renda não superou os patamares anteriores à crise, prejudicando o orçamento e a capacidade de pagamento dos consumidores. Esse quadro deve só deve ser revertido com a melhora do mercado de trabalho, o que exige por sua vez uma recuperação econômica mais vigorosa”.

Situação piora entre os mais velhos

A situação é pior entre a população mais velha. Na comparação entre setembro de 2018 e setembro de 2017, houve um crescimento de 10% na quantidade de inadimplentes entre 65 e 84 anos. Em número absoluto, estima-se um total de 5,4 milhões de consumidores com o CPF restrito nessa faixa etária.

Considerando os brasileiros de 50 a 64 anos, a alta no número de negativados foi de 6,2%, com 12,9 milhões. Na população de 40 a 49 anos, o crescimento foi de 4,9%, com 14 milhões de inadimplentes. A maior parte dos devedores (51,5%) permanece na faixa dos 30 aos 39 anos. São 17,7 milhões de pessoas que não conseguem honrar seus compromissos financeiros. Na população mais jovem, os números também são expressivos: 7,7 milhões de inadimplentes entre 25 a 29 anos, e 4,4 milhões com contas atrasadas têm entre 18 e 24 anos.

Na avaliação do presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior, o fato de os idosos estarem tendo cada vez mais acesso a linhas de crédito acaba levando à inadimplência nessa faixa etária. “Com o aumento da expectativa de vida, a população idosa participa cada vez mais ativamente do mercado de crédito, com um leque maior de produtos e serviços voltados para esse público específico. Isso eleva o número de potenciais consumidores nessa faixa etária, assim com o número de consumidores que eventualmente caem na inadimplência”, analisa.

Dívidas com bancos

O volume de dívidas em nome de pessoas físicas cresceu 1,5% em setembro ante 2017. O problema maior está nas dívidas bancárias – cartão de crédito, cheque especial e empréstimos – onde houve alta mais expressiva em setembro: 8,5% na comparação com o mesmo mês de 2017. Já no comércio observou-se queda de 6,1% com atrasos no crediário. Nos serviços básicos, como água e luz, a queda foi de 1,1%.

Quanto à participação, 52,7% dos compromissos financeiros não quitados foi contraída em bancos ou financeiras, seguidas do comércio (17,9%) e emprestas prestadoras de serviços básicos (7,9%).