Quantos já perderam dinheiro com setor de construção?

O setor imobiliário é complicado para os analistas.

Acredite se Puder / 19:10 - 5 de fev de 2020

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Será que os investidores já esqueceram do comportamento das ações do setor de construção desde 2012? Aliás, em 2007, aqui nesta coluna procuramos lembrar aos analistas o que aconteceu no boom da Bolsa do Rio no início da década de 70 do século passado, quando dezenas de empresas desse tipo abriram seu capital, mas posteriormente não conseguiram sobreviver. E mesmo assim, anos depois, muitos seguiram os conselhos dos analistas do Credit Suisse, que só recomendavam a compra e aumentavam cada vez os objetivos de alta. Porém, quando a economia brasileira começou a apresentar problemas, a maioria dessas empresas se encontrava com grandes estoques de imóveis e terrenos e consequentemente um alto endividamento. Por causa disso, algumas saíram da bolsa e outras buscaram a recuperação judicial, mas todas causaram prejuízos para quem acreditou no setor.

O setor imobiliário é complicado para os analistas, que têm de avaliar os dados históricos de lançamentos e distratos e o endividamento das companhias. Além disso, como a relação da dívida/Ebitda não tem precisão, pois esse indicador tem grande variação por estar muito ligado aos lançamentos, os especialistas acreditam que o certo é comparar a dívida com o patrimônio, relação que não deve ultrapassar a 60%. Outro ponto importante é o banco de terrenos, mas é difícil saber se a construtora já possui um, ou se vai formá-lo após captar dinheiro. E ninguém pode esquecer o tempo necessário para a construção do imóvel, o que pode provocar a perda de mercado.

No ano passado, as ações das construtoras tiveram valorização de 106%, a maior na bolsa brasileira. E companhias como Tecnisa, Trisul, Eztec e Gafisa captaram mais de R$ 5,5 bilhões, principalmente para pagar dívidas e com as sobras adquirir terrenos e investir na construção de novos imóveis.

 

Investidores podem confiar na Mitre?

A construtora Mitre foi a primeira oferta inicial de ações de uma residencial desde 2009. O IPO foi precificado a R$ 19,30, topo da faixa indicativa, permitindo a captação de R$ 1,18 bilhão. E como o mercado dá sinais de maluquice, no seu primeiro pregão tevealta de até 9%, terminando o pregão com ganhos de 7,93%,, sendo cotada a R$ 20,83, pois a empresa foi criticada por analistas, que consideraram o preço da oferta alto demais e ambiciosos demais os seus planos de dobrar o volume de lançamentos. Será que a Mitre será a nova CR2, que em 2010 prometeu muito e teve desempenho pífio?

 

Em dois dias, Bezos ganhou US$ 2 bilhões

Quando a Amazon realizou o IPO, seu fundador arrecadou US$ 2 bilhões, mas teve de se desfazer de 20% da empresa. Agora, em apenas dois dias, recebeu US$ 1,8 bilhão se desfazendo de apenas 0,2% do capital da empresa. Entre a última sexta-feira e a segunda-feira, Jeff Bezos vendeu 905 mil ações num plano de trading e, segundo a Bloomberg, nos últimos quatro anos, o empresário já realizou vendas superiores a US$ 12 bilhões. Desde que ultrapassou a cotação de US$ 2 mil, a Amazon entrou para a relação das “trillion dollar baby” e, atualmente, seu valor de mercado supera a US$ 1,02 trilhão.

 

Problema de Isabel afeta cerveja dos angolanos

Os angolanos podem ficar sem cerveja, pois a Sociedade de Distribuição de Bebidas de Angola, uma das empresas arrestadas pelo Tribunal de Luanda e que tem como acionistas únicos Isabel dos Santos e o seu marido Sindika Dokolo, corre o risco de falência a curto prazo, devido à impossibilidade de os seus donos cumprirem o programa de investimento. A Sodiba, fabricante da cerveja Luandina e da portuguesa Sagres, precisa aplicar cerca de € 3 milhões no setor de vasilhames. É uma joint venture entre o casal de Angola e a portuguesa Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, que é controlada pela holandesa Heineken. A partir de 2017, começou a produzir a cerveja portuguesa no país e, em 2018, vendeu em torno de 30 milhões de litros no mercado local. A falência da Sodiba provocará o desemprego de cerca de 500 pessoas.

 

Só construtoras paulistas, desconhecidas nacionalmente

Quatro construtoras residenciais querem captar R$ 4 bilhões. São empresas regionais como a Mitre, apenas conhecidas em São Paulo. A próxima é a Moura Dubeaux, que pretende obter R$ 1,07 bilhão.

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