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Quanto a economia pode decrescer

Conversa de Mercado / 30 Junho 2018

A redução das perspectivas de crescimento da economia brasileira por parte do Banco Central não surpreende em nada. Não há e não havia condições de o PIB crescer algo próximo de 3%, como o governo, o colegiado do BC e o mercado previam com otimismo no início do ano. Além das surpresas negativas como a greve dos caminhoneiros, o país vive uma crise de credibilidade e falta infraestrutura para que haja um incremento mais robusto da economia.

Segundo o relatório de inflação do Bacen, a projeção central para o crescimento do PIB em 2018 agora é de 1,6%, inferior à previsão apresentada no Relatório de Inflação de março (2,6%). “A revisão está associada ao arrefecimento da atividade no início do ano, à acomodação dos indicadores de confiança de empresas e consumidores e à perspectiva de impactos diretos e indiretos da paralisação no setor de transporte de cargas ocorrida no final de maio”, diz o documento.

Na mesma direção, o Ipea, reduziu a previsão para de aumento do PIB de 3% para 1,7% e subiu a projeção de inflação de 4,2% para 4,3% para este ano. As duas projeções estão bem abaixo da estimativa oficial do governo que, em maio foi reduzida de 2,97% para 2,5%. A diferença entre a perspectiva e a realidade pesará no orçamento fiscal projetado para 2018.

Há uma total desconfiança da indústria e, por esse motivo, a tendência é de menos de investimentos. Mas, apesar disso, o BC manteve esta projeção praticamente intacta no seu último relatório, com incremento de 4%. Tal dado tende a ser revisto ao longo do ano. O Indicador de Incerteza da Economia, medido pela FGV, subiu 10,1 pontos de maio para junho deste ano. O índice encontra-se agora em 125,1 pontos em uma escala de zero a 200, o mais elevado patamar desde janeiro de 2017 (125,4 pontos). A metodologia demonstra que o indicador se encontra na região de incerteza elevada (acima de 110 pontos). Além da incerteza, a utilização da capacidade instalada da indústria permanece em patamar abaixo da sua média histórica (80,3%).

E é justamente a indústria que pesa sobre as projeções do Bacen para o PIB. De acordo com o relatório do BC, a perspectiva para o desempenho da indústria neste ano foi revista de 3,1% para 1,6%. O agronegócio, apesar de ter sido um dos segmentos mais prejudicados pela greve dos caminhoneiros deve ter um desempenho melhor que o previsto. A agropecuária deverá crescer 1,9% no ano, ante estimativa de recuo de 0,3% em março. Em 2017, o agronegócio foi o grande impulsionador do PIB, com crescimento anual de 13%.

A falta de consumo também justifica a demora da recuperação da economia. As estimativas do BC derrubaram a projeção de crescimento de 3,0% para 2,1%. Justifica a manutenção do de desemprego em patamar elevado, o que prejudica a recuperação da renda. Segundo o IBGE índice de desemprego no Brasil recuou de 12,9% para 12,7% no trimestre encerrado em maio. Isso significa que 13,2 milhões de pessoas estão desempregadas no país.

O levantamento do IBGE demonstra que a leve queda índice não deve ser vista como positiva, pois foi impactada pela menor procura por emprego, e não pela melhora do mercado de trabalho. O instituto destacou que a subutilização da força de trabalho e o desalento (indivíduos que não conseguem retornar ao mercado e, em um dado momento, depois de tentarem muito, param de procurar por uma vaga) no Brasil bateram recorde.

Sem renda, o que resulta em menores volumes de venda e falta de motivos para investimentos, não há porque esperar uma retomada da economia este ano. O fraco desempenho implica diretamente nos preços das ações, que também sofrem com a instabilidade externa e falta de definição do cenário eleitoral. As expectativas ficam para 2019, quiçá... talvez... No momento, não é possível traçar um cenário tão longo.

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Ana Borges

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