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Quadrilhas juninas

▲Neste mês de junho, o Brasil vira quase um só arraiá. É a época de uma das suas festas mais populares. No a...

Empresa-Cidadã / 20 Junho 2018

Neste mês de junho, o Brasil vira quase um só arraiá. É a época de uma das suas festas mais populares. No arraiá chamado “marché” (mercado), as empresas também evoluem conforme o ritmo estipulado pelos sanfoneiros.

A dança é inspirada na “quadrille”, daí a denominação quadrilha, que pode ser um oligopólio, ou um cartel, dançada na corte francesa no século XIX. Todos os passos têm as suas denominações também derivadas deste idioma.

Primeiro passo, Anarriê!

Do francês “en arrière” (para trás). A este comando, o grupo evolui aos pares para o centro de uma roda, onde, ao chegarem, separam-se, caminhando para trás. No arraiá do “marché” (mercado), cada empresa olha para o seu par e concorrente e pensa: “se ele vai, eu não vou ficar para trás”, mas quando está chegando ao centro da questão, muitas delas desistem, caminham para trás e sorriem para a assistência.

Segundo passo, Anavan!

Do francês “en avant” (avancem). Este comando indica que homens e mulheres devem avançar, até reencontrarem os seus pares. No arraiá do “marché” (mercado), a evolução também não é linear, podendo acontecer por determinação ou por arrependimento. O par pode ser concorrente, mas acima disto, pode ser companheiro (um duopólio). Só a cooperação com ele permite seguir dançando a quadrilha, por muito mais tempo.

Terceiro passo, Balancê!

Do francês “balancer” (balançar). Comando para que os dançarinos marquem passo, sem sair do lugar. No arraiá do “marché” (mercado), a disposição de dançar não assegura a evolução dos pares. Acontece de haver esforço, queimar recursos e não sair do lugar. Os norte-americanos conhecem mais como “lock-out”. Continuar marcando passo sem evoluir, indefinidamente, no entanto, só como farsa.

Quarto passo, Travessê!

Do francês “traverser” (atravessar). A partir deste comando, os pares, divididos em duas colunas, vão até o centro da roda, formam um trançado e daí, seguem para o lado oposto ao que estavam inicialmente. No arraiá do “marché” (mercado), empresas que se proporcionam as possibilidades do trançado da diversidade chegam mais longe.

Quinto passo, Tur!

Do francês “tour” (giro). Com este comando, o homem abraça a cintura da dama que coloca o braço no ombro dele e, juntos, dão uma volta. No arraiá do “marché” (mercado), a realização do giro também depende da aproximação entre as partes interessadas.

Sexto passo, Changê de dame!

Do francês “changer de dame” (trocar de dama). Este é o comando para que o círculo se movimente, com a alternância na formação dos casais. No arraiá do “marché” (mercado), só com as trocas de valores entre partes interessadas, a empresa consegue se movimentar.

Último passo, À La Vonté!

Do Francês “a (la) volontê” (à vontade). Este é comando que realiza a diversão para quem, até aqui, cumpriu a marcação de todos os passos. No arraiá do “marché” (mercado), é a diferença entre brincar à vontade ou dançar. Quem observou os procedimentos de valorização da diversidade e interagiu com as partes interessadas, brinca à vontade. Quem não observou, dança (“foutre”).

A quadrilha da renúncia fiscal. A população é quem “dança”.

Em 2017, o governo abriu mão de arrecadar de empresas, a chamada renúncia fiscal, o montante de R$354,7 bilhões, equivalentes a 30% do total da sua receita, segundo o relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre as contas do governo.

Segundo o relatório, 84% da renúncia fiscal não tem prazo para acabar e equivale ao déficit da Previdência, mais o valor das aposentadorias dos servidores federais, que totalizaram R$268,8 bilhões, no mesmo ano. Como “nada é tão ruim que não possa piorar” (uma das leis de Murphy), o TCU aponta que 44% do montante (mais de R$156 bilhões) não são objeto de qualquer fiscalização.

Como a renúncia fiscal é praticada sem o estabelecimento de contrapartidas, seja em número de empregos gerados, em desenvolvimento de tecnologia ou em avanços nas condições de sustentabilidade (como a substituição de fontes de energia), não há como avaliar a sua eficácia, a não ser através de suposições baseadas em padrões superados de empresas que negligenciam aspectos como o da utilização de plantas empresariais cada vez mais robotizadas, atualmente insignificantes na promoção do emprego.