Propriedade de imóveis em SP é segredo de estado

São Paulo / 25 Abril 2017

A cidade de São Paulo não coloca à disposição dados sobre a propriedade de imóveis nem possibilita acesso detalhado a informações sobre poluição da água e do ar, constatou pesquisa divulgada nesta terça-feira pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e a organização não governamental (ONG) Open Knowledge. Apesar dos itens problemáticos, a capital paulista alcançou percentual de 75% de transparência na divulgação de informações públicas, com pontuação máxima em vários itens do Índice de Dados Abertos, como orçamento e mapas da cidade. 
O índice alcançado por São Paulo é um bom resultado se comparado aos países onde a metodologia foi aplicada, segundo a diretora de análise de Políticas Públicas da FGV, Bárbara Barbosa. 
Sobre os pontos mais problemáticos, a pesquisa identificou que não há acesso aos dados sobre quem são os proprietários de imóveis na capital paulista. 
Em pesquisa divulgada há duas semanas, a ONG Transparência Internacional revelou que mais de 3,4 mil imóveis na cidade de São Paulo estão registradas em nome de 236 empresas abertas em paraísos fiscais – países que oferecem isenções de impostos e taxas e mantêm sobre sigilo o nome do proprietário. Os apartamentos, casas e terrenos estão avaliados em cerca de US$ 2,7 bilhões.
A quantidade expressiva de bens nessa condição é, segundo a organização, um indício de que os imóveis podem estar sendo usados para lavagem de dinheiro de crimes, inclusive de corrupção.
Para Bárbara Barbosa, a divulgação das informações não é uma garantia de que esse tipo de prática será coibida. Porém, ela afirma que a transparência abre a possibilidade para que os cidadãos atuem, exigindo providências do Poder Público.