Professora critica a ‘uberização’ do trabalho

Socióloga Ludmila Costhek teme a redução dos trabalhadores a 'fator de produção'.

Conjuntura / 23:27 - 18 de out de 2019

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 “A uberização não começou com a empresa Uber e nem termina nela. O cerne é nos transformar em trabalhadores just in time. O que é isso? É você ser reduzido a um fator de produção”. Esta é a visão da socióloga Ludmila Costhek Abílio sobre as novas modalidades de trabalho instituídas pela reforma trabalhista, que reduziu direitos conquistados pelos trabalhadores brasileiros ao longo dos anos.
Ludmila, junto com a economista Leda Paulani e o engenheiro Eduardo Moreira, também economista, debateram o tema nesta quinta-feira, penúltimo dia do seminário “Democracia em Colapso?”, promovido pelo Sesc São Paulo e pela editora Boitempo.
Autora de estudos sobre o mundo do trabalho, Ludmila – que é professora na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas (SP) – critica os novos tipos de vínculo, sem proteção, em um país que vem se tornando fornecedor “da mão de obra mais rebaixada possível”, como define. Uma pessoa com “a liberdade” de trabalhar sete dias por semana. “Nada mais está garantido. É um contexto de total incerteza, em que o trabalhador passa a arcar com custos, riscos, e se auto-gerenciar.”
Além do “processo de rebaixamento do valor do trabalho”, há a intensificação da jornada, com aplicativos, celulares, redes sociais, conexão ininterupta. A pesquisadora identifica uma “perda de distinção entre o que é tempo do trabalho e o que não é”.
Os direitos vão se transformando em custos, acrescenta Ludmila, ao citar a reforma da Previdência e a passagem de um sistema baseado na solidariedade entre gerações para um que enfatiza a individualização, em que cada um deve poupar para garantir sua aposentadoria. O indivíduo “autossuficiente”, diz Ludmila.

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