Privatização pode dobrar valor da ação da Petrobras

Analistas do Bradesco BBI apontam três fatores que levantam dúvidas sobre a viabilidade da venda da estatal.

Acredite se Puder / 19:21 - 22 de ago de 2019

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Apesar do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni revelar que existem planos, mas a Petrobras ainda não foi incluída nos projetos de privatização. O motivo é porque o Ministério de Minas e Energia ainda está produzindo os estudos e ninguém sabe como a desestatização ocorreria, se seria da holding ou apenas de alguma área específica, os analistas do Bradesco BBI afirmam que a confirmação da notícia motivará inúmeros possíveis compradores para o atraente ativo de classe mundial.

Qualquer interessado estratégico, sejam companhias petrolíferas, agentes financeiros e players do mercado “com um balanço sólido e apetite para crescer nas regiões do pré-sal (ou seja, players que já participaram de licitações no pré-sal) podem ser candidatos em potencial”, avaliam os analistas. Segundo os técnicos do banco, o formato de privatização provavelmente envolverá a unificação das ações ordinárias, com direito a voto, em uma proporção acordada entre o governo federal, que tem 28,7% do total de ações e 50,3% das ordinárias e o BNDES (que hoje possui 13,9% do total de ações e 10% do capital votante.

Num exercício de futurologia, esses especialistas fazem um estudo de quanto poderia valer a petrolífera se ela fosse totalmente privatizada. E considerando uma análise de fluxo de caixa descontado, com uma taxa de desconto de empresa privada de 7,5% em dólar, eles acreditam que as ações preferenciais da Petrobras poderiam valer entre R$ 50 e R$ 55, o que representa um potencial de alta de 97% a 116% sobre o atual valor dos papéis, de R$ 25,45. Com esta análise, a empresa passaria a ter um múltiplo EV/Ebitda (valor de mercado da empresa sobre sua geração operacional de caixa) de 2020 de cerca de 6,5 vezes, com um leve desconto para a Exxon, sem incluir um aumento de eficiências de custo, que segundo eles poderia ser significativo.

Apesar dos cálculos animadores, os analistas do Bradesco BBI apontam para três fatores que levantam dúvidas sobre a viabilidade da privatização da Petrobras. O primeiro envolve a aprovação pelo Congresso, já que a desestatização da petrolífera precisaria de uma emenda constitucional com maioria absoluta. “Isso por si só já representaria um desafio político significativo para o governo e poderia levar vários anos de discussões acaloradas”, avaliam. Outra questão é o fato de que já estaria ocorrendo uma “privatização indireta” da empresa por conta da venda de ativos que tem ocorrido desde 2016 com Pedro Parente. “Questionamos até que ponto essa mentalidade realmente mudou dentro do governo a ponto de ele querer abrir mão da maioria das ações ordinárias”, aponta o Bradesco. Por fim, há a avaliação de que o governo poderia levantar muito capital apenas com a venda da participação do BNDES na petrolífera. Apenas com este movimento, poderiam ser levantados cerca de R$ 48 bilhões, evitando assim que a Petrobras toda fosse privatizada.

 

Telebras subiu 30%. Que doideira?

Por meio de fato relevante, a Telebras confirmou que foi informada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações de que a companhia está na lista de empresas que farão parte do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo federal, ou seja, que devem ser privatizadas. No comunicado, o diretor de Relações com Investidores, Antônio José Mendonça de Toledo Lobato, afirma que a inclusão tem o objetivo de “estudar alternativas de parceria com a iniciativa privada, bem como propor ganhos de eficiência e resultado para a empresa, com vistas a garantir sua sustentabilidade econômico-financeira”. As ações preferenciais da Telebras chegaram a subir 30% e foram R$ 47. Não justificativa técnica para isso.

 

Estrangeiras teriam participação na queda da Oi?

Os advogados das norte-americanas GoldenTree Asset Management e da Solus Alternative Asset Management, que impediu o Google de criar uma descrição da sua página mas não a ocultou, e o da britânica York Global Finance Fund estiveram reunidos para pressionar o juiz Fernando Viana, da 7ª Vara Empresarial do Rio, a apressar a homologação do processo de recuperação judicial da Oi, pois querem se mobilizar para acelerar a troca de comando na operadora. Resta saber se o juiz vai ceder a pressão de repesentantes das gestoras de fundos estrangeiros. A Oi tem a segunda sessão de recuperação, só que dessa vez foi de 4%, depois de cair quase 50%.

Em relatório, os analistas do Itaú BBA classificam a queda das ações como injustificada, apontando catalisadores positivos à frente dentre eles, a perspectiva de troca de comando, com grande expectativa para a escolha de Rodrigo Abreu, ex-presidente da Tim, e que já participa do comando da empresa. A CVM deve apurar o movimento das três gestoras estrangeiras com as ações da Oi depois da conferência com os analistas na semana passada. Estariam interessadas em provocar tumulto?

 

Disney demite analista que faz denúncias à SEC

Sandra Kuba, ex-analista financeira-chefe da Walt Disney Co. registrou denúncias à SEC alegando que a empresa inflou números por anos. Diz que funcionários dos parques e resorts aumentaram a receita em bilhões explorando deficiências no software de contabilidade da empresa.

 

União quer R$ 1 bi

O Conselho do PPI também aprovou a venda de 20 milhões de ações excedentes da União no Banco do Brasil, volume que pode render até R$ 1 bilhão à União sem prejudicar o controle do governo sobre o banco estatal.

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