Advertisement

Privatização de subsidiárias vai elevar preços e reduzir benefícios

Sindicalista prevê esquartejamento da área social.

Conjuntura / 22:43 - 07 de Jun de 2019

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de autorizar a venda de subsidiárias das estatais sem aval do Congresso vai fazer a população pagar mais caro por serviços públicos e obter menos benefícios sociais, apontam sindicalistas.

Com a decisão, poderão ser vendidas 88 subsidiárias, das 134 estatais do Governo Federal.

Apesar de não autorizar a venda direta das estatais, o STF contribuiu com a política neoliberal do ministro da Economia, Paulo Guedes. E quem vai pagar, mais uma vez, é a população. A análise é de dirigentes sindicais ligados às empresas públicas que estarão sujeitas ao sucateamento com a venda de suas subsidiárias.

O diretor de Assuntos Jurídicos e Institucionais da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, explica que somente a Petrobras tem desde distribuidoras, termelétricas, fábrica de fertilizantes, empresa de gás a refinarias que podem ser vendidas para o mercado internacional. Com isso, a população poderá pagar mais caro pela gasolina, o diesel e o gás, entre outros produtos vendidos pela empresa.

Além disso, prossegue o dirigente, “todas as subsidiárias geram lucro e boa parte do valor vai para o Governo Federal, que utiliza esses recursos para investir em infraestrutura, projetos sociais, em saúde e educação”.

“A geração de riqueza da indústria do petróleo vai para outros países. O lucro que as subsidiárias geram para o país não vai mais ficar no Brasil porque empresa privada só pensa na maximização de seus lucros. O dinheiro da Petrobras vai gerar emprego no exterior e não mais aqui”, critica o dirigente.

Deyvid, que também é diretor do Sindicato dos Petroleiros da Bahia, conta ainda que somente na Petrobras existe a possibilidade da venda de oito refinarias, a Remam (AM), Lubnor (CE), Renest (PE), Reman (BA) Regap (MG), Repar (PR) e Refape (RS), além da Liguigás, cujo caso está sendo analisado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Já o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Jair Pedro Ferreira, diz que a decisão do Supremo vai diminuir a capacidade da Caixa de fazer políticas públicas para os mais pobres. Segundo ele, a CEF pode perder o controle majoritário de diversas empresas como as de seguro, venda de cartões e loterias.

 “Vai ser um esquartejamento da área social. As loterias são uma fonte de lucro que vai para o governo investir em bem-estar. Tudo isso vai se perder”, alerta o dirigente.

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor