Privatizações do Maracanã e barcas não deram certo

Rio de Janeiro / 12 Maio 2017

A empresa francesa Lagardère informou nesta quinta-feira  que desistiu de comprar as ações majoritárias da concessionária Maracanã, em poder da Odebrecht, que administra o Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã. “Ficou impossível sustentar junto à matriz o que o governo fez”, diz o comunicado, referindo-se à possibilidade de nova licitação, admitida pelo governo fluminense em audiência pública recente.

No comunicado, a Lagardère cita “a instabilidade que a (Secretaria Estadual da) Casa Civil criou ao admitir voltar atrás no processo que ele (governo) escolheu como ideal. Isso depois de mais de um ano, centenas de documentos e garantias, quando o pré-contrato entre as empresas (Lagardère e Odebrecht) já estava assinado e tínhamos 30 pessoas no estádio há 20 dias. Esse fato repercutiu muito mal na França, que determinou que saíssemos do processo de compra, por não haver mais confiança no governo”.

A Concessionária Maracanã Entretenimento encaminhou ao governo fluminense laudo técnico do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT) sobre os danos causados à lona de cobertura do estádio durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, acompanhado de comparativo com os danos ocorridos na Copa do Mundo de 2014. Segundo a concessionária, cabe ao governo do Rio de Janeiro, na condição de poder concedente, decidir a providências que serão tomadas.

Também nesta quinta-feira, a  Justiça do Rio decidiu que o governo do Estado do Rio de Janeiro deverá realizar, em até dois anos, nova licitação para exploração do serviço de transporte por barcas na Baía de Guanabara. Os desembargadores da 15ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça decidiram, por unanimidade, anular a licitação realizada em fevereiro de 1998, que resultou no contrato de concessão de serviços entre o Estado e a concessionária Barcas S.A. (atual CCR Barcas).