Presidentes de bancos públicos seguem cartilha da Febraban

Privatização e juros de mercado, até no crédito para habitação da classe média.

Mercado Financeiro / 22:22 - 7 de jan de 2019

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Os novos presidentes do Banco do Brasil, Caixa e BNDES assumiram os cargos com discursos afinados: privatização e competição segundo as regras do mercado. As propostas seguem a cartilha da Federação dos Bancos Brasileiros (Febraban), que empurra para as instituições públicas parte da responsabilidade pelos exagerados juros cobrados pelos bancos privados.
“Atualmente, o grande volume das operações de crédito direcionado impacta negativamente o mercado, gerando distorções que aumentam a taxa básica de juros da economia e encarecem o custo do dinheiro no segmento livre”, prega a Febraban na cartilha Como fazer os juros serem mais baixos no Brasil. “A competição em condições de igualdade entre bancos públicos e privados premiaria todo o mercado.”
O novo presidente do Banco do Brasil, Rubens Novaes, confirmou que pretende vender parte dos ativos da instituição e afirmou estar livre do drama que antes contrapunha o interesse dos acionistas minoritários e do governo. “A concorrência que se cuide”, afirmou.
Pedro Guimarães, que assumiu a Caixa, disse que a instituição deverá vender participações em áreas como seguros e loterias, reforçar o financiamento imobiliário via mercado de capitais e investir em microcrédito a juros mais baixos.
Mas as taxas menores não serão para todos. Guimarães disse que a classe média terá que pagar juros no crédito imobiliário similares aos dos bancos privados. A declaração é uma ducha de água fria para a construção, que contava com o financiamento de imóveis usados pela Caixa para alavancar o setor, que amarga quatro anos de retração, que o fez encolher 25%.
Joaquim Levy, novo presidente do BNDES, afirmou que “o balanço (recursos disponíveis) hoje depende em uma proporção talvez exagerada, certamente menos exagerada do que há quatro anos, mas ainda provavelmente exagerada, de recursos do Tesouro, e que tem que ser adequado para que se tenha adequado retorno do capital que é de cada um da população”. 
 

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