Presidente do Conselho da Light critica venda da Eletrobras

Conjuntura / 09 Setembro 2017

Telebras, que era pública, foi privatizada e a Oi hoje está superendividada

A possível privatização da Eletrobras preocupa Nelson José Hubner Moreira, presidente do Conselho de Administração da Light. Para ele, a estatal brasileira exerce um poder indutor da economia nacional. No mês passado, o Governo Federal informou que pretende reduzir a participação da União no capital da Eletrobras, com sua consequente democratização na Bolsa de Valores, a exemplo do que já foi feito com a Embraer e a Vale. A medida teria como objetivo dar mais competitividade e agilidade à empresa para gerir suas operações.
“O setor elétrico, ao mesmo tempo que precisa ter energia barata para incentivar os demais setores industriais, é altamente intensivo e comprador desses outros setores industriais. Ele alavanca a própria indústria. Você pega, por exemplo, a energia eólica. A Eletrobras proporcionou o desenvolvimento de um parque, inclusive com diversas empresas de capital internacional que aqui se instala-ram, mas que desenvolvem tecnologia aqui, geram renda e emprego aqui”, destacou, durante o 22º Congresso Brasileiro de Economia, que terminou nesta sexta-feira, em Belo Horizonte.
Júlio Miragaya, presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), também desaprova a desestatização da Eletrobras. “Não é questão de ser estatista ou não. É só ver a realidade dos países desenvolvidos. Às vezes, fica essa conversa sobre ineficiência. É uma bobagem. A Telebras, que era pública, foi privatizada, virou a Oi e hoje está completamente endividada. A Vasp foi privatizada e quebrou”.
Miragaya avalia que não se pode relacionar empresa estatal à ineficiência e corrupção e empresa privada à eficiência e ao trabalho ético. “Alemanha e Noruega têm parte significativa da sua indús-tria estatizada. A Volkswagen, que é um sucesso, tem 30% do seu capital ligado ao estado da Baixa Saxônia. Na China, 75% das principais empresas são estatais e é a economia que mais cresce no mundo.”