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Presidente do BC reforça expectativa de retomada do crescimento

Campos Neto defendeu autonomia do Banco Central: 'acreditamos que um BC autônomo proporcionaria redução de incertezas econômicas'.

Conjuntura / 15:28 - 16 de Mai de 2019

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O crescimento da confiança empresarial, a tendência de recuperação gradual do investimento, a taxa básica de juros em seu mínimo histórico estimulando a economia e a recuperação no mercado de crédito são fatores que levarão à retomada do crescimento econômico, segundo avaliação do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em audiência pública no Congresso Nacional, hoje.

Ontem, o BC informou que a atividade econômica registrou recuo no primeiro trimestre deste ano. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) apresentou queda de 0,68%, segundo dados dessazonalizados - ajustados para o período.

Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC adiantou que a economia poderia apresentar recuo no primeiro trimestre. Segundo o documento, o processo de recuperação gradual da atividade econômica sofreu interrupção no período recente, mas a expectativa é de retomada adiante, previsão que foi reforçada por Campos Neto na audiência pública.

"O processo de recuperação gradual da atividade econômica sofreu interrupção no período recente, mas o cenário básico do BC contempla sua retomada adiante. Essa hipótese se sustenta, entre outros fatores, no crescimento da confiança empresarial, medida pela Fundação Getulio Vargas, na tendência gradual de recuperação do investimento, conforme indicam dados do IBGE, no patamar estimulativo da política monetária e na recuperação observada no mercado de crédito", disse Campos Neto aos parlamentares.

Segundo o presidente do BC, a taxa básica de juros, a Selic, em seu mínimo histórico de 6,5% ao ano, tem levado também à queda das taxas de juros reais. "Essas taxas reais, estimadas usando várias medidas, se encontram atualmente próximas de 2,7% ao ano, nível que tende a estimular a economia", disse.

Campos Neto defendeu mudança na legislação para garantir a autonomia do BC. "Acreditamos ainda que um BC autônomo, como estabelece Projeto de Lei atualmente em discussão nesse parlamento, proporcionaria uma redução de incertezas econômicas e dos prêmios de risco, o que nos levaria a uma melhor condição de consolidar os ganhos recentes e abrir espaço para os novos avanços que o país tanto precisa", ressaltou.

 

'Isso é voo de galinha' - Roberto Campos Neto, disse hoje que não se pode trocar inflação sob controle por crescimento econômico. Na audiência pública, afirmou que a estratégia já foi testada no passado e não deu certo, gerando recessão.

"Achar que a gente vai trocar inflação controlada, um sistema de credibilidade no longo prazo, por um crescimento de curto prazo, isso é voo de galinha. Não dura e quando volta a crise é grande e nós gastamos um bom tempo tentando recuperar isso", afirmou, em audiência na Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso Nacional.

Campos Neto ressaltou que a melhor forma de ter crescimento econômico é com inflação sob controle e expectativas de inflação dentro da meta. Segundo ele, reduzir juros para a economia crescer foi um erro que gerou a crise de 2014, com perda de credibilidade e "enorme" saída de recursos do país.

Investimentos

Para Campos Neto, o desempenho recente da economia foi decepcionante. Ele destacou que é preciso resolver a situação fiscal e, assim, o país voltará a ter investimentos.

"Ficamos decepcionados com o resultado", disse. Ele também afirmou que não existe país com inflação e juros baixos e com o cenário fiscal desarrumado.

 

Com informações da Agência Brasil

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