Preços de cesta da Páscoa vão subir em cerca de 5% este ano

Ovo tem 38,53% de impostos, alerta Associação Comercial de SP; bacalhau pode estar até 20% mais alto, lembra Apas.

Conjuntura / 14:10 - 15 de abr de 2019

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A cesta de Páscoa deste ano estará com preços 5% mais caros, segundo a Associação de Supermercados de São Paulo (Apas). Do peixe, servido no almoço, até os ovos, os brasileiros vão ter que desembolsar um pouco mais esse ano para comemorar a data. Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o valor do bacalhau pode estar até 20% mais alto, em comparação com os preços do ano passado, que estavam em desaceleração. E, segundo a Apas, os ovos este ano podem ter aumento de até 30%, variando de R$ 10 até R$ 80.

Ao comprar um ovo de Páscoa de R$ 40, o consumidor paga R$ 24,58 efetivamente pelo produto e mais R$ 15,42 em impostos - a carga tributária do ovo é de 38,53% do preço final. O levantamento da carga tributária embutida nos preços de produtos tradicionais da Páscoa é da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O item mais tributado é o vinho importado (69,73%), cujo imposto até supera o valor do produto. Por exemplo, por uma garrafa de vinho de R$ 150 o brasileiro desembolsa R$ 45,40 pelo produto e mais R$ 104,60 em tributos. Já o vinho nacional tem carga menor, mas ainda muito alta, de 54,73%.

Quem for viajar no feriado de Páscoa pagará 36,28% de imposto sobre pacotes de viagens. Já passagens aérea e terrestre (ônibus) têm 22,32% de carga tributária. O consumidor que decidir cozinhar pagará 43,78% de imposto no bacalhau. E o que almoçará fora vai arcar com 32,31% de tributos. A lista foi encomendada pela ACSP ao Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) e pode ser conferida mais abaixo.

"Os brasileiros precisam se conscientizar de todo esse peso da carga tributária, que, se não fosse excessiva, potencializaria o poder de compra da população e engataria a máquina econômica", analisa Marcel Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Ele comenta sobre o recorde da carga tributária em 2018, de 33,58% do PIB, segundo o Tesouro Nacional. "Isso revela que os problemas da União não estão no lado da receita, que continuam crescendo. Estados e municípios também apresentaram aumento da carga, mas muitos estão sem condições de pagar compromissos básicos, o que mostra que as despesas estão fora de controle e, sem uma reforma da Previdência como primeira medida no sentido de reduzir os gastos, vamos ter cada vez mais dificuldades para atender as necessidades básicas do cidadão e até mesmo pagar o funcionalismo público".

 

Data é teste para varejo supermercadista diminuir perdas

Nos próximos dias deve crescer, nos supermercados de todo o país, a movimentação de pessoas por conta das comemorações da Páscoa, no dia 21 de abril. O maior fluxo de visitantes nas lojas também torna o cenário mais propício às perdas no setor, em especial de bacalhau e azeite, além de carnes nobres, como picanha, alcatra e contra-filé, e bebidas, principalmente a cerveja.

"As lojas que promovem de forma agressiva a venda de chocolates e relacionados precisam também estar mais atentos e fazer um trabalho de prevenção em toda a loja e não apenas na área de exposição dos achocolatados. Eu diria que em certas lojas o índice de furtos, por alguns dias, pode até dobrar se não forem tomadas as devidas precauções", argumenta Luiz Fernando Sambugaro, diretor de Comunicação da Gunnebo.

Sambugaro lembra que todo produto sazonal, como o ovo de Páscoa, se transforma automaticamente em um atrativo durante uma visita ao supermercado ou loja de conveniência, até mesmo para aqueles que não costumam visá-lo com muita frequência. "Por isso é importante que o varejista oriente seus funcionários a redobrar a atenção em horários de grande fluxo de pessoas. Aliar soluções tecnológicas com treinamento profissional é a melhor saída para evitar as perdas e aumentar os lucros", diz o executivo.

Pesquisa da Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (Abrappe) aponta que o índice de perdas totais dos supermercados, em 2017, foi de 1,94%. Considerando o faturamento de R$ 353,2 bilhões no ano, as perdas foram de R$ 6,8 bilhões. As principais causas das perdas foram quebras operacionais (46%), furtos (23%, somados os externos e internos), erros de inventário (14%) e erros administrativos (7%), entre outros.

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