Advertisement

Preço total da lista de material escolar pode variar em mais de 700%

Conjuntura / 12 Janeiro 2018

Levantamento feito no dia 9 de janeiro pelo portal Zoom apontou que o gasto total com itens da lista de material escolar em janeiro de 2018 pode variar em até 708%. A pesquisa mostra o menor e o maior preço encontrados para produtos equivalentes no site do Zoom e em lojas diferentes. Dos 15 itens analisados, apenas um (régua plástica cristal de 30 cm da Acrinil) não apresentou variação relevante de valor; todos os demais tiveram diferença alta no valor.

As borrachas são as que apresentam maior variação de preço. A borracha branca pequena 60 - Leo e Leo - custa R$ 0,15 e a borracha Mars Plastic Staedtler - branca chega a R$ 6,99, uma diferença de 4.560%.

O levantamento também apontou grande variação em itens como lápis de cor, giz de cera e corretivo líquido: o lápis de cor 12 cores sextavado Plastic Cis tem o preço de R$ 5,78, enquanto o lápis de cor coupy colored Pencil Sakura com 12 cores chega a custar R$ 70,10. A caixa de giz de cera com seis cores pode ser encontrada inicialmente por R$ 1 e o giz de cera 3D Carros - seis cores R$ 43,90. Já o corretivo líquido Átima Radex (de 18ml) custa R$ 1,03, enquanto o mesmo produto em igual quantidade da Mercur chega ao preço de R$ 10,60.

O Procon regulamenta os itens que podem ser solicitados pelas escolas e ressalta que produtos de uso coletivo, como os de higiene ou descartáveis, não podem ser pedidos, pois já devem estar inclusos na mensalidade escolar.

Assim como o Procon, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) também lembra que o colégio, por exemplo, não pode solicitar produtos de uso coletivo, como os de higiene, limpeza, copos e talheres descartáveis, grandes quantidades de papel, grampos, pastas classificadoras, entre outros exemplos.

A escola também não pode exigir marcas ou locais de compra específicos para o material, tampouco que os produtos sejam adquiridos no próprio estabelecimento de ensino, exceto para artigos que não são vendido no comércio, como apostilas pedagógicas próprias do colégio. Fora essa situação, a exigência de compra no estabelecimento de ensino configura venda casada e é expressamente proibida pelo artigo 39, I, do CDC (Código de Defesa do Consumidor).

Outro abuso recorrente é impedir que o aluno reutilize materiais didáticos de outros estudantes. Essa recomendação só pode ser feita se o livro usado por um irmão mais velho, por exemplo, estiver desatualizada. Caso o conteúdo esteja adequado, não há problema algum em reaproveitar o material.

O Idec lembra que antes de ir à papelaria, os pais devem verificar se os itens utilizados no ano passado estão em bom estado e podem ser reutilizados. Estojo, régua, tesoura e dicionário, por exemplo, normalmente duram bastante.

A entidade também lembra que os livros didáticos, por exemplo, costumam ser os itens que mais pesam no bolso. Comprá-los diretamente da editora ou adquirí-los de sebos podem ser opções para não gastar tanto. Outra dica, para economizar um pouco mais, é reunir um grupo para ir às compras. O atacado é mais vantajoso e, na maioria das vezes, é mais fácil de conseguir descontos.

Aliás, compras coletivas, buscar descontos e trocar livros didáticos entre amigos são algumas medidas sugeridas pelo coordenador do MBA em Gestão Financeira da Fundação Getulio Vargas (FGV), Ricardo Teixeira.

- A velha sugestão de pesquisar preços é sempre atual. O consumidor deve fazer uma lista do que precisa comprar para não se render a impulsos consumistas. Também é recomendável juntar todo o material escolar do ano anterior e ver a possibilidade de reutilizá-lo - diz Ricardo.

O especialista em Gestão Financeira lembra ainda que é importante conversar com outros pais e tentar fazer a compra em conjunto, pois, assim, aumenta a probabilidade de conseguir preços menores. Segundo Ricardo Teixeira, sempre é possível negociar descontos nas compras em grande quantidade.

- Vale sugerir que a escola crie uma biblioteca para que os familiares consigam fazer trocas de livros. Outra opção é a internet. É possível buscar materiais e livros usados em excelente estado que, muitas vezes, custam a metade do preço. Comprar no atacado também pode render bons negócios - ressalta o professor da FGV.

Ricardo Teixeira aconselha também tentar comprar à vista e pedir um desconto no preço total.

- Se o consumidor tiver que pagar a prazo, deve observar se as parcelas caberão no orçamento mensal para evitar cair no cheque especial ou no parcelamento rotativo do cartão de crédito", aconselha.

O professor da FGV alerta para não se deixar levar somente pelos desejos dos filhos, pois eles podem ser facilmente influenciados por amigos e também pelo marketing publicitário.

- O ideal é conversar com os filhos antes de sair às compras, explicando a situação em que a família se encontra e quanto poderão gastar com os materiais. Caso contrário, é melhor não ir às compras com as crianças - recomenda.