Portugal volta a despertar interesse de bancos do Brasil

Comunidade brasileira no país cresceu 43% somente em 2019.

Empresas / 22:15 - 17 de jan de 2020

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As instituições financeiras brasileiras estão com o radar voltado para Portugal. A razão é que a comunidade brasileira no país é cada vez maior, inclusive os detentores de grandes fortunas. O Itaú Unibanco vai inaugurar um novo escritório em Portugal e recentemente o BTG Pactual recebeu o aval do regulador local. A XP Investimentos e o Bradesco também miram o mercado português.

A operação do Itaú Unibanco terá foco em atacado (corporações) e private (grandes fortunas). Um evento de inauguração está agendado para dia 29 deste mês. Em 2012, as operações do Itaú foram transferidas para o Reino Unido, devido a um novo posicionamento estratégico.

Há três anos, o Banco do Brasil reduziu o atendimento ao varejo em Portugal, mas parece que o objetivo também é retomar sua presença no país. A instituição estaria aguardando o processo do Brexit, uma vez que o banco está presente em Londres há décadas.

Conforme o jornal O Estado de S. Paulo, além de seguir o “rastro do dinheiro”, os bancos brasileiros também miram Portugal pela facilidade do idioma e pelo mercado de crédito, estimulado pela taxa de juros na zona do euro. Hoje, a taxa de depósito do Banco Central Europeu (BCE) é de -0,5%, enquanto a de refinanciamento está em zero. Ambas valem para toda a Zona do Euro. No Brasil, a taxa básica de juros está hoje em 4,5% ao ano.

Só em 2019, o número de brasileiros no país avançou 43%, de acordo com dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. A comunidade brasileira é de 151 mil pessoas - mas o número real é maior, pois a relação não inclui os brasileiros que têm passaporte europeu.

A operação do BTG em Portugal será liderada pelo sócio Ricardo Borgerth. “Já temos R$ 3 bilhões em recursos de clientes que atendemos em Portugal. Miramos mais do que triplicar esse valor, batendo a marca de R$ 10 bilhões em um espaço de três a cinco anos”, diz Pessoa.

 

Planos

 

Os planos do BTG incluem, em um primeiro momento, um escritório de representação para explorar a área de grandes fortunas, atraindo investidores com pelo menos R$ 3 milhões e negócios imobiliários. O foco principal, porém, está em clientes com pelo menos R$ 10 milhões de patrimônio - estratégia já seguida pelo banco no Brasil, nos EUA e na América Latina.

O Bradesco também se movimenta no mercado português. Além da presença em Londres, possui um banco em Luxemburgo. Segundo o diretor executivo do Bradesco, Renato Ejnisman, a instituição cogita abrir uma agência do banco de Luxemburgo em Portugal para atender clientes brasileiros que migraram para o país. “Há dois principais polos de brasileiros que têm fortunas. Um é Miami, onde já estamos posicionados. O outro é Portugal e estamos analisando”, disse o executivo.

A XP Investimentos também anunciou o interesse em desembarcar em Portugal. Para colocar sua filial de pé, contudo, ainda depende, segundo apurou o jornal O Estado de São Paulo/Broadcast, de autorizações que já estão em fase de aprovação. Procurada, a XP não comentou. Sócio responsável pela área de gestão de grandes fortunas do BTG Pactual, Rogério Pessoa diz que o Brexit influenciou a escolha de Portugal - mas lembrou que outros motivos também pesaram. “Escolhemos Portugal como um hub (centro) de gestão de fortunas para latinos e brasileiros na Europa”, disse.

BB

O Banco do Brasil ainda não se pronunciou quanto aos próximos passos após o Brexit. O banco está presente em Londres desde 1971 com uma unidade de estruturação e distribuição de emissões de dívida de empresas e governo, além de manter uma agência na cidade.

Em 2017, o BB reduziu o atendimento ao varejo em mercados como França e Portugal, passando a priorizar o atendimento a grandes empresas, dentro da estratégia de enfatizar operações mais rentáveis. Em Portugal, o banco tinha a maior operação de varejo na Europa. As unidades de Lisboa e do Porto atendiam somadas cerca de 8 mil correntistas.

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