Portugal pede que Reino Unido defina posição com UE 'de uma vez'

Câmara dos Comuns do Reino Unido votou no sábado emenda que força Boris Johnson a buscar outra extensão do Brexit na UE.

Internacional / 11:34 - 22 de out de 2019

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O primeiro-ministro português, António Costa, expressou na segunda-feira "preocupação" com o impasse político no parlamento britânico pela aprovação do novo acordo Brexit e pediu ao Reino Unido que definisse suas relações com a União Europeia (UE) "de uma vez por todas".

"O que pedimos ao Reino Unido é definir de uma vez por todas a sua posição. Não podemos reabrir sistematicamente negociações, fazer acordos e, depois de acordados, não passar no parlamento do Reino Unido. É impossível", disse Costa aos repórteres no Palácio de Belém após reunião com o presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, teria enviado uma carta não assinada à UE na noite de sábado solicitando um adiamento da partida britânica até o final de janeiro do próximo ano. No entanto, o líder conservador enviou uma segunda carta assinada, na qual afirmou não achar benéfico adiar a "separação" britânica para além de 31 de outubro.

"Estou muito satisfeito por ver Boris Johnson escrevendo ao Conselho Europeu reafirmando que ele continua defendendo o acordo alcançado" na última cúpula dos chefes de estado e de governo da UE, disse Costa.

Ele disse que espera que esta nova tentativa de compromisso "seja para sempre, porque este é o quarto acordo que a União Europeia conclui com o governo britânico".

"Uma coisa que a União Europeia entende é que, se houver Brexit, isso deve ser feito de maneira ordenada", acrescentou Costa.

"Se você quer esse acordo, aprove-o. Se não quiser, nos diga qual acordo deseja", enfatizou ele.

O governo britânico foi forçado a enviar uma carta solicitando uma prorrogação depois que seu parlamento aprovou no sábado uma emenda pedindo um adiamento do Brexit, levando Johnson a retirar a votação planejada do acordo.

A emenda adotada no sábado pretende atuar como uma salvaguarda de segurança se o procedimento parlamentar da lei do Brexit não for concluído até 31 de outubro e impedir o Reino Unido de deixar a UE sem acordo.

 

França - "O Reino Unido ainda pode deixar a União Europeia de forma 'ordenada' dentro de 10 dias, apesar da recusa dos parlamentares em apoiar um último acordo do Brexit neste sábado passado", disse na segunda-feira a ministra júnior da Economia Francesa, Agnes Pannier-Runacher.

Em entrevista à Sud Radio, ela disse que os termos da separação entre o Reino Unido e o bloco europeu permanecem "incertos, mas é possível que isso aconteça em dez dias".

"Tomamos medidas nos últimos dias. Um acordo foi adiado e não rejeitado no sábado. O Parlamento deve votar", disse ela.

"Ele pediu alguns dias extras para estudar o acordo. Mas não podemos excluir que haja um Brexit dentro de 10 dias", disse ela.

A Câmara dos Comuns do Reino Unido votou no sábado em emenda que força o primeiro-ministro, Boris Johnson, a buscar outra extensão do Brexit na UE.

 

Com informações da Agência Xinhua

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