Por um Brasil mais justo e democrático

Opinião / 11 Outubro 2017

A situação econômico-social-política brasileira está nas rodas de conversa dos brasileiros. E não é para menos. O Brasil mergulhou, nas duas últimas décadas, em um atoleiro sem precedentes na História da República. E o povo, massacrado pela fome, pela falta de escolas, pela ausência efetiva do Poder Público no combate à criminalidade, com hospitais e equipamentos sucateados, com uma saúde depauperada, com uma taxa de desemprego alarmante, está atônito, com os desmandos, com as graves mazelas que atingem a todos e, sobretudo, desencantado com o lamaçal da corrupção que abateu os três poderes constituídos, bem como pelo não respeito aos valores éticos e morais.

E diante dessa onda de pessimismo que toma conta dos brasileiros, com a proximidades de novas eleições em 2018, estamos há um ano de um novo pleito, a situação reinante é de sufocamento e estrangulamento. Vivemos, sim, o pior dos momentos, com gangues fraudulentas atuando no funcionamento do Congresso Nacional e nos Palácios governamentais, colocando em risco o Estado Democrático de Direito, conseguido a duras penas, depois de 21 Anos de Chumbo, quando se viveu um período de recessão, durante a obscura e truculenta Ditadura Militar, onde generais se sucederam no comando do país. Se aqueles tempos nos trazem recordações nada prazerosas, os momentos atuais são de sofrimento, angústia e muita ansiedade com os próximos anos.

 

Eleições se aproximam diante de

uma onda de pessimismo

 

E toda essa melancolia pode ser constatada não somente nas rodas de conversa de pessoas de todos as camadas sociais, mas também por meio da recente pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas, que mapeou a desconfiança da nossa gente e revelou que até mesmo a dita melhora econômica, propagada pelo atual (des)governo, é colocada e observada sem muita convicção.

Uma coisa ficou clara: a maioria da população defende o voto como o mecanismo para a saída eminente dessa grave e profunda crise institucional. Todavia, votar por votar não fará qualquer diferença. O problema é votar em quem? Quem são os candidatos que já se apresentam? O que eles poderiam, com o passado que ostentam, agregar de valor ao Brasil dos Brasileiros? Que tipo de construção ou de reconstrução poderiam efetivamente fazer em prol de um país combalido? À beira do caos?

Essas são algumas das perguntas. É preciso, mais do que em qualquer época pretérita, se pensar muito em quem votaremos. Os atuais representantes dos estados, no Senado, e os que representam o povo, na Câmara dos Deputados, deveriam ser expurgados do sistema, em nome de um Brasil mais justo, mais digno e em nome dos brasileiros. E os problemas, graves problemas, não estão centrados apenas em Brasília, mas ainda nos governos estaduais, nas assembleias legislativas e nas câmaras dos vereadores, nas prefeituras. Enfim, a política e os políticos estão com metástase. E é preciso fazer com que o Brasil renasça, tal qual Fênix.

E diante desse cenário para lá de sombrio e desalentador, a pesquisa revelou, por exemplo, que quase um terço dos entrevistados, 29,8%, manifestaram-se com a intenção de apoiar um “candidato novo, fora do panorama político vigente”. Outros 29,3% disseram que pretendem votar branco ou nulo, em 2018. E 16,1% não atrelam a escolha de um candidato a legenda na qual estão inseridos. Ou seja, desconfiança nos frágeis e comprometidos partidos políticos.

A Operação Lava Jato, conduzida, em primeira instância, pelos juízes federais Sérgio Moro, em Curitiba, e Marcelo Bretas, no Rio de Janeiro, atingiu e desmantelou vários dos líderes dessa quadrilha de ladrões e é um dos fatores que contribuem para a rejeição e a expectativa de novos nomes. Certamente, a combinação do binômio descrédito e esperança poderá resultar em um processo de renovação eleitoral. É o que se espera.

Ao serem indagados sobre as eleições presidenciais do ano que vem, 55% dos ouvidos declararam que não votariam no mesmo candidato à presidência da República. E esse patamar é mais ou menos o mesmo para os governos dos estados, 53%; senadores, 52,4%; e deputados federais, 51%. Sessenta e cinco por cento dos ouvidos creem que a vida eleitoral é a melhor saída para os problemas do país e 53,7% acreditam que a situação tende a melhorar e a qualidade de vida vai prosperar nos próximos cinco anos. O único consenso que existe entre os brasileiros, hoje, é em relação a desconfiança nos políticos que aí estão. Triste realidade!

A percepção em relação ao momento atual da economia é negativa, ainda que os índices demonstrem a queda da inflação. Para 63,9% dos entrevistados, o pior momento da crise ainda está por vir. Ao mesmo tempo, 83% dos ouvidos têm esperança, no Brasil, a longo prazo. Diante de um cenário tão desconfortável, o brasileiro parou de ir às ruas e a protestar. Cansados, 69,1% afirmaram não ter ido a protestos desde 2013, auge dos movimentos nas ruas.

Vamos acompanhar, com atenção, os movimentos e observar a postura, principalmente, dos que já se manifestaram com o desejo de concorrer à presidência da República. Precisamos votar certo, com convicção, e sermos individualmente e coletivamente responsáveis pelo alvorecer de um Novo Brasil, alicerçado no lema da Bandeira Nacional, Ordem e Progresso.

 

Paulo Alonso

Jornalista, é diretor-geral da Facha.