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Por que o Brasil é inevitável

Por Mércio Gomes.

Opinião / 12 Abril 2019 - 16:55

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O título do meu livro O Brasil Inevitável se remete a dois pontos: o primeiro é que o Brasil é inevitável pelo que ele já passou, seja de bom ou de ruim. O que foi de bom – a mestiçagem, a formação de uma cultura mestiça, a abertura ao outro, a amplitude de um território, a vontade de uma presença no mundo – fica demonstrado no livro por vários motivos. O que foi de ruim – a escravidão, a destruição da maioria dos povos indígenas, a desigualdade social, os conflitos internalizados – também está considerado até com mais vigor no livro.

Interessa saber que aquilo que nos formou foi inevitável e não se pode ficar chorando e se lamentando eternamente por isso ao ponto de nos paralisarmos. E aqui vai uma crítica ao presente: as lamúrias pelo passado nos fazem perder o senso do presente e do futuro.

 

Lamúrias pelo passado nos fazem

perder o senso do presente e do futuro

 

Comparando: a Inglaterra não vive se lamentando que já foi um império cruel e explorador; a Bélgica não se mortifica diariamente por suas crueldades inomináveis no Congo; os Estados Unidos não choram diariamente pela Guerra Civil e pela escravidão; os gays ingleses não andam perturbados porque a Inglaterra criminalizava-os até muito recentemente; os cientistas ingleses e a Universidade de Cambridge não criaram um dia de martírio pelo que fizeram com seu último gênio verdadeiro Alan Turing pelo que o fizeram sofrer ao ponto de suicidar-se.

Enfim, o ponto inevitável do livro é que o Brasil é o que veio a ser através de sua história – muito sofrida para o povo e muito desigual, mas com resultado final muito bom.

O segundo ponto da inevitabilidade do Brasil vem do argumento de que somos algo especial no mundo e temos um potencial de crescimento como cultura e civilização como poucas nações atuais. Que, portanto, temos que nos entendermos melhor para traçarmos um caminho mais preciso e menos conturbado, com a participação de todos, e com a abertura para o mundo.

 

 

Mércio Gomes

Ph.D em Antropologia, presidiu a Funai entre 2003 e 2007. Atualmente leciona na UFRJ. Autor de diversos livros, mantém o blog O Brasil Inevitável.

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