Polícia mata sequestrador e governador comemora

Witzel chegou de helicóptero à ponte Rio-Niterói às 9h45 e desceu da aeronave fazendo gestos de comemoração, vibrando os pulsos cerrados.

Rio de Janeiro / 12:25 - 20 de ago de 2019

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O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC) elogiou o trabalho "muito técnico" feito pela Polícia Militar no caso do sequestro do ônibus no início da manhã de hoje na Ponte Rio-Niterói, que terminou com o sequestrador executado por atiradores de elite.

"O ideal é que todos saíssem com vida, mas nós tivemos que tomar uma decisão de salvar os reféns. O que nós assistimos foi um trabalho muito técnico da Polícia Militar. Todo tempo eu fiquei monitorando para fazer o meu trabalho como governador e a Polícia Militar, usando os atiradores de elite, escolheu a melhor oportunidade para salvar os reféns. A técnica é da Polícia Militar. Nós nos mobilizamos rapidamente e tentamos evitar o transtorno para a sociedade", disse ele no local.

Witzel chegou de helicóptero à ponte Rio-Niterói às 9h45 e desceu da aeronave fazendo gestos de comemoração, vibrando os pulsos cerrados. Ele confirmou que o homem foi morto e identificado e que não é policial. A identidade dele não foi revelada e o corpo já foi removido para a perícia.

Pouco antes das 6h de hoje, um homem armado sequestrou um ônibus e fez 37 reféns, obrigando o motorista a parar o veículo na altura do vão central da ponte, no sentido Rio. Por volta de 9h, ele foi morto por um atirador de elite. Segundo o governador, a Secretaria de Vitimização prestará assistência aos reféns e à família do sequestrador.

"Conversei com familiares dele, um me pediu desculpa. Ele pediu desculpa a toda a sociedade, aos reféns. Disse que alguma coisa falhou na criação, a mãe está muito abalada. Nós vamos também cuidar da família dele, vamos entender esse problema para que não ocorram outras vezes".

Segundo Witzel, a Polícia Civil já está no local para iniciar o trabalho de perícia. Ele agradeceu às corporações envolvidas e disse que os atiradores que participaram da ação serão condecorados e promovidos por bravura e pelo "trabalho de excelência" realizado.

"Muitas vezes algumas pessoas não entendem o trabalho da polícia que às vezes tem que ser dessa forma. Se não tivesse abatido esse criminoso, muitas vidas não seriam poupadas. Isso está acontecendo nas comunidades, eles estão de fuzil aterrorizando as comunidades. Se a polícia puder fazer o trabalho dela de abater quem estiver de fuzil, tantas outras vítimas serão poupadas".

O governador disse também que as primeiras informações indicam que o sequestrador sofria de algum transtorno mental. A PM informou que a arma usada por ele era um simulacro.

O ônibus sequestrado é da Empresa Galo Branco, linha 2520, que faz o trajeto Jardim Alcântara, em São Gonçalo, até o Estácio, no Centro do Rio. O sequestrador disse ter gasolina e ameaçou incendiar o coletivo.

O tráfego foi interrompido nos dois sentidos e liberado no sentido Niterói pouco depois das 10h. Antes de ser atingido, o sequestrador havia liberado seis reféns.

A Ponte Rio-Niterói fica na BR-101, uma via de jurisdição federal. As primeiras negociações com o sequestrado foram feitas pela Polícia Rodoviária Federal e depois conduzidas pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar.

O governador, o secretário de Estado de Polícia Militar, Rogério Figueredo, e o comandante do Bope, tenente-coronel Maurílio Nunes, concederão entrevista coletiva sobre o assunto ainda na manhã de hoje, no Palácio Guanabara.

Mais cedo, em sua conta no Twitter, Witzel havia dito que "a prioridade é manter a segurança dos reféns."

O Porta-voz da PM, coronel Mauro Fliess, informou que o total de reféns chegou a 37, incluído o motorista do coletivo.

Pelo Twitter, a PM informou que a ocorrência foi encerrada sem vítimas entre os reféns. "O tomador de refém foi neutralizado por um atirador de precisão do #Bope e todos os reféns foram libertados ilesos" postou a corporação.

 

 

Mourão - Ontem, Witzel anunciou querer reestruturar o Alto Comando da Polícia Militar do Rio de Janeiro, implementando um formato semelhante ao das Forças Armadas, que ele considera mais adequado. Witzel levou a questão ao vice-presidente da República, Hamilton Mourão, que é general da reserva do Exército.

"Eu entendo que nós precisamos ter uma estrutura de comando diferenciada, semelhante às estruturas que temos nas Forças Armadas, que são os oficiais generais", disse o governador. Ele explicou que a intenção não seria, necessariamente, criar o posto de oficial general na polícia, mas utilizar o modelo das Forças Armadas quando o assunto é o período do comandante no posto.

O governador avalia que há necessidade de se ter um Alto Comando com tempo maior de duração nas polícias estaduais. "Hoje são quatro, seis anos, e quando o coronel chega no posto maior está na hora de ir embora. Nas Forças Armadas isso não acontece. O general fica 12 anos naquela função de Alto Comando. Nas polícias gera uma fragmentariedade e precisamos dar uma solução para isso".

Witzel disse que o vice-presidente se mostrou aberto a discutir a questão. Mourão reconheceu a preocupação do governador do Rio de Janeiro, no entanto, defendeu um estudo mais aprofundado a respeito. Witzel considerou pedir ao Alto Comando do Exército um parecer sobre o assunto e, talvez, encaminhar um Projeto de Lei ao Congresso Nacional.

 

Com informações da Agência Brasil

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