Pisa: meninas vão melhor em Leitura e meninos, em Matemática

Desempenho em Ciências foi semelhante entre meninos e meninas; além disso, 29% dos estudantes relataram sofrer bullying uma vez no mês.

Conjuntura / 12:54 - 3 de dez de 2019

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Meninas têm melhor desempenho que meninos em Leitura no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2018. Elas obtiveram 30 pontos a mais na prova, o que equivale a quase um ano de estudos de diferença em relação aos meninos. Os resultados da avaliação, que é referência mundial, foram divulgados hoje, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O resultado é a média dos países da OCDE, grupo formado por 37 países, entre eles, Canadá, Finlândia, Japão e Chile. No Brasil, não é muito diferente, as meninas tiraram 26 pontos a mais que os meninos em Leitura. Elas também tiveram, entre os países da OCDE, um desempenho levemente superior em Ciências, de dois pontos a mais que os meninos. No Brasil, o desempenho em Ciências foi semelhante entre meninos e meninas.

Os meninos, no entanto, superaram as meninas em cinco pontos em Matemática entre os países da OCDE. No Brasil, a diferença foi maior, de nove pontos a mais para eles, em média.

De acordo com os dados coletados pelo Pisa, no Brasil, há diferenças entre os dois grupos na hora de escolher a profissão que vão seguir. Entre os meninos com as melhores performances em Matemática ou Ciências, cerca de um a cada três espera, aos 30 anos, estar trabalhando com Engenharia ou como cientista. Entre as meninas, apenas um a cada cinco esperam o mesmo.

Entre as meninas com as melhores performances, cerca de duas a cada cinco esperam trabalhar em profissões ligadas à Saúde. Entre os meninos, um a cada quatro esperam seguir as mesmas carreiras. Apenas 4% dos meninos e quase nenhuma menina pretende trabalhar com profissões ligadas a tecnologia da informação e comunicação.

O Pisa é aplicado a cada três anos e avalia estudantes de 15 anos quanto aos conhecimentos em Leitura, Matemática e Ciências. Os países também podem optar por participar das avaliações de competência financeira e resolução colaborativa de problemas. Em 2018, o Pisa foi aplicado em 79 países e regiões a 600 mil estudantes. No Brasil, cerca de 10,7 mil estudantes de 638 escolas fizeram as provas.

No Brasil, 29% dos estudantes relataram sofrer bullying pelo menos algumas vezes por mês. Essa porcentagem é maior que a média dos países da OCDE, que é 23%. A maioria dos estudantes, 85%, no entanto, diz que é bom ajudar alunos que não podem se defender. Entre os países da OCDE, a média é 88%.

O estudo mostra ainda que cerca de 23% dos estudantes brasileiros dizem que se sentem sozinhos na escola, enquanto a média da OCDE é 16%.

Metade dos alunos havia faltado um dia de aula e 44% haviam chegado atrasados nas duas semanas anteriores à aplicação do Pisa. Entre os países da OCDE, apenas 21% haviam faltado e 48% chegaram atrasados.

A maior parte dos estudantes brasileiros, 90%, diz que sempre se sente feliz e, 77%, que geralmente encontram saídas para situações difíceis.

Pouco mais da metade dos brasileiros, 55%, diz que quando falha, preocupa-se com o que os outros pensam. O relatório diz ainda que em quase todos os sistemas educacionais analisados, inclusive no Brasil, mulheres têm mais medo de falhar que os homens. A diferença entre os gêneros, segundo a OCDE, é maior ainda entre os melhores alunos.

 

Nota máxima em avaliação internacional - O Brasil teve uma leve melhora nas pontuações de Leitura, Matemática e Ciências no Pisa, mas apenas dois a cada 100 estudantes atingiram os melhores desempenhos em, pelo menos, uma das disciplinas avaliadas.

O Pisa 2018 foi aplicado em 79 países e regiões a 600 mil estudantes de 15 anos. No Brasil, cerca de 10,7 mil estudantes de 638 escolas fizeram as provas. O país obteve, em média, 413 pontos em Leitura, 384 pontos em Matemática e 404 pontos em Ciências. Na última avaliação, aplicada em 2015, o Brasil obteve, 407 em Leitura, 377 em Matemática e 401 em Ciências.

As pontuações obtidas pelos estudantes colocam o Brasil no nível 2 em Leitura, no nível 1 em Matemática e também no nível 1 em Ciências, em uma escala que vai até 6. Pelos critérios da OCDE, o nível 2 é considerado o mínimo adequado. Ao todo, quase metade, 43,2% dos estudantes brasileiros ficaram abaixo do nível 2 nas três disciplinas avaliadas. Na outra ponta, apenas 2,5% ficaram nos níveis 5 e 6 em, pelo menos, uma das disciplinas.

O Brasil ficou abaixo das médias dos países da OCDE. Em Leitura, os 37 países-membros do grupo, composto por exemplo, por Canadá, Finlândia, Japão e Chile, obtiveram 487 pontos em Leitura, 489, em Matemática e 489, em Ciências. Como na avaliação 35 pontos equivalem a um ano de estudos, o Brasil está a pouco mais de dois anos atrás desses países. Na OCDE, 15,7% dos estudantes estão nos níveis 5 e 6 em, pelo menos, uma disciplina e 13,4% estão abaixo no nível 2.

O desempenho na avaliação posicionou o Brasil no 57ª lugar entre os 77 países e regiões com notas disponíveis em Leitura, na 70ª posição em Matemática e na 64º posição em Ciências, junto com Peru e Argentina, em um ranking com 78 países. China e Singapura lideram os rankings das três disciplinas. O Brasil, nos três fica atrás de países latino-americanos como Costa Rica, Chile e México. Supera, no entanto, Colômbia e Peru em Leitura e a Argentina em Leitura e Matemática.

Apesar de participar do relatório, os resultados do Vietnã não são comparáveis, de acordo com a OCDE e, por isso não fazem parte do ranking, e a Espanha não teve os resultados de Leitura divulgados.

 

Com informações da Agência Brasil

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