PIB cresce 0,6% no terceiro trimestre, revela IBGE

Na comparação com terceiro trimestre de 2018, expansão foi de 1,2%.

Conjuntura / 12:12 - 3 de dez de 2019

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,6% no terceiro trimestre deste ano, na comparação com o trimestre anterior. O resultado foi divulgado hoje, no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com o terceiro trimestre de 2018, o PIB teve crescimento de 1,2%.
No acumulado em quatro trimestres terminados no terceiro trimestre de 2019, o crescimento é de 1,0%, na comparação com mesmo período anterior.
No acumulado do ano até setembro, o PIB cresceu o mesmo percentual em relação a igual período de 2018.
Em valores correntes, o PIB atingiu R$ 1,842 trilhão no terceiro trimestre de 2019. Do total, R$ 1,582 trilhão se refere ao Valor Adicionado e R$ 259,7 bilhões aos Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios.
A agropecuária apresentou a maior alta e registrou 1,3%. Na sequência, ficou a indústria, que subiu 0,8%. Nos serviços, a elevação ficou em 0,4%, todos os percentuais na comparação com o trimestre anterior.
De acordo com o IBGE, o crescimento da indústria foi provocado pela expansão de 12% no setor extrativo, com destaque para o bom desempenho da extração de petróleo, e de 1,3% na construção.
No entanto, a atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos caiu 0,9%. Queda também na indústria de transformação: (1%).
Nos serviços, as grandes contribuições ficaram por conta dos resultados positivos das atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (1,2%), do comércio (1,1%), da informação e comunicação (1,1%), das atividades imobiliárias (0,3%) e das outras atividades de serviços (0,1%).
Já as atividades de transporte, armazenagem e correio registraram recuo (-0,1%), como também na administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (-0,6%).
Pela ótica da despesa, a formação bruta de capital fixo (2%) e a despesa de consumo das famílias (0,8%), foram os destaques positivos. Já as despesas de consumo do governo reduziram em 0,4% na comparação com o trimestre imediatamente anterior.
As exportações de bens e serviços caíram 2,8%, mas as importações de bens e serviços cresceram 2,9% se comparado ao segundo trimestre de 2019.
O IBGE divulgou também a revisão do PIB de 2018. Segundo o instituto, na revisão anual, realizada rotineiramente no terceiro trimestre, o PIB de 2018 variou positivamente 0,2 p.p., e saiu de 1,1% para 1,3%.
A maior alteração entre os setores ficou na agropecuária, que subiu de 0,1% para 1,4%. Segundo a instituição, em grande parte, isso se deve à incorporação de novas fontes estruturais anuais do IBGE, não disponíveis na compilação anterior, como a Produção Agrícola Municipal (PAM), a Produção da Pecuária Municipal (PPM) e a Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (Pevs).
Os serviços variaram 0,2 p.p. passando de 1,3% para 1,5%. Desempenho diferente da indústria, que teve pequena queda e passou de 0,6% para 0,5%.
"Fora a agropecuária, as outras revisões estão dentro dos padrões que a gente sempre tem", disse a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.
Para Daniela Casabona, sócia-diretora da FB Wealth, o cálculo mostra um crescimento ainda pequeno.

"O resultado mostra um crescimento ainda bastante tímido da economia do país", afirma. Casabona relembra que a expectativa era menor ainda, e pontua que o crescimento no setor de serviços foi alavancado pelos serviços financeiros, que apresentaram aumento de 1,2%. "As estimativas apontavam pra um crescimento total de aproximadamente 0,4% no trimestre, dentro disso, é importante ressaltar que os serviços financeiros foram fator crucial para o crescimento no setor de serviços".

Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura Investimentos, afirma que as expectativas dos próximos trimestres devem ser revisadas para cima, já que o resultado atual foi uma surpresa positiva. "PIB do terceiro trimestre veio com uma surpresa positiva, saindo no topo das expectativas. As previsões para 2019 e 2020 devem ser revisadas para cima". Silveira pontua que o crescimento divulgado mostra o crescimento moderado por parte do setor privado. "O cálculo confirma a tendência de recuperação moderada sustentada pelo setor privado, a despeito da fraqueza do setor público e do setor externo", pontua.

Fernando Bergallo, diretor de Câmbio da FB Capital, afirma que o cálculo mostra sinais de uma recuperação para a economia do país. "É um resultado bom, que mostra que nossa economia começa a dar sinais concretos de recuperação, e começa a ganhar tração depois de um longo período de estagnação". Bergallo ressalta que apesar das questões desfavoráveis, os ajustes têm mostrado resultados. "Embora ainda persista um cenário externo desfavorável, e um ambiente de relativa incerteza na política, podemos notar que os ajustes promovidos pelos últimos dois governos, começam a refletir positivamente na economia, principalmente as medidas do final do governo Temer".

Para Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus, o resultado demonstra que a economia do país está sendo retomada. "Com o resultado, o dólar acabou recuando um pouco mais, o Ibovespa segue positivo, e isso mostra que a economia está caminhando para uma recuperação". As exportações apresentaram crescimento de 13%, o que para Laatus é um motivo de comemoração. "As exportações estão fortes e agora o país tem uma renda muito mais alta sobre isso, é um motivo para comemorar". Ele pontua que há grandes expectativas para o próximo trimestre, já que o cálculo do último foi positivo. "A surpresa do resultado é importante, se este trimestre já apresentou um bom resultado, significa que o próximo deve ser ainda melhor", finaliza.

 

Bolsonaro comemora - O presidente Jair Bolsonaro comemorou hoje o anúncio.

"É algo inesperado para os analistas econômicos, mas da nossa parte sabíamos que viria uma boa notícia, e ela veio em uma boa hora. E a nossa equipe econômica diz que a previsão para o próximo trimestre é crescer. O Brasil está crescendo", disse.

 

Com informações da Agência Brasil

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor