PF realiza busca em endereços de Lula

Política / 09:55 - 4 de mar de 2016

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A Polícia Federal deflagrou na manhã de hoje a 24ª fase da Operação Lava Jato, chamada de Aletheia. O objetivo é dar continuidade às investigações de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, entre outros praticados por diversas pessoas no contexto do esquema criminoso revelado e relacionado à Petrobras. Em nota, a PF informa que cerca de 200 policiais federais e 30 auditores da Receita Federal cumprem 44 ordens judiciais, sendo 33 mandados de busca e apreensão e 11 mandados de condução coercitiva, quando a pessoa é levada para a delegacia a fim de prestar depoimento e depois é liberada. As medidas estão sendo cumpridas nos estados de São Paulo, do Rio de Janeiro e da Bahia. A operação também inclui buscas em Guarujá, Diadema, Santo André, Manduri e Atibaia. Segundo a PF, a casa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Bernardo do Campo, em São Paulo, e o Instituto Lula são alvos da operação. A operação recebeu o nome de Aletheia em referência a uma expressão grega que significa busca da verdade. Em nota, o ministro do Trabalho e Previdência Social, Miguel Rossetto, declarou-se "perplexo e indignado" com a condução coercitiva de Lula na manhã de hoje. "O presidente Lula já prestou depoimento e sempre se colocou à disposição das autoridades. Isso não é justiça, isso é uma violência". Rossetto disse ainda que "a ação é um claro ataque ao que Lula representa, como uma liderança política e social". Sítio em Atibaia - A PF fez também ações de busca e apreensão na casa de Fernando Bittar, um dos donos de um sítio em Atibaia, no interior paulista, frequentado por Lula. A propriedade está registrada também em nome de Jonas Suassuna. Fernando Bittar e Jonas Suassuna são sócios na empresa Gamecorp de Fábio Luis Lula da Silva, um dos filhos do ex-presidente. O advogado de Bittar, Roberto Toronto, chegou a comparecer à superintendência da PF em São Paulo, mas foi informado de que seu cliente estava em casa. Ao deixar a PF, Toronto classificou as ações de condução coercitva no âmbito da Lava Jato de "gesto de truculência" e lembrou que esse tipo de medida só se justifica, caso o citado se negue a falar. Ele contou que Bittar tem depoimento agendado para próxima segunda-feira, no Ministério Público Federal do Paraná. Para Instituto Lula, ação foi violenta e agrediu Estado de Direito Para o Instituto Lula, a ação da Polícia Federal deflagrada hoje foi uma ação "violenta", com o objetivo de provocar "constrangimento público" ao ex-presidente. "A violência praticada hoje contra o ex-presidente Lula e sua família, contra o Instituto Lula, a ex-deputada Clara Ant e outros cidadãos ligados ao ex-presidente, é uma agressão ao estado de direito que atinge toda sociedade brasileira. A ação da chamada Força Tarefa da Lava Jato é arbitrária, ilegal, e injustificável, além de constituir grave afronta ao Supremo Tribunal Federal", diz trecho da extensa nota. "É uma violência contra a cidadania e contra o povo brasileiro, que reconhece em Lula o líder que uniu o Brasil e promoveu a maior ascensão social de nossa história", acrescenta a nota. Para o instituto, as ações de hoje foram precipitadas e a Operação Lava Jato "cometeu uma grava afronta” ao Supremo Tribunal Federal, já que agiu antes que as liminares pedidas pelo ex-presidente fossem julgadas pelo órgão. Na terça-feira, advogados do ex-presidente protocolaram no STF uma manifestação sobre as informações espontaneamente prestadas na Operação Lava Jato. Os advogados do ex-presidente Lula pediram à ministra Rosa Weber que apreciasse o pedido de liminar, que tem por objetivo suspender os procedimentos investigatórios sobre o apartamento tríplex no Guarujá e o sítio em Atibaia, até que o STF defina quem terá competência para julgar Lula: se o Ministério Público Federal ou o Ministério Público Estadual de São Paulo. A defesa do ex-presidente Lula peticionou ao STF para que decida o conflito de atribuições entre o Ministério Público de São Paulo e o Ministério Público Federal (Força Tarefa), para apontar a quem cabe investigar os fatos, que são os mesmos. Solicitou também medida liminar suspendendo os procedimentos paralelos até que se decida a competência conforme a lei. Ao precipitar-se em ações invasivas e coercitivas nesta manhã, antes de uma decisão sobre estes pedidos, a chamada Força Tarefa cometeu grave afronta à mais alta Corte do país, afronta que se estende a todas as instituições republicanas." Para o instituto, não é justificável levar o ex-presidente para depor de forma coercitiva, uma vez que ele sempre colaborou com a Justiça. "Nada justifica um mandado de condução coercitiva contra um ex-presidente que colabora com a Justiça espontaneamente ou sempre que convidado. Nos últimos meses, Lula prestou informações e depoimentos em quatro inquéritos, inclusive no âmbito da Operação Lava Jato. Dezenas de testemunhas foram ouvidas sobre estes fatos alegados pela Força tarefa, em depoimentos previamente marcados". O instituto também reclamou da quebra de seus sigilos bancário e fiscal, alegando que a Operação Lava Jato já recebeu todas as informações referentes a suas contas, e das quebras de sigilo bancário e fiscal do ex-presidente. "Nada justifica a quebra do sigilo bancário e fiscal do ex-presidente Lula, pois este sigilo já foi quebrado, compartilhado com o Ministério Público Federal e vazado ilegalmente para a imprensa – este sim um crime que não mereceu a devida atenção do Ministério Público", diz a nota. Segundo o instituto, Lula não deveria ser levado a depor sobre um apartamento, o tríplex no Guarujá, e um sítio, em Atibaia, que não são dele. "Além de esclarecer a situação do apartamento em nota pública – na qual chegou a expor sua declaração de bens – e em informações prestadas por escrito ao Ministério Público de São Paulo, o ex-presidente prestou esclarecimentos sobre o sítio de Atibaia em ação perante o Supremo Tribunal Federal, que também é de conhecimento público". Militantes entram em confronto em frente ao prédio de Lula em São Bernardo Militantes contrários e favoráveis ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entraram em confronto na cidade de São Bernardo do Campo, Grande São Paulo, em frente ao prédio do ex-presidente, onde a Polícia Federal faz buscas desde o início da manhã de hoje. Duas pessoas foram detidas pela Polícia Militar e ao menos um homem foi ferido, na cabeça. A Avenida Francisco Prestes Maia, endereço de Lula, foi interditada em ambos os sentidos. PM montou um cordão para separar os grupos rivais, que trocam insultos e provocações. Manifestantes contrários a Lula gritam palavras de ordem como "Cadeia". Os militantes pró-Lula revidam com gritos de "Não vai ter golpe". Em diversos momentos, militantes que conseguem furar o bloqueio partem para a agressão física. A polícia usa golpes de cassetete para apartar a confusão. Do lado contrário ao ex-presidente, Zima Francisco Nascimento Filho, autônomo, diz que está indignado com o que ocorre no país. - Sou trabalhador, fui metalúrgico. Hoje, vejo o que está acontecendo aqui, um líder que nós confiávamos, e no partido que foi criado. O líder sindical que tivemos envolvido nessa lama de corrupção. Ele achava que estava acima da lei, que nunca isso fosse chegar nele. Em favor de Lula, o metalúrgico Paulo Ferreira Brasil destacou avanços da gestão de Lula. - Vim defender a maior liderança política desse país. O Brasil teve um crescimento importante e distribuição de renda. Eu tenho parentes no Nordeste, que hoje têm uma casinha para morar, graças ao governo do Lula. Há uma perseguição implacável e deplorável, nós não fomos tão perseguidos na Ditadura Militar como estamos sendo agora por setores da elite. Com informações da Agência Brasil

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