PF: acionistas da JBS foram vítimas dos irmãos Batista

Mercado Financeiro / 14 Setembro 2017

Movimento às vésperas da delação causou prejuízo a detentores dos papéis

Os acionistas da JBS e o mercado financeiro de modo geral foram os mais prejudicados pelo crime financeiro praticado pelos irmãos Wesley Batista e Joesley Batista, dirigentes da empresa, acusa a Polícia Federal de São Paulo. Wesley foi preso preventivamente nesta quarta-feira, na capital paulista, e Joesley teve prisão temporária decretada na segunda-feira e está em Brasília.
Os irmãos são acusados de se aproveitarem da informação de que a delação premiada de Joesley impactaria o mercado financeiro, levando à desvalorização das ações da JBS. Entre 24 de abril e 17 de maio de 2017, foram divulgadas informações relacionadas ao acordo de colaboração premiada firmado pela J&F, holding do grupo, com a Procuradoria-Geral da República.
Os investigados venderam as ações da empresa, exceto a fatia de 42,5% que pertence a acionistas, entre eles o BNDES. A compradora das ações foi a FD Participações, empresa integralmente de propriedade dos irmãos.
Foram vendidas 42 milhões de ações, no valor de R$ 372 milhões. Assim, os dirigentes da JBS evitaram que o excesso de oferta desvalorizasse as ações. Diluíram os prejuízos, com a desvalorização de 37% nos papéis, entre os acionistas. Posteriormente, os papéis foram recomprados da FD pela JBS. Essa operação de venda antecipada evitou prejuízo estimado em R$ 138 milhões.
Outra irregularidade apontada pela PF foi a compra de contratos futuros de dólar, num total de mais de US$ 2 bilhões, fazendo com que a JBS ficasse em segundo lugar na compra de dólares no país. Um dia após a divulgação da delação, houve valorização do dólar de 9%. As ações da PF fazem parte da 2ª fase da Operação Tendão de Aquiles. Em nota, a defesa dos irmãos Batista lamenta a ação.