Petrobras vai encerrar atividades na Bahia

​​​​​​​FUP denuncia revanche por derrota eleitoral em estados do NE.

Conjuntura / 23:08 - 10 de set de 2019

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A Petrobras comunicou a 2,5 mil funcionários terceirizados em Salvador(BA) que eles serão demitidos e a 1,5 mil funcionários efetivos que eles serão transferidos para outros estados, a partir de novembro. A empresa vai desocupar o edifício Torre Pituba (Ediba), onde funciona a administração da Estatal na Bahia, e desfazer um contrato de 30 anos de aluguel do prédio firmado com a Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros), proprietária o edifício de 22 andares. Além do edifício em Salvador, a empresa pretende se desfazer de outros ativos na Bahia, incluindo a primeira refinaria do Brasil. Localizada na cidade de São Francisco do Conde, na região metropolitana da capital, a Refinaria Landulfo Alves deve ser vendida até o final do ano.

A decisão da estatal de vender áreas operacionais em todos os estados do Nordeste, região onde Jair Bolsonaro (PSL) perdeu as eleições. Inclui, também, o fechamento do edifício-sede da empresa, demitindo terceirizados e transferindo para o Sul, onde o presidente teve mais votos, concursados em estados nordestinos como Bahia, Sergipe e Rio Grande do Norte.

Essa é a reação da empresa ao que houve no processo eleitoral, quando os nordestinos rejeitaram Bolsonaro”, denuncia o secretário de Assuntos Institucionais da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, se referindo as eleições de 2018. Na Bahia, Bolsonaro teve apenas 27,31% dos votos, contra os 72% que os baianos deram ao candidato do PT, Fernando Haddad. Em Sergipe, Bolsonaro teve 32,46% e Haddad 67,54% dos votos. No Rio Grande do Norte, Bolsonaro teve 36,59% e Haddad. 63,41%.

O Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro BA) vem denunciando desde a posse da nova direção da Petrobras e do governo Bolsonaro que a decisão da companhia não é financeira nem técnica, como eles alegam, mas política, e que vai representar um enorme prejuízo para a economia baiana e para a classe trabalhadora do estado.

A Unidade de Operação da BA é um negócio de R$ 3,5 bilhões por ano. Não tem nenhuma empresa privada na Bahia que fature isso. A UO-BA para a Petrobrás é pequena, mas para a Bahia é grande, gera aqui 7 mil empregos diretos e indiretos (trabalhadores terceirizados e próprios)”, alerta o diretor do Sindipetro, Radiovaldo Costa, que lembra que, além da UO-BA, tem a FAFEN, RLAM, Transpetro, Campos Terrestres, Petrobrás Biodiesel e outras unidades da empresa. “É possível perceber que a Petrobrás tem um tamanho colossal para o estado”.

 

Prejuízo para a Petros

 

A desocupação do edifício Torre Pituba (Ediba) anunciada pela empresa, em Salvador, prejudica o estado e os petroleiros com as demissões e transferências, e também a gestão da Petros, proprietária do prédio que ficará vazio, afirma Deyvid Bacelar.

Segundo ele, a Petros, que administra 39 planos de previdência complementar, oferecidos por diversas empresas, entidades e associações de classe, construiu o prédio que foi alugado pela Petrobras por 30 anos. A estatal quer rescindir o contrato sem pagar a multa. “No momento de crise em que vivemos vai ser difícil alugar o edifício. Esse distrato vai prejudicar muito o fundo”, diz Deyvid se referindo a rescisão do contrato de aluguel.

De acordo com os dirigentes do Sindipetro-BA, as gerências notificaram os trabalhadores da Torre Pituba que eles teriam que procurar outras unidades em outros estados para serem transferidos. Principalmente, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo.

Já a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen), também administrada pela estatal, vai ser arrendada por dez anos. Além da Refinaria Landulfo Alves e da Fafen, a Petrobras explora petróleo em quatro bacias da Bahia, tem quatro terminais de armazenamento e distribuição espalhados pelo estado, como também cinco termelétricas e um sistema gasoduto na capital.

 

Sem participação sindical

 

O Sindipetro Bahia divulgou nota nesta terça-feira denunciando que os dirigentes da entidade foram impedidos de participar de uma reunião sobre a desmobilização do Edifício Torre Pituba e finalização das atividades da Petrobras na Bahia. Na nota, o Sindipetro-BA diz que repudia “a atitude da Petrobrás que busca aterrorizar os trabalhadores e esconder das representações sindicais suas intenções em acabar com as atividades da Petrobras não somente na Bahia mas em todo Nordeste”.

O Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro-BA) convocou todos os trabalhadores e trabalhadoras do Torre Pituba, tanto os contratados diretamente pela Petrobras como pelas empresas terceirizadas, para participar de uma assembleia que será realizada na próxima segunda-feira (16), às 16h, no Centro de Convenções do Hotel Fiesta (Av.ACM, 741, em Itaigara).

Na assembleia, os dirigentes vão tratar das formas de luta para manter a Petrobrás na Bahia, definição de estratégias para garantir a manutenção da Petrobrás no Torre Pituba e de uma campanha em defesa da manutenção dos empregos (diretos e indiretos) dos trabalhadores e trabalhadoras da estatal no estado.

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