Petrobras eleva previsão de captações

Mercado Financeiro / 11 Agosto 2017

A Petrobras aumentou a previsão de captação de recursos neste ano com o objetivo de reduzir os volumes de vencimentos de dívidas em 2018, 2019 e 2020, ao observar oportunidades no mercado doméstico e considerando que o ambiente no próximo ano pode não ser favorável, devido às eleições presidenciais.

As previsões para captações de recursos em 2017 foram elevadas para US$ 13 bilhões, ante previsão anterior publicada em maio de US$ 4 bilhões, informou a companhia nesta sexta-feira, durante teleconferência com analistas de mercado sobre os resultados da empresa no segundo trimestre.

Em conversa com analistas, o diretor-executivo da Área Financeira e de Relacionamento com Investidores, Ivan Monteiro, afirmou que todas as próximas captações deste ano devem ser realizadas no Brasil e que a estratégia de amortização da dívida deve permanecer como a adotada nas últimas operações.

A ideia é obter recursos para realizar pré-pagamentos de vencimentos mais curtos e alongando a dívida para períodos entre cinco e sete anos, segundo explicou Monteiro.

"A gente está com um nível de amortização (da dívida) bastante confortável para 2018..., mas a gente acha que deve (realizar amortizações) dado que 2018 é um ano eleitoral; e a gente acha que existem oportunidades e você deve esperar anúncios da companhia nas próximas semanas", afirmou Monteiro.

Na noite de quinta-feira, Monteiro afirmou em uma coletiva de imprensa sobre os resultados que há vencimentos de US$ 9,3 bilhões para 2018 e que a empresa vai trabalhar para uma redução entre US$ 1,5 bilhões e US$ 2 bilhões.

Os vencimentos atuais para 2019 somam US$ 16,7 bilhões, enquanto que os de 2020 somam US$ 12,6 bilhões, segundo dados da Petrobras.

O endividamento líquido da empresa caiu de R$ 314,12 bilhões ao final do ano passado para R$ 295,3 bilhões ao final do primeiro semestre. O indicador de dívida líquida/Ebtida ajustado ficou em 3,23 vezes, praticamente estável ante o primeiro trimestre (3,24 vezes).

Uma das fontes de financiamento neste ano será com um retorno ao BNDES, que irá somar R$ 2 bilhões, segundo Monteiro afirmou na quinta-feira. Desse volume, até R$ 1 bilhão será com a linha Finame, voltada para máquinas e equipamentos, e os demais para outras finalidades, disse o diretor.

"A gente não tem nenhum planejamento de captação no mercado internacional de capitais neste ano, neste momento, estamos em um processo de realização de... renda fixa no mercado nacional, o que muito nos alegra", afirmou Monteiro.

Em julho, a empresa informou que seu Conselho de Administração aprovou a emissão de até 5 bilhões de reais em debêntures simples, não conversíveis em ações.

 

Desinvestimento

 

Sobre os resultados, Monteiro frisou que a empresa permanecerá em busca de redução da dívida e que, para isso, irá acelerar o programa de desinvestimentos no segundo semestre. Ele disse que a empresa mantém a meta de obter US$ 21 bilhões com o programa de venda de ativos entre 2017 e 2018. A empresa também permanecerá em busca de redução de custos e aumento da eficiência, principalmente na área de exploração e produção.

 

Lucro

 

Apesar de registrar o terceiro lucro seguido após a realização de baixas e da Lava Jato, o lucro líquido da Petrobras no segundo trimestre veio abaixo do esperado pelo mercado, somando R$ 316 milhões, queda de 14,6% na comparação com o mesmo período de 2016. Analistas esperavam um lucro de R$ 2,906 bilhões.

A receita da companhia teve queda de 6,06% na mesma base de comparação, para R$ 66,996 bilhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado caiu 6,63%, para R$ 19,094 bilhões, inferior às estimativas dos especialistas de R$ 21,926 bilhões.

De acordo com a estatal, a queda no lucro foi devido às menores margens de derivados, a diminuição do volume vendido e a redução das despesas operacionais. A Petrobras ainda ressaltou reflexo do aumento do imposto de renda e contribuição social, como resultado da adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT).

“Tivemos um resultado bastante expressivo, com aumento de 5% no lucro operacional [para R$ 14,990 bilhões, ante o primeiro trimestre deste ano], sendo que os efeitos extraordinários deixaram o lucro líquido bem menor, mas, ainda assim, pela segunda vez consecutiva em 2017, tivemos números positivos e isso não acontecia há muito tempo”, disse o presidente da Petrobras, Pedro Parente.

 

Produção

 

A produção total de óleo e gás natural da Petrobras caiu 1% no segundo trimestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado, para 2,776 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed). No Brasil, a produção subiu 1,76%, para 2,658 mi de bpd, ante igual trimestre de 2016.

A importação de petróleo e derivados da Petrobras teve queda de 5,01%, somando 341 mil bpd no segundo trimestre, ante 359 mil bpd importados no mesmo período de 2016. Na comparação com o primeiro trimestre, as importações tiveram alta de 18%.

O dólar médio de venda no trimestre ficou em R$ 3,22, 8,26% abaixo da média do segundo trimestre do ano passado, de R$ 3,51. Já o dólar final de venda ficou em R$ 3,31 no período, alta de 3,12% na mesma comparação.  O preço do petróleo Brent, por sua vez, subiu 9,35%, saindo de US$ 45,57 por barril para US$ 49,83 por barril no segundo trimestre desse ano.

 

UBS      

 

O fluxo de caixa livre da Petrobras no segundo trimestre de R$ 9,354 bilhões foi um dos principais indicadores do resultado financeiro que agradou a equipe de análise do UBS. Este foi o nono trimestre consecutivo da estatal com o fluxo positivo.

"Os investimentos em bens de capitais [capex] de R$ 10,3 bilhões no trimestre, abaixo do montante de R$ 15,3 bilhões aguardados também foi positivo", destacaram os analistas em relatório.

No entanto, entre os aspectos negativos, o UBS ainda vê como riscos para a companhia a questão dos preços dos combustíveis e o atraso no programa de venda de ativos. O lucro líquido, de R$ 316 milhões foi 41% menor que o esperado devido às perdas não recorrentes maiores que o previsto pelo banco e relacionadas ao programa de regularização tributária.

Em geral, o UBS acredita que a disposição do governo de estimular o setor de óleo e gás e a nova administração da Petrobras colocam a empresa no caminho certo para recuperar a confiança dos investidores por meio da redução de capex, custos e despesas, nova política dos preços dos combustíveis e negociação de transferência de direitos sobre o pré-sal.