Pesquisa de câncer adverte: desigualdade mata

Número de mortes é maior em estados com mais pobreza e pior distribuição de renda.

Conjuntura / 22:58 - 4 de set de 2019

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Em estados onde a proporção de mortes por câncer é maior, há mais desigualdade social, maior percentual de população pobre, menor gasto per capita em saúde, menor número de leitos hospitalares e menor percentual de população com acesso a planos de saúde.
O estudo feito pelo Observatório de Oncologia, do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer, usou os percentuais de pessoas que falecem depois do diagnóstico. Os dados englobam o período de 2010 a 2016.
Estados com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais altos têm menores estimativas de taxa de letalidade, como no Distrito Federal que, com o maior IDH do país (0,824), tinha uma das menores taxas de letalidade (28,5%). No sentido contrário, Alagoas tinha o menor IDH (0,631) e a taxa de letalidade por câncer de 46,5%.
Outro índice analisado foi o de Gini, que mede a igualdade de distribuição de renda na população. Santa Catarina, com Índice de Gini baixo (0,490), tinha uma das menores taxas de letalidade (28,3%). No outro extremo, está o Acre, com um dos maiores Índices (0,630) e a maior estimativa de letalidade do país (54,3%).
Em estados com maior porcentagem de pessoas em condição de pobreza, a letalidade também é maior. No Maranhão, havia no período da coleta dos dados 39,53% da população vivendo nessas condições, e a taxa de morte pelo câncer era de 48,5%. Em Santa Catarina, que tinha 3,65% das pessoas em condição de pobreza, a taxa de letalidade se limitava a de 28,3%.
Quando a pesquisa aborda os gastos per capita, estados com menor gasto têm maior número de mortes causadas por câncer, como o Pará, que gastava R$ 703,67 por pessoa e tinha taxa de letalidade de 50,3%. Mato Grosso, que registrava gasto per capita de R$ 1.496,13, tinha taxa de morte de 27,7%.
Um dos realizadores da pesquisa, o médico oncologista Felipe Ades, afirma à Agência Brasil que os estudos apontam uma forte relação entre fatores socioeconômicos e maior letalidade por câncer. Ele avalia que medidas simples de prevenção, como o combate ao tabagismo, e exames como o de colo uterino, permitiriam reduzir a incidência e aumentar as chances de cura, além de se gastar menos no tratamento.

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