Pequenos negócios ganham apoio para ampliar comércio exterior

Enaex mostra que, internamente, os custos subiram e Brasil tem dificuldade em competir.

Negócios Internacionais / 18:55 - 25 de nov de 2019

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Ao discursar na abertura do Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), o presidente do Sebrae, Carlos Melles, falou sobre o desafio de ampliar a exportação entre as micro e pequenas empresas. “Esse é um dos motivos de estarmos aqui. Queremos conhecer os empreendedores com potencial de internacionalização e já existem diversos estudos e pesquisas em andamento”, afirmou. De acordo com os dados do Sebrae, mais de 40% das empresas exportadoras brasileiras são micro e pequenas empresa, responsáveis por vendas externas no montante de US$ 1,2 milhão em 2018.

Melles, que é empresário rural, afirmou que o setor mais competitivo é a “roça”, por conta do conhecimento e estoque de tecnologia envolvidos na produção. Para ele, a implantação das recentes reformas e os movimentos favoráveis na economia são muito bem-vindos. “Estamos vivendo um choque de liberalismo, destravando a economia com a redução da burocracia. O ministro Paulo Guedes tem emprestado confiabilidade ao Executivo e já podemos sentir os sinais de melhoria”, ressaltou. O presidente do Sebrae revelou ainda que, das 8.300 MPE exportadoras, 47,1% são do ramo industrial, seguido pelo setor de comércio, com 41,2%, e 10,6% do agronegócio. Os pequenos negócios do setor serviços representam 1,1% das MPE exportadoras.

Durante o evento, o diretor-superintendente do Sebrae Rio, Antonio Alvarenga, também presidente da Sociedade Nacional da Agricultura, destacou a força do agronegócio na economia, com participação de 20% no PIB nacional e de 45% nas exportações. “De 2000 até hoje, as exportações do agro avançaram de R$ 20 bilhões para R$ 100 bilhões. O Brasil é o terceiro maior exportador de produtos agrícolas, atingindo 200 países. Não é o maior exportador, mas gera o maior saldo comercial agrícola do mundo”, afirmou, acrescentando ainda que a tecnologia é a grande responsável pelo ganho de produtividade no setor, especialmente pela incorporação do cerrado ao processo produtivo.

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, falou sobre os desafios da internacionalização. “Os entraves da exportação brasileira estão no Brasil. No passado, havia muitas barreiras tarifárias. Hoje, elas diminuíram no caso da exportação, mas, internamente, os custos subiram e não temos como competir”, concluiu.

Com o tema “Produtividade e competitividade abrindo mercados externos”, o Enaex 2019 reuniu, no Rio de Janeiro, representantes de toda a cadeia de negócios do comércio internacional e governo. O objetivo do evento, promovido anualmente pela AEB, é debater e mapear propostas que levem à expansão competitiva e sustentável do setor.

 

Cooperativas do Mercosul buscam Israel

No mundo dos negócios, quem deseja crescer precisa inovar, buscar novos mercados e estreitar relações de comércio. Com esse objetivo, a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) atua como um facilitador, abrindo portas e promovendo o ambiente para que as coops brasileiras interajam com empresas internacionais, visando novas parcerias comerciais.

Pensando nisso, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), com apoio da OCB organizou uma missão comercial de cooperativas agropecuárias do Mercosul a Israel. Entre os dias 25 e 29 de novembro, uma delegação composta por brasileiros, argentinos, uruguaios e paraguaios vai percorrer o país para conhecer melhor as oportunidades e desafios para seus produtos.

Participam do grupo representantes da OCB, do Mapa, de cooperativas do ramo agro, além de entidades representativas do cooperativismo do Uruguai e Paraguai. Para o presidente do Sistema OCB, acessar o mercado internacional é, sem dúvida, um desafio. Segundo ele, é preciso conhecer a fundo as expectativas do setor, adequar o produto às especificidades e exigências locais para comércio e até mesmo a conceitos culturais do país de destino. “E as chances de sucesso para as cooperativas que participam da missão à Israel são altas, porque a OCB desenvolveu um estudo prévio para entender como é esse mercado. Identificamos, inclusive, possíveis compradores para os produtos das nossas cooperativas”, explica a liderança.

De acordo com Márcio Freitas, o encontro com esses compradores está previsto para ocorrer nesta quarta-feira (27/11), durante a feira Israfood, um dos maiores eventos de comércio de alimentos de Israel. Em 2018, cerca de 20 mil pessoas passaram pela feira. É no estande do Brasil que a entidade vai promover as rodadas de negócios.

Essa é a segunda edição da missão comercial de cooperativas do Mercosul. No ano passado, um grupo visitou a África do Sul, Botsuana e Namíbia. Os resultados foram positivos, com geração de negócios e, também, a integração entre os movimentos cooperativistas dos países. “Mas o mais importante é promover a experiência e a oportunidade de negócios, em especial com países que tenham acordo de livre comércio com o Mercosul”, avalia o presidente do Sistema OCB.

Na edição de 2019, a missão contará com diversas reuniões técnicas. Nesta segunda (25/11), o encontro foi com dirigentes do programa Smart Import do Ministério da Economia israelense, que visa facilitar a importação de alimentos e consequente redução no custo desses produtos no país. Na terça (26/11), ações de promoção comercial e oportunidades de negócios serão tema da conversa com adidos comerciais das embaixadas dos quatro países. E, ainda no mesmo dia, os produtos brasileiros serão apresentados em encontro com o Departamento de Comércio Exterior do Ministério da Agricultura de Israel.

A quarta (27/11) será dedicada à participação na Feira Internacional Israfood e, na quinta e na sexta (28 e 29/11), a missão terá saídas para visitas ao Porto de Haifa, ao Departamento de Cooperativismo do Movimento Kibutz e visitas de campo às cooperativas israelenses.

 

Carne para a China: mais 13 frigoríficos

Mais 13 plantas frigoríficas brasileiras foram habilitadas para vender carnes à China, conforme comunicado do órgão sanitário chinês (GACC) enviado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Foram habilitadas cinco plantas de carne bovina, cinco de suínos e três de aves.

Os cinco frigoríficos de carne suína estão no Rio Grande do Sul, além de uma unidade de carne bovina. São Paulo e Mato Grosso tiveram, cada um, duas unidades habilitadas pelos chineses. Os demais frigoríficos que podem exportar para a China ficam em Goiás, no Mato Grosso do Sul e no Paraná.

As plantas de bovinos habilitadas pela China são: Marfrig Global Foods, em São Gabriel (RS); Frigorífico Sul, em Aparecida do Taboado (MS); Naturafrig Alimentos, em Pirapozinho (SP); Marfrig Global Foods, em Pontes e Lacerda (MT) e JBS, em Senador Canedo (GO).

Os frigoríficos de carne suína são: BRF, em Lajeado (RS); Cooperativa Central Aurora Alimentos, em Sarandi (RS); JBS Aves, em Caxias do Sul (RS); Seara Alimentos, em Três Passos (RS) e em Seberi (RS).

Foram habilitadas as plantas de aves de Zanchetta Alimentos, em Boituva (SP); União Avícola Agroindustrial, em Nova Marilândia (MT) e Unita Cooperativa Central, em Ubiratã (PR).

 

Contato com o colunista: pietrobelliantonio0@gmail.com

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