Passeio

Fatos e Comentários / 17:43 - 21 de mai de 1999

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O ministro da Fazenda, Pedro Malan, fará um de seus costumeiros passeios ao exterior esta semana, quando embarca para Londres e Frankfurt. Segundo a assessoria de imprensa do ministro, ele viaja na terça-feira à noite para Londres, onde terá encontro com investidores. O ministro também manterá contato com autoridades da Inglaterra e Alemanha. Na mais recente viagem de membros da equipe econômica à Europa, pouco se conseguiu além de gastar dinheiro do contribuinte. Fora as caras diárias de hotéis, somente promessas que não se concretizaram. Ao contrário, as linhas de financiamento ao Brasil diminuíram na mesma proporção que a credibilidade do governo tucano. Lá e cá Na Argentina, o ministro do Trabalho, Erman González, pediu demissão em meio a vários escândalos, entre eles a denúncia de que acumulava aposentadoria de US$ 8 mil com salário de US$ 9 mil. Se além da frente fria chegassem ao Brasil outros ventos portenhos, iriam sobrar poucos ministros de pé. Mas esse risco eles não correm: acumular aposentadoria e vencimentos é norma no Planalto, a começar pelo presidente FH. Pedante O depoimento do ex-presidente da Telesp (quando estatal) Carlos Eduardo Sampaio Dória, atualmente deputado federal pelo PSDB de São Paulo, à CPI da Telefônica, deixou claro o quanto a privatização contribuiu para a deterioração dos serviços da empresa. Dória mostrou que os problemas pioraram quando a Telefônica decidiu substituir técnicos e gerentes brasileiros por espanhóis e empresas terceirizadas. Disse ainda que a empresa espanhola se limitou a finalizar o trabalho iniciado pela estatal: "Todos os investimentos e contratos para expansão da rede foram feitos pela estatal", afirmou. Concluiu, batendo pesado, apesar de adepto ao tucanato: "Não haveria degradação do sistema se a empresa tivesse mais cuidado. Sabemos que a Telefônica pode exercer uma relação mais respeitosa e menos pedante e truculenta em relação à sociedade". Ao léu Da procuradora-geral dos Estados Unidos, Janet Reno, justificando as multas de até US$ 500 milhões aplicadas pelo Departamento de Justiça dos EUA ao cartel das vitaminas: "Não permitiremos que cartéis internacionais explorem os consumidores americanos em nossa economia globalizada." Quando será que os consumidores brasileiros ouvirão tão confortadoras palavras da boca do procurador-geral Geraldo Brindeiro? Bonzinho A atuação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos também deixou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Ministério da Justiça, em situação constrangedora. A não ser que a alegação tucana de que "o mercado brasileiro ainda é muito fechado", seja capaz de convencer alguém, além da Velhinha de Taubaté, de que o Cade teve bons motivos para engavetar o processo contra os mesmos cartéis condenados pelo governo dos EUA. Segurança Nesta segunda-feira, às 17 horas, o secretário de Segurança Pública, Josias de Oliveira, e o subsecretário, Luís Eduardo Soares, receberão o Projeto de Segurança Bancária elaborado pelo Sindicato dos Bancários do Rio. São dezenas de propostas para conter a onda de assaltos violentos, inclusive com seqüestros de bancários. A reunião entre o governo e os dirigentes sindicais será na Secretaria de Segurança Pública. Reação Coincidência ou não, a ressaca nas praias cariocas começou depois que o prefeito Luiz Paulo Conde ameaçou banhar-se na Praia de Ipanema. O desmentido posterior do factóide, aparentemente, foi insuficiente para acalmar as forças da natureza. Escolinha O professor da PUC Gustavo Franco declarou que a desvalorização do real não foi uma alternativa "muito brilhante". A declaração do professor era uma defesa da política de sobrevalorização do câmbio desenvolvida pelo então presidente do Banco Central, Gustavo Franco, e que, articulada à abertura comercial unilateral e aos juros escorchantes, produziu um rombo nas transações correntes do país em quatro anos superior a US$ 100 bilhões. Em matéria de brilhantismo, Franco não faz por menos. Cartel telefônico O anúncio do reajuste linear das tarifas telefônicas em 8,51%, em junho, mostra que a indexação só acabou para os salários. Mais grave, porém, que a aplicação da política "do bolo de aniversário" - para usar palavras do ministro Pedro Malan contra os reajustes automáticos de tarifas - é a ameaça de que a assinatura básica poderá ser aumentada em até nove pontos percentuais acima do reajuste geral, ou seja, em 17,51%. Custo FH Só para relembrar: no início do governo FH a tarifa básica custava R$ 0,61. Hoje, antes da nova ameaça de tarifaço, custa R$ 16,57, um aumento em quatro anos e meio de 2.616,39%! E Sérgio Motta ainda costumava vociferar que a privatização era para baratear os serviços públicos. Reembolso A pequena fortuna que acumulou após a primeira passagem pelo BC não deixou Armínio Fraga, atual presidente do banco, mais generoso. Ele solicitou ao Departamento de Pessoal do Banco Central reembolso das despesas de sua mudança dos Estados Unidos para o Brasil. Ainda não está decidido se o pleito será acatado nem o valor do ressarcimento. Todo funcionário público tem direito a pedir o ressarcimento de suas despesas, de acordo com o Regime Jurídico Único. Segundo o BC, normalmente as despesas de mudanças são ressarcidas até um limite de 30 metros cúbicos. Quando foi convidado para presidir o banco, Fraga trabalhava para a Soros Fund e morava em Nova Jersey.

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