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Duas em cinco mulheres dizem que TI não prioriza diversidade de gênero

Mais da metade das brasileiras que voltam ao mercado de tecnologia veem pausa na carreira como prejudicial ao crescimento individual.

Informática / 14:55 - 17 de Abr de 2019

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De acordo com pesquisa da Booking.com, menos de três em cada cinco (57%) mulheres de todo o mundo que atualmente trabalham no setor de tecnologia sentem que o mercado prioriza a diversidade de gênero como parte de sua agenda. No entanto, dentre as brasileiras que estão atualmente na área, 40% sentem que a empresa onde trabalham não valoriza a diversidade como deveria. Mesmo que iniciativas para diminuir a diferença de gênero e incentivar mais mulheres a entrarem no mercado de tecnologia estejam tendo algum sucesso, as empresas e o mercado precisam demonstrar um comprometimento maior para acolher o talento feminino - não se restringindo apenas àquelas mulheres que consideram ou começam uma carreira nessa área, mas acolhendo também as especialistas já estabelecidas - se quiserem manter uma mão de obra representativa e capacitada.

Para as empresas de tecnologia atraírem o talento necessário, estamos vendo uma mudança no foco. Além de reter talento, as empresas estão impulsionando seus esforços para atrair mulheres que deixaram o mercado e querem retornar. Ao reter seu conhecimento e experiência, as empresas de tecnologia se beneficiam não apenas culturalmente, mas também financeiramente, além de melhorarem sua reputação.

O último Relatório de Diferença de Gêneros do Fórum Econômico Mundial concluiu que a desigualdade de gênero está crescendo em todo o mundo. Apesar disso, as mulheres estão contribuindo ainda mais em todos os aspectos dos negócios. Ao serem questionadas sobre os benefícios que a diversidade de gênero poderia trazer ao mercado de tecnologia, 95% das brasileiras que trabalham nessa área - e as alunas interessadas em seguir uma carreira - afirmam que novas perspectivas, conhecimento e experiências ajudariam a diversificar o setor. Elas também mencionaram maior flexibilidade nos benefícios de RH (95%) e um melhor ambiente de trabalho que beneficiasse a todos os funcionários (92%).

Dados do mercado também mostram um maior benefício econômico. Uma pesquisa da PricewaterhouseCoopers recentemente divulgou que, ao aumentar o número de mulheres que trabalham em 5%, para um total de 75%, a economia do Reino Unido poderia ter um impulso de aproximadamente 9% em seu Produto Interno Bruto (PIB).

"Alcançar uma maior diversidade de gênero no mercado da tecnologia é descobrir talentos e apoiar mulheres que já possuem a capacidade, o conhecimento e a expertise no nosso setor. Diversificar talentos - com todos os aspectos de sua experiência, origem e carreiras - precisa estar sempre em primeiro lugar," afirma Gillian Tans, CEO da Booking.com. "Nos últimos 10 anos ocorreram mudanças significativas para trazer progresso positivo, transformando o mercado de tecnologia em um ambiente com maior diversidade de gênero. Precisamos garantir que continuemos assim. As empresas qu e priorizam a inclusão em todos os níveis e trabalham efetivamente com os talentos existentes, além de incentivar os novos talentos, continuarão a crescer e prosperar."

Atualmente, mais da metade das brasileiras que voltam ao mercado de tecnologia - ou aquelas que fizeram uma pausa na carreira e retornaram (57%) - veem a pausa na carreira como prejudicial ao seu crescimento individual. Inclusive, cerca de três em cada quatro (76%) acreditam que o mercado precisa ativamente fazer mais para apoiar seu retorno ao mercado.

Entretanto, um aumento nas 'reciclagens', ou esquemas de retorno ao mercado são uma esperança, não apenas na área de tecnologia, mas também na área jurídica, serviços especializados e outros setores. No Brasil, 75% das mulheres que voltam ao mercado de tecnologia acreditam que tais programas - com foco geralmente em treinamento, recapacitação, requalificação e mentorias - são essenciais para superar os desafios do retorno. Quem volta ao mercado quer se sentir empoderada e se desenvolver a partir d e suas experiências anteriores, em vez de se sentir como uma iniciante.

Esses programas estão empoderando mulheres com a capacidade e o suporte de que precisam para progredir. Na verdade, 61% das brasileiras que voltam ao mercado afirmam ter o acesso a um mentor quando retornam ao trabalho - algo que as mulheres no mercado da tecnologia identificaram como essencial ao sucesso de suas carreiras.

A pesquisa, encomendada pela Booking.com e conduzida de forma independente, ouviu 6.898 participantes (do Reino Unido, EUA, França, Brasil, Países Baixos, Alemanha, China, Austrália, Índia e Espanha), que responderam uma pesquisa virtual entre 2 de agosto e 6 de setembro de 2018. Entre aqueles que responderam à pesquisa estão alunos do Ensino Médio e Superior entrando na área, em início de carreira ou profissionais experientes do mercado de tecnologia, além de pessoas retornando para o setor.

 

Paraná é o quarto estado com maior taxa de emprego na área

De acordo com estudo realizado pela Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro-PR), juntamente com o Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), constatou-se que o Paraná é o quarto estado brasileiro com maior taxa de crescimento de vagas de emprego no segmento de TI e o segundo no ranking nacional em produção e registro de inovações tecnológicas.

O Paraná criou 249 vagas de emprego no segmento de TI somente em fevereiro. Ocorreram 1,1 mil admissões contra 904 demissões no período, sendo que Curitiba liderou o ranking no estado, com saldo positivo de 109 novas vagas. Em comparação com o mesmo mês do ano passado, o crescimento no Estado foi de mais de 40%.

Já na área de TI, em fevereiro de 2019, ocorreram no Paraná 902 admissões contra 835 demissões, tendo saldo positivo de 67 novas vagas. Nesse caso, Curitiba foi de novo o município com maior saldo positivo no estado, apresentando 57 novas vagas. Em seguida vem Pato Branco, com 16 vagas, e Maringá com nove vagas. Toledo foi o município paranaense que apresentou a maior taxa de admissão, chegando a um aumento de 86% no período analisado. Em segundo lugar vem Ponta Grossa, com alta de 64%, depois Pato Branco (57%) e, em seguida, Maringá (24%).

De acordo com Adriano Krzyuy, presidente da Assespro-Paraná, "o estado vem há muitos anos trabalhando no fomento do setor de TI, mais precisamente depois da criação da governança no estado em 2016, que potencializou diversas ações. O Paraná é segundo estado que mais forma profissionais do Brasil, correspondendo a 11% da formação de TI no Brasil e isso reflete na oferta de emprego. O estado forma e contrata, mas ainda faltam profissionais", informa o executivo.

Adriano complementa também que o setor de TI de Maringá vem se destacando no estado e fica entre as três cidades que mais contratam profissionais da área, atrás apenas de Curitiba e Londrina.

 

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