Para Geração Z, salário alto não é garantia de sucesso profissional

Não arrumar emprego e não se sustentar estão entre principais preocupações do futuro para quem está entre 18 e 24 anos.

Conjuntura / 11:53 - 22 de jul de 2019

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Estudo revela que maioria dos jovens de 18 a 24 anos considera fazer o que gosta, equilibrar trabalho e vida pessoal e ser reconhecido profissionalmente mais importante que ganhar bem

Jovens com idades entre 18 e 24 anos, nascidos dentro da chamada "Geração Z", acreditam que o significado de sucesso profissional não é medido por um alto salário. Para esse público, trabalhar com o que gosta (42%), equilibrar trabalho e vida pessoal (39%) e ser reconhecido pelo que faz (32%) são aspectos mais importantes que ganhar bem (31%). Ao refletirem sobre os valores e habilidades necessários a um bom profissional, esses jovens acreditam que dedicação (43%), capacidade de diálogo e trabalho em equipe (40%), foco no trabalho (36%), ser paciente (35%) e fazer sempre o melhor (31%) são diferenciais.

Considerando o uso das redes sociais, ferramentas que fazem parte da rotina desses jovens, praticamente sete em cada 10 (67%) acreditam que elas podem prejudicar o rendimento no desempenho das atividades profissionais.

As informações foram levantadas em uma pesquisa conduzida pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que avaliou comportamento e crenças quanto a vida profissional e expectativas para o futuro desse grupo. A pesquisa integra o convênio Políticas Públicas 4.0 (PP 4.0), firmado entre o Sistema CNDL e o Sebrae, e pretende coletar insumos para a proposição de políticas públicas que contribuam com a melhoria do ambiente de negócios no país e, consequentemente, apoiem o desenvolvimento do varejo.

A Geração Z reúne os nascidos entre 1995 e 2010, que hoje têm entre nove e 24 anos - sendo que a pesquisa considerou os jovens com idades entre 18 e 24 anos. Quando o assunto é trabalho, planejam investir na profissão certa, dedicando-se a aprender e aprimorar conhecimentos, encontrar prazer e realização sem perder a qualidade de vida, ao mesmo tempo em que buscam uma vida estável, segura e saudável. No Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem cerca de 24 milhões de jovens de 18 a 24 anos, o equivalente a 15% do público maior de idade.

O estudo revela, ainda, que para os jovens da Geração Z a felicidade na vida adulta consiste em uma combinação de segurança, estabilidade emocional e realização profissional. Eles consideram que adquirir a casa própria (20%), ter sucesso no trabalho (18%) e trabalhar com o que gosta (18%) são algumas das prioridades para se tornarem adultos realizados. Por outro lado, encontrar um amor (9%), ter filhos (8%), falar vários idiomas (8%) e sair da casa dos pais (8%), são aspectos menos relevantes para a felicidade.

"Se para as gerações anteriores formar família e desenvolver carreira duradoura e estável em uma única empresa era primordial, a Geração Z está disposta a explorar mais as possibilidades profissionais e adiar planos de casamento e filhos, por exemplo", observa o presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), José César da Costa.

Os jovens da Geração Z temem não ter saúde física (28%), não arrumar emprego (27%), não conseguir se sustentar (25%), não trabalhar no que gostam (23%) e a corrupção no Brasil (21%). Somente 5% garantem não terem qualquer preocupação quando pensam sobre o futuro.

"Vale lembrar que esses jovens foram impactados pelas manchetes ininterruptas sobre a recessão, o desemprego, o PIB com baixo crescimento e as dificuldades do Brasil para fazer a economia engrenar nos últimos anos. Parte desses jovens teme, de certo modo, passar pelo que seus pais passaram. Outro aspecto interessante é o fato de que muitos não fazem planos de sair da casa onde nasceram, talvez por não se sentirem preparados para encarar os desafios financeiros da vida adulta. Nem sempre é fácil sustentar-se sozinho e manter o padrão de vida que os pais proporcionam, ainda mais em períodos de baixo crescimento econômico e mercado de trabalho desaquecido", destaca Costa.

A pesquisa ouviu 801 jovens brasileiros, com idade entre 18 e 24 anos, residentes em todas as capitais. Homens e mulheres pertencentes a todas as classes econômicas e escolaridades.

 

Geração Y - Já a chamada "Geração Y" (nascidos entre 1980 e 1994) é a líder em compras virtuais no segundo trimestre. As compras desses consumidores representam 48,7% do faturamento do comércio eletrônico brasileiro.

Ao abordar o assunto "compras via internet", uma possível impressão é a de que os consumidores que mais usam esse recurso são os mais jovens, nativos do mundo digital. A realidade, porém, é diferente do que o senso comum indica: de acordo com o Compre&Confie, empresa de inteligência de mercado para comércio eletrônic, quem concentra a maioria dos pedidos feitos virtualmente é a Geração Y (pessoas entre 25 e 39 anos).

De acordo com os dados apurados no segundo trimestre, os consumidores da Geração Y concentram 48,4% do total de pedidos realizados, totalizando 18,8 milhões de compras no período. Em faturamento, esse grupo gerou R$ 7,8 bilhões em compras no período, com tíquete médio de R$ 416,10.

A maior parte dos gastos desses consumidores está relacionada às categorias de moda e acessórios; entretenimento; móveis, construção e decoração; eletrodomésticos e ventilação; e brinquedos e bebês.

Logo atrás da Geração Y, quem ocupa o segundo lugar no volume de compras online é a Geração X (consumidores nascidos entre 1960 e 1979). Ao todo, essa geração realizou 11,6 milhões de pedidos no segundo trimestre (29,8% do total realizado no período) e gerou faturamento de R$ 4,9 bilhões (representando 30,6% do total). O tíquete médio dos compradores que possuem entre 40 e 59 anos é de R$424,70.

Na terceira colocação, aparece a Geração Z. Do total de pedidos no segundo trimestre, 6,2 milhões foram feitos por consumidores que nasceram a partir de 1995, representando 16,1% do total. Ao analisar o faturamento, a camada mais jovem da população representa 14,7% do montante arrecadado, chegando no número de 2,4 bilhões de reais, com um tíquete médio de R$377,20.

Por último, quem menos consumiu no total foi a geração de Baby Boomers. Os consumidores que nasceram entre 1940 e 1959 geraram 2,2 milhões de pedidos no período, representando 5,7% do total. Em aspectos financeiros, essa geração consumiu R$ 953 milhões no segundo trimestre (5,9% do total).

Na comparação entre gêneros, as mulheres tiveram um percentual maior que o dos homens no mercado, com 51% dos pedidos feitos (49% do total foram pedidos do público masculino). Nas gerações Z e Baby Boomers, o resultado foi diferente, com os homens predominando nas compras online. Já nas gerações X e Y, as vendas seguiram o diagnóstico do mercado, com o público feminino realizando mais compras.

Ao todo, o varejo digital movimentou R$ 16 bilhões no segundo trimestre. Somando todos os grupos de consumidores, foram realizados 38,9 milhões de pedidos. O tíquete médio geral de compras foi de R$ 413,10.

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