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Conversa de Mercado / 31 Agosto 2018

Com um pífio desempenho do PIB neste segundo trimestre de 2018, a economia brasileira permanece no mesmo patamar que se encontrava há sete anos. Segundo os dados do IBGE, divulgados nesta sexta-feira, o PIB “cresceu” 0,2% e, em valores correntes, totalizou R$ 1,693 trilhão. O resultado reforça a perda do fôlego de recuperação da economia, que desde o quarto trimestre do ano passado está praticamente estagnada (incrementos trimestrais de 0,0%, 0,1% e 0,2%).

No primeiro semestre de 2018, o PIB acumula alta de 1,1% em relação a igual período de 2017, algo insuficiente para fazer a economia voltar ao que era antes da crise, que perdurou mais de dois anos. O maior patamar de PIB do Brasil foi registrado no primeiro trimestre de 2014 e, para atingi-lo, é preciso que haja um crescimento de 6%.

Diante deste quadro, o discurso dos candidatos à presidência converge na necessidade de fazer o país crescer, aumentar os investimentos, o consumo e o emprego. A questão é analisar se as medidas propostas para fazer isso realmente surtarão resultados de longo prazo ou até se são realistas. Como reduzir mais ainda a taxa de juros, enquanto os EUA sobem a deles? Como aumentar investimentos se a ordem é redução de custos para o governo. Como fazer uma reforma tributária e simplificar impostos sem consenso entre estados. E por fim para que investir em tecnologia em commodities se o desejo é que o país passe a ser exportador de industrializados.

Álvaro Dias (Podemos)

Promete promover crescimento médio anual de 5%, através da simplificação e redução de tributos, revisão da estrutura do gasto público, reforma financeira que propicie a queda dos juros, fomento à poupança e ao mercado de capitais por meio de uma nova previdência social que capitalizará os participantes e democratizará a posse dos ativos estatais, com forte incentivo ao investimento.

Cabo Daciolo (Patriota)

Quer reduzir a taxa de juros para atrair investimentos estrangeiros e competir no mercado internacional. Vai fortalecer a produção brasileira, facilitar o trâmite para patentes de produtos nacionais e promover o desenvolvimento do empreendedor. Fala de redução da carga tributária e da despesa pública. Vai fortalecer a competitividade das commodities brasileiras, mas diz que o Brasil irá deixar de ser um exportador de matérias primas.

Ciro Gomes (PDT)

Defende o empreendedorismo e uma estratégia nacional de desenvolvimento de longo prazo, ainda que não estejam detalhadas no programa inicial. Fala do ajuste macroeconômico, equilíbrio das finanças públicas, o que fortalecerá a capacidade de realizar políticas sociais e de investimento. Menciona a possibilidade de reduzir juros e propiciar condições para que a taxa de câmbio oscile em torno de um patamar competitivo.

Geraldo Alckmin (PSDB)

Fará com que o comércio exterior represente 50% do PIB. Quer transformar o Brasil no país mais atrativo para empreender e investir na América Latina. Diz que dará a prioridade aos investimentos em infraestrutura, em parceria com a iniciativa privada. Quer privatizar empresas estatais para liberar recursos para fins socialmente mais úteis e aumentar a eficiência da economia, além de simplificar o sistema tributário.

Henrique Meirelles (MDB)

Terá como meta fazer o país voltar a crescer 4% ao ano, “como aconteceu quando foi presidente do Banco Central de 2003 a 2010, período no qual foi registrada a criação líquida de 10,2 milhões de novos empregos com carteira assinada no Brasil”, destaca o plano. Também prevê uma reforma tributária ampla.

Jair Bolsonaro (PSL)

Faremos os ajustes necessários para garantir crescimento com inflação baixa e geração de empregos. Enfrentaremos os grupos de interesses escusos que quase destruíram o país”, afirma o plano. O liberalismo reduz a inflação, baixa os juros, eleva a confiança e os investimentos, gera crescimento, emprego e oportunidades. “Nossa estratégia será adotar as mesmas ações que funcionam nos países com crescimento”.

João Amoêdo (Novo)

Pretende atingir o desenvolvimento através do equilíbrio das contas públicas; mais facilidade para abrir empresas e contratar funcionários; simplificação tributária; ampliação dos acordos comerciais e abertura da economia; fim da política de campeões nacionais e de conteúdo local; controle da inflação com o Banco Central independente e segurança jurídica.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Quer revogar o Teto dos Gastos, a reforma trabalhista e a política de privatização de empresas estratégicas, além de recuperar o pré-sal. Defende a redução dos juros e da difusão do crédito, de um programa emergencial de empregos e da garantia de recursos aos programas de transferência de renda. Pretende retomar das obras paralisadas, investimentos e programas de infraestrutura.

Marina Silva (Rede)

A agenda para dinamizar a economia envolve a inovação, melhoria do ambiente de negócios, reduzindo a insegurança jurídica e as incertezas regulatórias. Propõe a revisão das prioridades de intervenção do Estado, privilegiando as atividades que de fato geram mais empregos. Quer recuperar a capacidade de investimentos do Estado, priorizando obras de infraestrutura. Os investimentos públicos permanecem necessários, mas o envolvimento do setor privado é imprescindível.