Pacote do governo pouco ajudará o emprego

Medidas em estudo não atacam a origem da crise econômica brasileira.

Conjuntura / 22:59 - 10 de set de 2019

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O conjunto de propostas para combater o desemprego, ventiladas pelo governo na mídia, deverá ter baixa eficácia, avalia o diretor-técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio. “A dinâmica econômica não é favorável para a criação de vagas”, ressalta o especialista.
As medidas em discussão envolvem a liberação de R$ 65 bilhões de depósitos recursais para o capital de giro das empresas. São os valores que hoje estão depositados em juízo para que as compa-nhias arquem com questões trabalhistas, que poderiam ser trocados por um seguro para compensar eventual perda da ação na justiça.
Um dos pontos mais polêmicos é o “emprego verde e amarelo”, que permitirá a desoneração da folha de pagamento e uma redução de 50% no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) às empresas que contratarem um jovem ou profissional desempregado.
“O risco disso é que tenhamos uma rotatividade perversa. As empresas demitindo trabalhadores que são contratados pela CLT para contratar desempregados ou jovens, com estímulo fiscal”, alerta Ganz Lúcio em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual.
Ganz aplaude a proposta de ampliação do microcrédito para as comunidades e trabalhadores autônomos que não têm capacidade de comprovação de renda, o que, de acordo com o especialista, poderia contribuir para que profissionais que precisam de algum tipo de crédito alavanquem sua atividade econômica e, portanto, beneficiem o país.
O diretor-técnico do Dieese contesta a proposta do governo de promover algumas facilidades para que o desempregado se qualifique. Clemente destaca que de fato a formação é um problema para hora da disputa por uma vaga, mas cursos de curta duração, como oferta a equipe econômica, não resultam na qualificação do trabalhador. “Um programa de formação mais extenso, continuado, articulado com o setor empresarial tem se demonstrado muito mais eficaz, coisas que o sistema S faz com maior efetividade”, avalia.

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