Outubro tem alta de 10,9% em fluxo de visitantes a shopping ante setembro

Conjuntura / 14 Novembro 2017

Impulsionado pelo Dia das Crianças, o movimento de pessoas nos shopping centers cresceu 10,9% em outubro de 2017, em relação a setembro, de acordo com o Índice de Visitas a Shopping Centers (IVSC). O levantamento é realizado pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) em parceria com a FX Retail Analytics, empresa especializada em monitoramento e fluxo para o varejo.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve alta de 0,36%, seguindo a tendência de crescimento dos últimos meses de 2017, que conta com alta de 0,56% no acumulado do ano. Já em relação à análise regional, os shoppings do Nordeste tiveram desempenho positivo de 3,75%, enquanto os do Sudeste alcançaram 1%. Os da Região Sul, por outro lado, tiveram queda de 7,11%.

- A tendência é de que a Black Friday e as compras de fim de ano mantenham a alta que marcou o ano de 2017, que vem se consolidando como o período de retomada, ainda que tímida, da economia e do poder de compra do brasileiro - afirma Walter Sabini Junior, sócio-fundador da FX Retail Analytics.

Já pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG) revela que quase 1/3 (32,4%) dos moradores de Belo Horizonte pretende ir às compras para aproveitar as promoções tanto da Black Friday, que, neste ano, acontece em 24 de novembro, última sexta-feira do mês; como da segunda-feira seguinte, a chamada Cyber Monday. A maioria (64%) planeja gastar valores superiores a R$ 500.

Conforme o levantamento, mais da metade (51,9%) dos clientes irá aproveitar os descontos para garantir os presentes das festas de final de ano. A preferência será pelas lojas físicas (27%). Outros 18,8% optarão pelo comércio eletrônico, enquanto 14% dos consumidores afirmaram que estarão suscetíveis às ações do comércio no período. Os produtos mais procurados são os eletrônicos (39,6%); roupas, calçados e acessórios (15,4%); eletrodomésticos (14,1%); e artigos de telefonia (10,1%).

Entre os empresários de Belo Horizonte, mais de 35% já se planejaram para a Black Friday.

- Esse percentual deverá ser maior, uma vez que um expressivo número de empresas ainda não definiu as iniciativas para a data - explica Almeida.

No ano passado, a adesão chegou a 37,3%. Até o momento, os descontos (33,3%) e a visibilidade da loja (21,5%), além do atendimento diferenciado e da variedade de marcas e produtos (13,9% cada), serão as principais ações empenhadas.

Nos estabelecimentos que irão participar da Black Friday, os descontos serão superiores a 50% em 39% dos casos. Outros 14,6% prometem reduzir os preços entre 45,1% e 50%. A expectativa da maioria dos empresários é de que as ações proporcionem um acréscimo nas vendas em torno dos 25%. Apenas 3,1% não esperam impacto relevante no período.

 

Ibre: é preciso ter cautela com os números positivos do comércio

Para Rodolpho Tobler, coordenador da Sondagem do Comércio do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV) é preciso ponderar.

- Com o resultado positivo de setembro, o setor compensa a queda ocorrida em agosto (-0,4%). Assim, o indicador em médias móveis trimestrais continuou em alta (0,1%), mantendo a recuperação gradual do comércio, que vem ocorrendo desde o início do ano. Apesar do bom resultado dos últimos meses, ainda é cedo para comemorar porque estamos comparando com uma base muito fraca. Nesse mesmo período, no ano anterior estávamos próximos do vale da recessão, datada pelo Comitê de Datação de Ciclos Econômicos, o Codacce, como sendo o quarto trimestre de 2016; então é preciso certa cautela para comemorar essas taxas muito elevadas este ano - analisou o economista.

Tobler destaca o bom desempenho dos bens duráveis. O volume de vendas do segmento de móveis e eletrodomésticos subiu 16,6% em relação a setembro de 2016, influenciando positivamente o bom resultado do mês. Já o segmento que mais impactou no indicador foi o de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumos, registrando avanço de 6,0% no mesmo período.

- Um ponto interessante a destacar é a melhora dos segmentos ligados a vendas de duráveis, que possuem demanda mais sensível às condições de crédito e que estão evoluindo consistentemente ao longo de 2017. Os setores ligados a vendas de produtos não duráveis voltaram a subir no terceiro trimestre com a melhora do mercado de trabalho e a inflação baixa, depois de caírem no segundo.

As expectativas em relação aos últimos meses do ano e para 2018 são positivas, seguindo a melhora na conjuntura político-econômica. Segundo Tobler, 2017 deve fechar positivo após dois anos de queda.

- Olhando para os dados ajustados sazonalmente, o varejo evoluiu 0,6% no trimestre, sendo a terceira alta seguida. O carregamento estatístico para o ano já está entre 2,5% e 3%. Esse resultado possivelmente vai ser melhor que 2014, mas ainda é abaixo do ritmo de crescimento anterior ao período recessivo. Atualmente, a recuperação do setor vem sendo mais lenta que nas duas últimas recessões.