Ouro Preto quer se tornar o Vale do Silício brasileiro

Cidade atrai empreendedores e busca alternativas à exploração de minérios.

Empresas / 20:07 - 10 de jan de 2020

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

Em 2017, 13,9 mil novas empresas de tecnologia foram abertas, representando um crescimento de 17% no setor. Tendo em vista que a transformação digital tem estado cada vez mais presente no cotidiano dos brasileiros, a tendência é que esse número aumente. A expectativa é que esse crescimento se dê no Sudeste, tendo em conta que, em 2018, 69,3% das empresas no segmento funcionavam na região. As informações são da Neoway, empresa especialista em big data.

A cidade mineira Ouro Preto tem sido palco para o crescimento tecnológico na região. Desde dezembro do ano passado, o município tem tomado ações de incentivo à inovação e tecnologia. Dentre elas, a instauração de um GT (Grupo de Trabalho) para o desenvolvimento do Programa do Parque Tecnológico de Ouro Preto, oficializado pelo Decreto 5.385 de 29 de maio de 2019.

O objetivo do poder executivo é fomentar o empreendedorismo e a criação de empregos na cidade através da tecnologia. Segundo Felipe Guerra, secretário de Turismo, Indústria e Comércio da Prefeitura de Ouro Preto, o município “tem todos os atributos para ser um grande indutor de tecnologia da região, pois temos a Ufop (Universidade Federal de Ouro Preto) e o IFMG (Instituto Federal de Minas Gerais), bem como as empresas mineradoras que nos cercam”.

A Samarco, protagonistas do desastre em Mariana, é uma das empresas que estão auxiliando no desenvolvimento do Inconf.Tech – nome atribuído ao futuro Parque Tecnológico da cidade. Para o cofundador da Usemobile, empresa de desenvolvimento de aplicativos, Conrado Carneiro, “é fundamental que todas as empresas de tecnologia de Ouro Preto tenham algum tipo de participação”. A prefeitura tem buscado apoio em outras organizações, seja para incentivos fiscais e ou criação de um networking.

 

Modelo limpo

 

O turismo e a mineração são duas das principais atividades ouro-pretanas. Entretanto, uma vez que os recursos explorados não são renováveis, a atividade exploratória é insustentável. Portanto, é imprescindível estabelecer novas atividades na cidade e na região.

O CCO da I Love Pixel e co-fundador do Valin (comunidade de startups e empresas de base tecnológica da região de Mariana e Ouro Preto), Kelson Douglas, vê a tecnologia como uma nova oportunidade para a cidade, pois ele acredita que haverá “menos problemas se buscarmos outros modelos de negócio agora do que se deixarmos para procurá-los mais para perto do colapso das mineradores”.

Em consonância, o professor de Inovação e Empreendedorismo na Escola de Minas da Ufop, André Luís da Silva, vê potencial na cidade porque “tem mão de obra qualificada, força política da prefeitura e espaço físico para tal”.

Com um parque tecnológico estabelecido na região, a mão de obra qualificada terá oportunidade para permanecer na cidade, fomentando a economia e o desenvolvimento do município.

 

Startups

 

O Vale do Silício consiste num aglomerado de empresas que visam a inovação (o silício é uma referência a um dos materiais usados na confecção de componentes de hardware). A região dos Estados Unidos abriga um – não tão – novo modelo de empreendimento: as startups. Elas consistem em pequenas empresas que buscam solucionar problemas de forma inovadora, majoritariamente a partir de softwares e correlatos.

Nessa perspectiva, projeções para Ouro Preto não fogem do cenário do Vale do Silício original. Afinal, também existem oportunidades de desenvolvimento tecnológico na cidade turística. Quatro startups já demonstraram interesse em contribuir com o futuro Inconf.Tech. Essas iniciativas têm o propósito de reciclar os rejeitos produzidos pelas mineradoras da região.

Além da chegada dessas novas organizações tecnológicas no município, existem outras empresas ouro pretanas já estabelecidas e com atividades ligadas à tecnologia e TI, fugindo da mineração como atividade primária, como a Gerencianet, uma Instituição de Pagamento (IP) regulamentada pelo Banco Central já com 12 anos de mercado.

Outros destaques são a Stilingue (de Inteligência Artificial) e a Usemobile, que possui mais de 80 projetos executados na área de mobilidade urbana.

Com a Agência PRNewswire.

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor