Os executivos dos donos do mundo

Opinião / 14:45 - 1 de nov de 2000

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A atuação do Sr. Armínio Fraga Neto, atual presidente do Banco Central (Bacen), tem sido destacada, revelando-se o mesmo, no momento atual, a principal figura da equipe econômica da administração FH. Alguns comentários sobre as conseqüências de sua ação devem ser explicitados. É óbvio que o seu poder indica a capitulação final e formal da administração FH diante do Sistema Financeiro Internacional. O FMI é apenas o agente operacional dos donos do mundo, que desejam destruir os Estados Nacionais Soberanos e impor a globalização. A sinalização clara é a de que, como sempre, os especuladores internacionais continuarão a ser privilegiados em detrimento das Instituições e do povo brasileiros. E o Sr. Armínio fará aquilo que melhor atender aos interesses do seu patrão. Então, a leitura feita pelo mercado financeiro mundial é a de que não haverá moratória voluntária, nem centralização cambial, os especuladores continuarão a agir livremente e não será discutida a renegociação da dívida externa. Agora, é só verificar as ações do megaespeculador George Soros, o qual é possuidor de uma carteira de valor superior a US$ 20 bilhões e, curiosamente, defensor da legalização do uso de drogas no mundo, conforme pode ser comprovado numa "viagem" ao seu site na Internet, para verificar o que deverá ocorrer no Brasil. Após ter destruído, através de ações especulativas, a economia da Malásia, conforme denúncias de seu primeiro-ministro, que o responsabilizou nominalmente pelo caos econômico produzido naquele país, defendeu a redução da taxa de juros (porém seus objetivos são diferentes dos nossos) e a "privatização selvagem" do que restou de empresas estatais rentáveis, estratégicas e produtivas do país. É lógico que pretende converter "papel pintado" em bens tangíveis, como a propriedade do Banco do Brasil, da Petrobras, da Caixa Econômica Federal, do setor elétrico, da água e da Amazônia. Na hora que desejar, ou seja, após recuperar o valor perdido pelo Fundo Quantum na Rússia (cerca de US$ 2 bilhões), será ainda dono das maiores empresas e riquezas do Brasil e, possivelmente, tirará o Sr. Armínio do Bacen, colocando-o novamente como funcionário de suas empresas, ganhando rendimentos, quinze vezes, no mínimo, superiores aos salários de presidente do Banco. É muita "ingenuidade" a argumentação de que nada como um especulador para a Presidência do Bacen para controlar outros especuladores. É tentar passar um atestado de ignorância para os outros. Afinal, o Sr. Armínio será fiel a seus antigos e futuros chefes, que lhe pagam mais de US$ 1 milhão ao ano, fora benefícios, ou ao Brasil, onde recebe um salário (segundo a legislação aprovada) não superior a US$ 8 mil mensais? É patriotismo demais! Outro ponto a realçar é o patético esforço da mídia amestrada para procurar demonstrar o brilhantismo da atuação do referido senhor. É evidente que todos derramam-se em elogios, imaginando quanto vão ganhar em dólar, fora o que já arrecadaram na sua gestão como Diretor do Bacen, na época do confisco realizado pelo Governo Collor. O outro lado da moeda é que a administração FH torna-se refém do Sr. Armínio, pois caso ele saia, isto será interpretado por qualquer analista como sinal de uma moratória, de centralização cambial e outras. E o interessante é que, apesar de todo apoio do Sistema Financeiro Internacional, eles vão continuar a receber e tirar seu capital na hora desejada, aproveitando-se até dos empréstimos oriundos do FMI, a serem pagos com sacrifício pelo povo brasileiro. E nada disto evitará a derrocada. Os recursos nem virão para o Brasil. Vão ficar por lá mesmo. E a população cada vez mais miserável. E as dívidas cada vez maiores. E o desemprego aumentando. E a inflação voltando. Nada de saúde, de educação ou segurança. Agora mesmo, a pretexto de pagar R$ 180,00 de salário mínimo, querem até mesmo mudar a legislação do imposto de renda, com a proposta de adoção de uma alíquota uniforme de 10% para todos, com a eliminação de deduções e isenções. É interessante que o ministro Malan afirma que a administração não possui condições de arcar com o vulto das despesas adicionais, ao mesmo tempo em que desafia o Congresso Nacional a descobrir fontes alternativas de receitas. Até a tributação sobre os Fundos de Pensão, em julgamento no Supremo Tribunal Federal, querem impor. Vão acabar levando os Fundos à falência e depois vão ter uma razão para deixar de pagar os benefícios devidos a quem contribuiu, segundo a legislação vigente, durante a vida toda. E o Supremo aprova o reajuste dos funcionários da justiça em quase 12%. É evidente que tal decisão levará ao chamado efeito cascata, não só no próprio Judiciário, como no Legislativo e talvez em algumas áreas do Executivo. Os especialistas calculam um gasto total, decorrente da implantação de tal medida, em um quantitativo equivalente ao total previsto com a implantação do novo salário mínimo de R$ 180,00. E agora, qual será a saída? Os ricos, em especial os bancos, as grandes empresas e os grandes empresários, não costumam pagar impostos , chegando a sonegação a chegar, em média, ao valor de um real arrecadado para cada real sonegado. Só a diminuição das alíquotas tributárias e o duro combate à sonegação pode contribuir para melhorar tal injustiça. O difícil é a atual administração ter coragem e vontade para fazer aquilo que é correto. Marcos Coimbra Professor Titular de Economia junto à Universidade Candido Mendes, Professor na UERJ e Conselheiro da ESG. Site: www.brasilsoberano.com.br. Correio eletrônico: mcoimbra@antares.com.br.

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