Advertisement

Os desafios da Educação Superior para o próximo governo

Os mandatários brasileiros, que se sucedem nos cargos de presidentes da República, precisam entender, e definitivamente, que a...

Opinião / 20 Setembro 2018

Os mandatários brasileiros, que se sucedem nos cargos de presidentes da República, precisam entender, e definitivamente, que a Educação deve ser uma preocupação permanente do Estado e não de um governo, que se sucede a cada quatro anos. E, dessa forma, devem observar que a Educação deve ser prioritária em todos os níveis, para formação do povo, pois somente com avanço na qualidade de ensino poderemos formar jovens preparados, de fato, para nos conduzir à sociedade da tecnologia e do conhecimento.

Para enfrentar os desafios de uma expansão qualificada da Educação Superior nos próximos anos, é preciso reconhecer particularmente o papel e a capacidade das instituições de se reinventar por meio da reflexão coletiva e de um debate qualificado. Reinvenção que também representa a afirmação da função social e do papel estratégico das instituições superiores para a construção da ética necessária ao convívio social e à cidadania, que seja centrada na vida, no mundo do trabalho, na solidariedade e em uma cultura da paz, superando as práticas opressoras, de modo a incluir, efetivamente, os grupos historicamente excluídos: dentre outros, negros, quilombolas, pessoas com deficiência, povos indígenas, trabalhadores do campo, mulheres, lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.

 

É preciso foco no conjunto do sistema,

e não apenas em uma parte dele

 

Os novos desafios gerados pelo avanço da globalização tecnológica, econômica e cultural começam a exigir dos atores envolvidos com a Educação Superior, mantenedores, reitores e professores, a responsabilidade de viabilizar as reformas necessárias para sua consolidação no cenário nacional e ampliar sua presença internacional, na perspectiva de um desenvolvimento socialmente justo e sustentável.

Diante dos diversos debates promovidos nos últimos anos acerca dos desafios e perspectivas da Educação Superior para a próxima década, é importante considerar ser fundamental implementar políticas e ações estratégicas que promovam e estimulem o fortalecimento do regime de colaboração entre os entes federados; uma articulação que englobe as quatro áreas: educação, ciência, tecnologia e inovação; o estímulo aos programas de intercâmbio e à integração internacional da educação no país.

Em síntese, um dos maiores desafios da Educação Superior brasileira é a implementação de uma política que tenha como foco o conjunto do sistema, e não apenas uma parte dele. Tal política deverá atentar para as características desse sistema, composto por instituições públicas e privadas, com diferentes formatos organizacionais, múltiplos papéis e funções locais, regionais, nacionais e internacionais.

Ao mesmo tempo, essa política deve respeitar as premissas de expansão com garantia real de padrões de qualidade, gratuidade nos estabelecimentos públicos, gestão democrática e autonomia, respeito à diversidade e sustentabilidade financeira.

Faz-se mister considerar ainda que é preciso pensar os desafios da Educação Superior para os próximos dez anos, tendo em vista que a principal característica do mundo atual é a mudança constante e ininterrupta, acelerada pelas novas tecnologias, e cujos efeitos afetam todo o planeta e praticamente todas as áreas e condições da atividade e da vida do homem e da sociedade.

A análise de indicadores da Educação Superior no Brasil, na última década, aponta não só a quantidade, mas também a complexidade dos desafios da educação brasileira, especialmente se for mantida a política de expansão de vagas e promoção da qualidade para ampliar a democratização e a relação da universidade com a sociedade.

Dentre os principais desafios, destaca-se a democratização do acesso, da permanência e do sucesso; ampliação da rede pública superior e de vagas nas IES públicas; ampliação da educação superior privada que hoje atinge cerca de 80% das matrículas; redução das desigualdades regionais; formação com qualidade; inclusão social; qualificação dos profissionais docentes; garantia de financiamento; relevância social dos programas oferecidos e estímulo à pesquisa científica e tecnológica.

De acordo com o Censo da Educação Superior, realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 34.366 cursos de graduação foram ofertados em 2.407 instituições, para um total de 8.052.254 estudantes matriculados. Segundo as estatísticas, as 197 universidades existentes no Brasil equivalem a 8,2% do total de instituições de educação superior (IES), mas concentram 53,7% das matrículas em cursos de graduação.

No ano passado, o número de matrículas na educação superior continuou crescendo, mas essa tendência desacelerou quando comparada aos últimos anos. Entre 2006 e 2016, houve aumento de 62,8%, com uma média anual de 5% de crescimento. Em relação a 2015, a variação positiva foi de apenas 0,2%.

Os cursos de bacharelado mantêm sua predominância na educação superior brasileira com uma participação de 69% das matrículas. Os cursos de licenciatura tiveram o maior crescimento (3,3%) entre os graus acadêmicos em 2016, quando comparado a 2015.

Em 2016, foram oferecidas mais de 10,6 milhões de vagas em cursos de graduação, sendo 73,8% vagas novas e 26,0%, vagas remanescentes. Das novas vagas oferecidas, 33,5% foram preenchidas, enquanto apenas 12,0% das vagas remanescentes foram ocupadas no mesmo período.

Quase 3 milhões de alunos ingressaram em cursos de educação superior de graduação. Desse total, 82,3% em instituições privadas. Após uma queda observada em 2015, o número de ingressantes teve um crescimento de 2,2% em 2016. Isso ocorreu porque a modalidade a distância aumentou mais de 20% entre os dois anos, enquanto nos cursos presenciais houve um decréscimo no número de ingressantes de 3,7%.

Diante da realidade, é preciso pensar o futuro da educação, assumindo valores e princípios e articulando ações e estratégias que permitam cumprir sua missão em um mundo em constante mudança.

O próximo governo, a ser instalado em janeiro de 2019, precisa ter a compreensão clara de que a educação é fator definitivo para o desenvolvimento da formação do pensamento nacional e, por essa simples razão, precisa constar da agenda presidencial como prioridade das ações do Estado Brasileiro. Como pregava a saudosa escritora Rachel de Queiróz, “a educação é tudo”.

 

 

Paulo Alonso

Jornalista e dirigente universitário.