OCDE prevê PIB global abaixo de 3% em 2021

Organização diz que EUA e China precisam resolver suas questões comerciais.

Internacional / 00:06 - 22 de nov de 2019

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Ao contrário do que apontou em setembro, a Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE) comunicou nesta quinta-feira em Paris, onde está sediada, que a economia global não deve se recuperar no próximo ano ou em 2021. Tensões comerciais, o Brexit e a desaceleração chinesa prejudicaram o panorama.
Diante desses riscos, a OCDE aconselha os Estados Unidos a reagir rapidamente. São necessárias medidas urgentes para reativar economia. A instituição internacional – que congrega 36 países –prevê que a economia mundial cresça 2,9% este ano e em 2020, o mais fraco desde a crise financeira de 2008. “Estamos em um período preocupante e os políticos devem estar preocupados”, alertou a economista-chefe da OCDE, Laurence Boone, em entrevista coletiva.
O economista disse que, mesmo que a organização preveja uma leve recuperação em 2021 com uma progressão de 3% do PIB global, “essas taxas de crescimento são as mais baixas desde a crise financeira”, observou, apontando para a ameaça de uma “estagnação de longo prazo”.
No relatório, a OCDE pede aos países que resolvam suas disputas comerciais. As medidas adotadas neste ano pelos Estados Unidos e pela China deverão reduzir o crescimento mundial de 0,3 a 0,4 pontos percentuais em 2020, e entre 0,2 e 0,3 ponto percentuais em 2021.
Na América Latina, o quadro é ainda mais sombrio. Reportagem do jornal El País lembra que as três grandes locomotivas latino-americanas, das quais dependem quase dois terços do Produto Interno Bruto (PIB) da região – Brasil, México e Argentina – estão sem fôlego e arrastam com eles a região para uma prolongada estagnação. Conforme as últimas previsões da Cepal, o braço das Nações Unidas para o desenvolvimento no subcontinente, o crescimento deve ser levemente superior a 0%, o limiar entre o terreno expansivo e o recessivo. Um 0,1% na América Latina está longe, muito longe, do crescimento de 3% global que o Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta para este ano.

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