O Vale do Café: cidadania, eventos e promoção

Por Bayard Do Coutto Boiteux.

Opinião / 18:07 - 9 de set de 2019

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Para mim, visitar o Vale do Café, no Estado do Rio de Janeiro, que congrega o maior acervo de fazendas situadas numa única região, é um ato de cidadania. E poder entender a história do negro escravizado e do café através de uma visitação de mais de 20 fazendas abertas ao público, que foram se profissionalizando e se estruturando para contar nossa História, hospedar e sediar pequenos eventos sociais ou comerciais.

Por outro lado, foi mostrando que o potencial ecológico está presente com suas bonitas áreas verdes preservadas e algumas transformadas em bonitos jardins com experiências sensoriais, como o Uaná Etê, em Paulo de Frontin.

A iniciativa privada tem, através de um esforço conjunto local, buscado estratégias para a região: uma delas é a recente criação do Vale do Café Convention Bureau, que vai trabalhar não só a captação de eventos, mas uma filosofia de integrar toda a região.

 

Produto turístico e cultural precisa de

gestão integrada de todos os municípios

 

Por outro lado, citamos o Instituto Preservale, ONG constituída para pensar e lutar por um Vale que proteja seu patrimônio através de todos aqueles que fazem parte de seu desenvolvimento, além das fazendas, e que colabore na implementação de medidas institucionais e comerciais.

O novo site da entidade – institutopreservale.com.br – mostra o atual direcionamento, em quatro idiomas, com informações e propostas de roteiros, apresentando um grande potencial do estado ainda pouco conhecido e com quase nenhum investimento governamental.

Para pensar ainda melhor a região, conta com um conselho consultivo formado por personalidades oriundas de várias áreas de conhecimento e uma diretoria com foco mais empresarial. Entre seus projetos em 2019, mencionamos que capacitação, formatação de novos roteiros, marketing com workshop estão norteando o segundo semestre do ano.

A história do Preservale foi se fortalecendo ao longo dos anos com esforços individuais muito importantes, como da saudosa Evelyn Pascoli ou ainda da Sonia Mattos. Nos últimos anos, vimos surgir no âmbito do referido Instituto os primórdios da sinalização turística, já implantada, e a revista Grão, um instrumento de divulgação.

Notório também o esforço desenvolvido na organização de eventos, como o Festival do Vale do Café, que, além de concertos de música erudita em vários equipamentos da região, organiza palestras e minicursos; o Mata Atlântica, que traz também para a região artistas famosos, sustentabilidade e uma verdadeira harmonia com a mãe natureza, que precisa de ser muito bem cuidada e alinhada com esforços de ONGs e entidades internacionais, que podem nos ajudar; fora o Casa Real, que mostrou criatividade e empreendedorismo num trabalho com arquitetos e decoração.

O desenvolvimento da região demanda esforços dos municípios, que tratem o turismo e a cultura como motores para o desenvolvimento econômico e profissionalizem seus gestores e sua infraestrutura e superestrutura com dotações orçamentárias, ações planejadas e discutidas e tenha no Sebrae, Senac e Sesc, grandes aliados por seu conhecimento e expertise.

O Governo do Estado do Rio também precisa olhar com mais carinho para a região e colocar seus parcos recursos em programas efetivos e de médio e longo prazo.

O Vale que queremos reconhece a história de todos que colaboram e já o fizeram, os novos desafios e a vontade de aprimorar um produto turístico e cultural que só pode sobreviver com uma gestão integrada de todos os municípios.

Bayard Do Coutto Boiteux

Professor universitário, preside o Portal Consultoria em Turismo, é vice-presidente executivo da Associação dos Embaixadores de Turismo do RJ e superintendente do Instituto Preservale.

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