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O time de Bolsonaro, por Paulo Alonso

Serão 22 ministros, 20 já definidos. Na campanha, garantiu que seriam 15

Opinião / 06 Dezembro 2018

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) já definiu 20 ministros integrantes do futuro governo. Nesse elenco, aparecem, dentre eles, quatro generais, um almirante, um magistrado respeitável, um economista com trajetória reconhecida e um astronauta conhecido internacionalmente. Cumprindo sua promessa de campanha, diminuiu o número de ministros na Esplanada. Poderia ter reduzido mais essa quantidade! Afinal, na campanha, garantiu que seriam 15 ministros.

Onyz Lorenzoni, de 64 anos, é médico veterinário e comandará a Casa Civil. Certamente, um dos principais postos da Esplanada dos Ministérios. Ele está no 4º mandato consecutivo como deputado federal e foi reeleito com 183.518 votos. Em 2016, Onyx foi relator na Câmara do pacote de medidas de combate à corrupção e fez mudanças no texto apresentado no plenário, descumprindo acordo com os demais parlamentares, o que gerou diversas críticas a ele. No ano passado, o parlamentar admitiu ter recebido RS 100 mil em caixa 2 da empresa JBS para pagar dívidas de campanha de 2014. O deputado alegou que, na ocasião, não tinha como declarar o valor na Justiça Eleitoral.

Paulo Guedes, de 69 anos, assumirá um superministério, que reúne Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio. De perfil liberal, defende a menor participação possível do Estado na economia. Nascido no Rio de Janeiro, Guedes se formou em economia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e fez mestrado e doutorado na Universidade de Chicago (EUA). Ele nunca teve cargo público e fez fortuna no mercado financeiro.

O economista Roberto Campos Neto, executivo do banco Santander, foi indicado para comandar o Banco Central, com status de Ministro. O analista, 49 anos, é formado em Economia pela Universidade da Califórnia, com especialização em Economia, com ênfase em Finanças, pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Trabalhou no Banco Bozano Simonsen, onde ocupou os cargos de Operador de Derivativos de Juros e Câmbio, Operador de Dívida Externa, Operador da área de Bolsa de Valores e Executivo da Área de Renda Fixa Internacional. Campos Neto foi Chefe da área de Renda Fixa Internacional no Santander Brasil.

Já o Ministério da Justiça e Segurança Pública será ocupado por Sérgio Moro. O juiz federal, de 46 anos, ganhou projeção nacional ao julgar processos da Operação Lava Jato, na 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba. Será responsável pela Polícia Federal, pelo Departamento Penitenciário Nacional e pela Secretaria Nacional de Segurança Pública. Nascido em Maringá (PR), formou-se em direito pela Universidade Estadual de Maringá e tem mestrado pela Universidade Federal do Paraná. É magistrado há 22 anos.

O general Augusto Heleno, de 71 anos, ocupará o Ministério da Segurança Institucional. O militar chegou a ser cotado para vice na chapa e para ministro da Defesa. Na reserva desde 2011, o general comandou a missão de paz das Nações Unidas no Haiti, foi comandante militar da Amazônia e chefiou o Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército. Será o novo responsável pela área de inteligência do governo, pela segurança pessoa do presidente da República e pela prevenção de crises.

Marcos Pontes ficou conhecido no Brasil e no mundo como o primeiro e único astronauta brasileiro a ir para o espaço. Foi aviador, piloto de caça e seguiu carreira militar, chegando ao posto de tenente-coronel. Atualmente na reserva, Marcos Pontes nasceu em São Paulo, em 1963, tem mestrado em Engenharia de Sistemas e é engenheiro Aeronáutico. Ele também já foi embaixador das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial. Será Ministro da Ciência e Tecnologia.

Atual presidente da Frente Parlamentar Agropecuária do Congresso Nacional, conhecida como a bancada ruralista, a deputada federal Tereza Cristina foi indicada pela FPA para o cargo. Ela é engenheira agrônoma e empresária. No Mato Grosso do Sul, ocupou o cargo de gerente-executiva em quatro secretarias: Planejamento, Agricultura, Indústria, Comércio e Turismo. Também foi diretora-presidente da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e da Empresa de Gestão de Recursos Minerais.

No Congresso, Tereza Cristina foi uma das principais defensoras do projeto que muda as regras no registro de agrotóxicos. A futura ministra da Agricultura está no primeiro mandato como deputada e, durante a campanha eleitoral, manifestou apoio à candidatura de Bolsonaro à Presidência.

O general Fernando Azevedo e Silva, de 64 anos, foi chefe do Estado-Maior do Exército, chefe de Operações na Missão de Paz da ONU, no Haiti. Atualmente, assessora o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. Ele, ainda, chefiou a Autoridade Pública Olímpica durante a gestão da presidente Dilma Rousseff. Azevedo e Silva foi contemporâneo de Bolsonaro na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), onde o presidente eleito concluiu o curso de formação em 1977, um ano depois de seu futuro ministro. Ocupará o Ministério da Defesa.

Diplomata de carreira há 29 anos, Ernesto Araújo é, atualmente, é diretor do Departamento dos Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos. Nascido em Porto Alegre, formou-se em letras pela Universidade de Brasília e, na década de 1990, entrou no Instituto Rio Branco. Ele é filho de Henrique Fonseca de Araújo, ex-procurador-geral da República e ex-deputado estadual pelo Rio Grande do Sul. Assumirá o Ministério das Relações Exteriores.

Wagner Rosário é o atual ministro da Transparência e CGU e permanecerá no cargo. Até o momento, ele é o primeiro ministro do governo de Michel Temer que permanecerá na gestão de Bolsonaro. Natural de Juiz de Fora (MG), é auditor federal de Finanças e Controle desde 2009. Ele também já trabalhou como oficial do Exército. O ministro tem graduação em Ciências Militares pela Academia das Agulhas Negras (Aman) e mestrado em Combate à Corrupção e Estado de Direito pela Universidade de Salamanca, na Espanha.

Luiz Henrique Mandetta cursou Medicina, na Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro. Fez residência em ortopedia, na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, e especialização em ortopedia, em Atlanta (EUA). Trabalhou como médico em hospitais militares e na Santa Casa de Campo Grande. Em Mato Grosso do Sul, presidiu a Unimed de Campo Grande, entre 2001 e 2004, e, ao encerrar sua gestão, assumiu a Secretaria de Saúde de Campo Grande, que comandou entre 2005 e 2010, durante a gestão do então prefeito Nelsinho Traud. Mandetta era filiado ao MDB e migrou para o DEM para concorrer a deputado federal em 2010. Foi eleito e reeleito. Neste ano, decidiu não disputar o terceiro mandato. Será o Ministro da Saúde.

O advogado André Luiz de Almeida Mendonça é pós-graduado em Direito pela Universidade de Brasília (UnB). Em 2008, foi nomeado Diretor do Departamento de Patrimônio Público e Probidade Administrativa da Procuradoria-Geral da União. Em 2016, assumiu o cargo de corregedor-geral da AGU. Mendonça foi advogado concursado da Petrobras e, atualmente, é consultor jurídico da CGU (Controladoria-Geral da União), cuja pasta ficará sob sua responsabilidade. Além disso, é pastor auxiliar na Igreja Presbiteriana Esperança, em Brasília.

Gustavo Bebbiano será o ministro da Secretaria Geral da Presidência. O advogado, de 54 anos, é um dos conselheiros de Jair Bolsonaro e foi uma das figuras mais próximas ao presidente eleito durante a campanha deste ano. Faixa preta de jiu-jítsu, Bebianno foi apresentado a Bolsonaro em 2017 e se ofereceu para atuar de graça em processos judiciais do deputado, de quem conquistou a confiança, a ponto de ter assumido a presidência do PSL, partido do presidente eleito. Também acompanhou de perto a recuperação de Bolsonaro, depois que o então candidato levou uma facada durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG). Bebianno deixou o comando do PSL em outubro.

Nascido na Colômbia, Ricardo Vélez Rodríguez foi anunciado como ministro da Educação. Ele é filósofo e foi professor associado da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), na qual se aposentou. O futuro ministro é autor de mais de 30 obras e, atualmente, é professor emérito da Escola de Comando do Estado Maior do Exército. Rodríguez é professor de filosofia, mestre em pensamento brasileiro pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), doutor em pensamento luso-brasileiro pela Universidade Gama Filho, pós-doutor pelo Centro de Pesquisas Políticas Raymond Aron.

Carlos Alberto dos Santos Cruz ficará na Secretaria de Governo. Natural de Rio Grande (RS), é formado em Engenharia Civil e chegou ao posto de general de divisão no Exército. A pasta fica no Palácio do Planalto e cuida, dentre outras atribuições, da articulação do governo com o Congresso. O militar, de 66 anos, comandou as missões de paz da ONU no Haiti (2007 a 2009) e na República Democrática do Congo (2013 a 2015) e chefiou a Secretaria Nacional de Segurança Pública durante parte da gestão do presidente Michel Temer. Santos Cruz também trabalhou como consultor da Organização das Nações Unidas (ONU) em razão de sua participação nas missões de paz.

Tarcísio Freitas é consultor legislativo da Câmara dos Deputados. Foi chefe da seção técnica da Companhia de Engenharia do Brasil na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, coordenador-geral de Auditoria da Área de Transportes da Controladoria-Geral da União (CGU) e diretor-executivo e diretor-geral do Dnit. É engenheiro civil formado pelo Instituto Militar de Engenharia, com pós-graduação em gerenciamento de projetos e engenharia de transportes. O futuro ministro da pasta da Infraestrutura, que absorverá o Ministério dos Transportes, iniciou a carreira no Exército e ingressou por concurso no quadro de auditores da CGU.

O deputado Osmar Terra (MDB-RS) será o ministro da Cidadania, que responderá pela área social do governo federal e reunirá Desenvolvimento Social, Esporte e Cultura. Terra já cuidou da área social no governo de Michel Temer, quando comandou o atual Ministério do Desenvolvimento Social. Médico com mestrado em Neurociência, o porto-alegrense, de 68 anos, foi prefeito de Santa Rosa, secretário de Saúde do Rio Grande do Sul.

O atual secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional, Gustavo Henrique Rigodanzo Canuto, será o futuro ministro do Desenvolvimento Regional. O Ministério do Desenvolvimento Regional reunirá os atuais ministérios das Cidades e de Integração Nacional, que se tornarão secretarias da nova pasta. Canuto é formado em engenharia da computação, pela UNICAMP, e em direito, pelo UniCeub.

O deputado Marcelo Álvaro Antônio, do PSL, de 44 anos, foi o mais votado em Minas Gerais e será o ministro do Turismo. Nascido em Belo Horizonte, Antônio foi vereador, antes de se eleger deputado pela primeira vez, em 2014. Já foi filiado a PRP, MDB, PR e, neste ano, migrou para o PSL. Integra a frente parlamentar evangélica no Congresso Nacional.

O almirante de esquadra Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Junior será o ministro de Minas e Energia. O militar nasceu no Rio de Janeiro e entrou para a Marinha, na década de 70. Atualmente, é diretor geral de desenvolvimento nuclear e tecnológico da Marinha e faz parte do conselho de administração da Nuclebras, autarquia responsável por desenvolver o programa nuclear brasileiro. Foi observador das forças de paz da ONU em Saraievo; assessor parlamentar do ministro da Marinha, no Congresso, e Comandante dos submarinos Tamoio e Toneleiro. Também atuou como chefe de gabinete do Estado-Maior da Armada; chefe de gabinete do comandante da Marinha e Comandante em Chefe da Esquadra, além de secretário de ciência, tecnologia e inovação da Marinha. Como diretor-geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, Costa Lima respondeu por todas as unidades científicas da Força, o que inclui o programa de desenvolvimento de submarinos (Prosub) e o programa nuclear da Marinha (PNM). O almirante tem pós-graduação em Ciência Política, pela UNB, e MBA em gestão pública, pela FGV.

Nos governos passados, Lula chegou a nomear 34 ministros; Dilma, 31; e Temer, atualmente, 29. Certamente, a República não poderia continuar sendo um cabide de empregos para tantos coroados. Em boa hora, o novo governo enxugou esse contingente de cargos/pessoas. Espera-se que os escolhidos atuem de forma harmônica com os dois outros Poderes, Legislativo e Judiciário, para a necessária reconstrução do Brasil, assaltado nos últimos tempos por gangues das mais perigosas, com vários dos seus integrantes no cárcere.

 

 

Paulo Alonso

Jornalista e dirigente universitário.