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O tamanho do caroço do Queiroz no angu dos Bolsonaro

Família deve ter motivos robustos para correr o risco de tentar melar a investigação.

Fatos & Comentários / 17 Janeiro 2019 - 20:07

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O recurso ao Supremo para brecar as investigações sobre o amigo/assessor/motorista/e-outras-coisitas-mais representou um duro golpe na imagem do governo que diz ter vindo “mudar tudo isso que está aí”. Em grupos de empresários, os comentários eram “blindagem de bandidos”, “o Brasil nunca vai mudar” e “todos farinha do mesmo saco”. O ainda senador Cristovam Buarque perguntou em seu Twitter: “O que diria o juiz Moro ontem? O que diz o ministro Moro hoje?” Até integrantes do MBL afirmaram que “quem não deve, não teme”.

A Família Bolsonaro deve possuir motivos robustos para ter decidido correr o risco de queimar a imagem logo agora, em início de governo, quando ainda conta com a popularidade em alta, do que deixar o assunto ir minando aos poucos a, digamos, credibilidade. Tenta sustar uma investigação demorada que pairaria sobre o governo, sempre pronta a ser vazada em momentos inoportunos.

O que se pergunta não é mais se tem caroço nesse angu, mas qual o tamanho do caroço. As suspeitas sobre Queiroz permitiam supor rendimentos não declarados à Receita, ou, mais grave, a centralização de repasses de parte dos vencimentos dos assessores à família (agora) presidencial.

A ação desta quinta-feira eleva o caso exponencialmente. As especulações sobre quais segredos carrega Queiroz tomaram conta das redes sociais. Há até quem fale que o recurso ao STF é uma forma de chamar atenção, para depois apresentar explicações – plausíveis, como disse uma vez Flávio Bolsonaro – para as movimentações suspeitas na conta do assessor/amigo. Convenhamos, seria quase um movimento suicida.

Queiroz é PM, e no Rio de Janeiro, o que joga mais lenha na fervura dos boatos. Está nas mãos do ministro Marco Aurélio reduzir a temperatura de maneira simples: manter as investigações no Ministério Público do Rio, recusando a tese de foro privilegiado – o que iria ao encontro da recente decisão do Supremo. E ao MP caberá acelerar o passo, recusando o papel que até agora lhe reservaram.

 

Boato

Em nota enviada à coluna, a OAB/RJ informa ser falsa a notícia, divulgada nas redes sociais, de que teria entrado com processo contra o Estado do Rio Janeiro, alegando cobrança indevida da taxa GRT, que engloba o licenciamento anual e a emissão de Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV). “Vale ressaltar, porém, que a Ordem não descarta avaliar o cabimento de ação, após os devidos estudos técnicos sobre o caso.”

O valor total da GRT é R$ 202,55, incluindo a taxa que era cobrada para o licenciamento com a vistoria dos veículos, de R$ 144,68, mais o documento, que custa R$ 57,87. A vistoria foi abolida no Rio, sendo necessária apenas para casos específicos.

Além do valor abusivo, há a custosa burocracia: um proprietário de automóvel tem que imprimir e pagar três boletos (Dpvat, IPVA e GRT). Imaginem uma empresa com pequena frota, digamos, de sete veículos; terá que gerenciar 35 boletos.

 

R$ 1,99

O Projeto de Lei 10719/18, do Senado, pretende permitir o parcelamento em até 12 vezes do seguro obrigatório (Dpvat). O valor para a maioria dos veículos automotores este ano é de R$ 12, chegando a R$ 80,11 para motocicletas. A proposta de parcelamento só se justifica para grandes frotas.

 

Risco do tamanho do Reino Unido

O mundo não está melhorando na identificação e prevenção de riscos cibernéticos, adverte o Relatório Global de Riscos do Fórum Econômico Mundial “Um grande ponto cego que pode custar US$ 3 trilhões – o equivalente à economia britânica.”

 

E aí, Moro?

A investigação da Polícia Federal sobre a campanha ilegal feita por empresas a favor de Jair Bolsonaro no WhatsApp parece caminhar na velocidade exata para que expire o prazo legal de seis meses em que o app deve manter os registros das conversas.

 

Rápidas

A 12ª edição da Laad Defence & Security 2019 acontecerá de 2 a 5 de abril, no Riocentro, no Rio de Janeiro *** Oficina de Slime, aquela geleca, estará no Passeio Shopping dias 19 e 26 de janeiro *** Neste domingo, dia do padroeiro do Rio de Janeiro, será realizado o talk show “Vivo de Música”, às 19h, no Center Shopping Rio, com os músicos Israel Paulo, Rodrigo Fernando e Dyone Valeriano *** Na tarde desta sexta-feira, a Associação dos Advogados de São Paulo (Aasp) recebe em sua sede o festival Cidade do Futuro (que faz parte das celebrações do aniversário da cidade). Inscrições até o dia 24: www.sympla.com.br/legal-tech__436929

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