O superávit recorde histórico de agosto

Negócios Internacionais / 04 Setembro 2017

O superávit da balança comercial brasileira dos primeiros oito meses do ano foi de US$ 48,1 bilhões, valor que já ultrapassa o total alcançado em todo o ano passado, US$ 47,7 bilhões. Trata-se de recorde da série histórica, iniciada em 1989. O valor é 48,6% maior que o alcançado de janeiro a agosto de 2016 (US$ 32,3 bilhões). Os números foram divulgados pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic). O resultado de janeiro a agosto é fruto de exportações de US$ 145,9 bilhões e importações de US$ 97,837 bilhões. O diretor do Departamento de Estatística e Apoio à Exportação, Herlon Brandão, destacou o crescimento de 18,1% das exportações e de 7,3% das importações. “O superávit vem crescendo com aumento dos dois fluxos de comércio. Claro que a importação depende da demanda interna, que vem se recuperando gradualmente. E as exportações têm sido favorecidas tanto por safras de grãos recordes, quanto aumento da produção de petróleo e minério de ferro e aumento dos preços desses produtos”, afirmou.

Segundo ele, o governo mantém a previsão de fechar o ano com um superávit na casa dos US$ 60 bilhões. “Pela característica sazonal da balança comercial, a soja, que foi um grande protagonista no primeiro semestre, deve perder força agora. Por outro lado, vamos ter crescimento dos embarques de milho, o que deve contribuir com maior força para nossos resultados. Também costumamos ter maiores embarques de minério de ferro no segundo semestre e esperamos ainda um aumento das importações de alguns produtos”, explicou. Brandão ainda ressaltou que historicamente os saldos comerciais registrados no segundo semestre são menores que os do primeiro, porém “com uma trajetória positiva e com possíveis recordes mensais pela frente”, concluiu.

Nos oito primeiros meses do ano, os maiores crescimentos das exportações foram óleos brutos de petróleo (101,6%), minério de ferro e seus concentrados (62,1%), soja (19,7%), automóveis de passageiros (53,1%) e açúcar em bruto (22,8%). Do lado das importações, os maiores crescimentos no período foram óleos combustíveis (+88,5), hulhas (+119,6%), circuitos integrados (+48%), naftas (38,2%), gasolina (+107%) e etanol (+276,1%).

 

Cresce 83% a exportação de máquinas agrícolas

As exportações brasileiras de máquinas e implementos agrícolas somaram quase US$ 487 milhões de janeiro a julho, um aumento de 82,7% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (30) pela Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Em julho isoladamente, as vendas externas renderam US$ 71,3 milhões, um avanço de 84% sobre o mesmo mês de 2016. De acordo com Cristina Zanella, do Departamento de Economia e Estatísticas da Abimaq, o crescimento registrado este ano até agora ocorreu sobre uma base de comparação reduzida em relação à média histórica de embarques, daí as variações significativas. “Nos últimos dois anos houve uma forte queda na média mensal e agora as exportações estão voltando ao nível normal”, disse.

 

Receita Federal regulamenta remessas ao exterior

As alíquotas incidentes sobre ganhos de capital em remessas para o exterior serão alteradas, segundo Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 1732/2017, publicada nesta terça-feira (29) no Diário Oficial da União. De acordo a Receita Federal, a nova instrução foi ajustada para refletir a alteração ocorrida na tributação do ganho de capital de empresas. No ano passado, o governo anunciou novas alíquotas de Imposto de Renda (IR) sobre ganhos na venda de bens e direitos. Até então, a lei tributária aplicava alíquota de 15% sobre o ganho de capital independente de seu valor. Essa regra foi alterada, passando outras três alíquotas de acordo com o ganho. A alíquota de 15% incide sobre os ganhos de até R$ 5 milhões. A alíquota de 17,5% para até R$ 10 milhões, 20% para até R$ 30 milhões e 22,5% acima de R$ 30 milhões.

 

Acordo do Mercosul com Egito entra em vigor

Entrou em vigor, nesta sexta-feira, o Acordo de Livre Comércio (ALC) Mercosul-Egito. O documento, assinado em 2010, é o primeiro desta modalidade celebrado pelo bloco sul-americano com um país do continente africano. De acordo com projeções da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), aproximadamente 63% das exportações brasileiras para o país serão imediatamente beneficiadas com a entrada em vigor do ALC. A aplicação do acordo no Brasil somente será dada com a publicação de decreto presidencial, prevista para ocorrer em breve.

 

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