O que não te contaram sobre o controle de preços

Estrutura montada na época da ditadura militar favorecia cartelização.

Fatos e Comentários / 21:22 - 13 de jan de 2020

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O consultor Luiz Affonso Romano, que comandou os preços em parte da época militar, mostra algumas pérolas daquele período, de 1965 a 1985. As solicitações de aumento de preços, apelidadas de SAPs, eram encaminhadas pelos sindicatos patronais ou associações de classe. Estas, mais ágeis, nasceram em profusão a partir de 1965 e proliferaram setores afora, às vezes com alvará na sala de um executivo de empresa líder em vendas.

As SAPs utilizavam as estruturas de custos da líder do setor e eram assinadas pelas demais empresas fabricantes do produto – as chamadas de caudatárias. Se encaminhadas pelo órgão de classe, as solicitações de aumento tinham um prazo de análise menor que os 45 dias oficiais. Os produtos novos também. “Era a cartelização oficializada pelos que deveriam combatê-la”, ironiza Romano.

Houve período em que o reajuste era sigiloso, só comunicado à empresa solicitante. Quando o pedido ia via associação, grupos de executivos ficavam reunidos, próximos à sala onde semanalmente eram analisados os reajustes de preços, à espera do resultado para, de pronto, avisar em conjunto, às diretorias das fábricas, que no dia seguinte implementavam o reajuste. O mesmo percentual igual e no mesmo dia. Beleza!

Algumas empresas líderes chegavam a fazer lobby para permanecer com os preços controlados. As empresas não se dedicavam à inovação, produtividade. Quase nada era importado, e a maioria tinha um prestigiado sócio brasileiro.

 

Varejo sobe, PIB cai

O destaque da agenda doméstica desta semana ficará para os indicadores de atividade econômica, como as vendas no varejo e o índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-BR), analisa a equipe econômica do Daycoval Asset Management.

Para o varejo, os analistas esperam crescimento das vendas de 2% em novembro frente ao mês anterior. Na comparação contra o mesmo período do ano anterior o crescimento esperado é de 5,2%. “É importante enfatizar que o mês de novembro é marcado pela Black Friday, fenômeno de vendas que vem crescendo nos últimos na economia brasileira, e consequentemente alterando a sazonalidade do período”, afirma o Daycoval.

Para o varejo ampliado, que inclui as vendas de veículos e materiais de construção, a expectativa é de avanço de 0,8% na comparação contra outubro, ajustado sazonalmente, e 6% na comparação interanual.

Para o IBC-BR de novembro, as projeções apontam para uma queda de 0,27% na comparação contra o mês anterior e de crescimento de 0,51% contra o mesmo período do ano anterior. A queda do índice pode ser explicada parcialmente “pelo fraco desempenho da indústria no período”.

 

Sem refresco

Ao não renovar o decreto que reduzia de 10% para 4% a alíquota de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre os concentrados de refrigerantes da Zona Franca de Manaus, o governo poderá economizar quase R$ 2 bilhões para os cofres públicos em 2020. O cálculo é da Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil (Afrebras), entidade que reúne os pequenos produtores e que mantém estado de guerra permanente aos grandes do setor, especialmente Coca-Cola e Ambev.

Como Bolsonaro não assinou novo decreto neste ano, ele manteve, na prática, os efeitos do Decreto 9.394 de 2018, assinado pelo então presidente Michel Temer, e que reduz o percentual a partir deste mês. A Afrebras afirma que deputados e senadores da bancada federal do Amazonas arquitetam “um grande esquema contra o presidente Jair Bolsonaro”. Os parlamentares vão apostar no discurso de ameaça de que empregos também vão diminuir na região, alegando a redução dos benefícios.

A Associação afirma que, no ano passado, a União deixou de recolher R$ 25 bilhões em tributos (IPI, PIS/Cofins e Imposto de Importação) dessas grandes companhias.

 

Impreção’

O ministro da (des)Educação, Abraham Weintraub, garante que os novos livros didáticos que serão distribuídos por este governo não trarão “ideologia”. Uma dúvida: ele quis dizer ideologia com “g” ou com “j”?

 

Rápidas

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