O novo milênio sob o prisma da esperança

Opinião / 17:24 - 4 de jan de 2001

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É consenso de historiadores e especialistas do mundo inteiro que o século XX durou apenas 75 anos (de 1914 - com a eclosão da Primeira Guerra Mundial - a 1989 - com a queda do muro de Berlim). No entanto, começamos agora, a contagem convencional do novo século (e novo milênio), com todas as expectativas suscitadas pelas datas redondas, especialmente a de muitos zeros. É certo que estamos vivendo - como nunca antes em toda a história da humanidade - uma turbulência de acontecimentos, com transformações radicais e velozes, cujo futuro (a cada dia) fica mais incerto. Ninguém ousa dizer no que vai dar tudo isso, todo o avanço tecnológico, a exuberância de tanto conhecimento disponível, as notáveis descobertas no campo científico, enfim, que o mundo sairá da vertigem pós-moderna. Os números também costumam indicar características peculiares. Desde Pitágoras, muitos intuíram na influência da carga simbólica dos números na vida das pessoas. Entramos no século XXI. Geralmente esse valor corresponde (na vida humana) à maioridade. É interessante observar que, de fato, o século XXI pode ser um momento de ápice, de maturação, de ajustes, de maior conscientização, enfim, de plenitude das potencialidades. A soma 21 dá três, o valor da Santíssima Trindade, da unidade, do equilíbrio. O mesmo três presente no milênio que se inicia. O Espírito Santo é a terceira pessoa da Trindade. Talvez, por isso, muitos afirmem que o século XXI estará inaugurando efetivamente a Era do Espírito Santo. O aumento da busca espiritual no final do século XX tem comprovado esta fome de Deus, que tem sido um sinal de que o homem não pode viver apenas em dimensão horizontal. Somos muito mais do que supomos. Há, em nós, muitas forças que transcendem os imediatismos materiais. Isso tudo nos leva a pensar que o século XXI poderá presenciar o ressurgimento de uma nova espiritualidade, mais autêntica, menos supersticiosa, mais humana e aberta, mais solidária e ecumênica, mais integradora. O século XXI, a despeito de tantas interrogações e temores, deve ser visto pelo prisma da esperança. Todas as potencialidades existentes (apesar de tantas ameaças) certamente serão otimizadas para o benefício de toda humanidade. Comecemos então o novo século e novo milênio, confiantes de que a esperança assegurará um tempo novo para todos, onde será possível solucionar tantos desafios, e encontrar melhores formas de convivência. Não há dúvida de que estamos vivendo uma época notável da história. Olhemos, portanto, para o futuro, com a convicção de que o Deus é o Senhor da história, e Ele saberá promover os ajustes necessários, para que a criatura humana realize tudo aquilo que o Criador quer de nós. Que a solidariedade, o amor, a liberdade e a justiça sejam valores permanentes, e se tornem uma realidade viva no coração de um número cada vez maior de pessoas. Feliz Novo Milênio! Valmor Bolan Doutor em Sociologia. Diretor-Secretário da Sociedade Educacional Sulsancaetanense - Soesc. E-mail: valmorbolan@uol.com.br.

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