O futebol pode contribuir muito mais para a economia brasileira

Assessoria

Empresas / 15:25 - 15 de mai de 2019

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Mesmo com a crise que acomete o país e se estende a todas as cadeias da economia, o futebol passou quase que completamente ileso por esses problemas. No ano de 2017, o faturamento dos 27 maiores clubes do país chegou à marca de R$ 4,9 bilhões com a ajuda de receitas de televisão, marketing e programas de sócio-torcedor.

É um feito incrível considerando como a gestão de futebol em grande parte dos clubes brasileiros ainda carece de profissionalismo. Não é incomum vermos matérias estampando jornais esportivos sobre atrasos salariais em alguns dos maiores times do país, ou de dificuldades dos mesmos de pagar a enorme dívida acumulada por toda a sua história devido a gestões anteriores que decidiram deixar de herança problemas com direitos trabalhistas, falta de pagamento a fornecedores e afins.

Mas essa também é uma das grandes causas para que o futebol brasileiro não seja uma parte mais forte da economia do país, apesar do seu potencial de movimentar rios de dinheiro e massas de pessoas por meio dos escudos em campo. Falta também a integração necessária entre o meio futebolístico e nossos maiores agentes econômicos para que esse potencial seja realizado, como é o caso lá fora.

Fonte: Pixabay

Pelo menos na América do Sul, o futebol brasileiro continua líder. Casas de aposta esportiva continuam a colocar times do Brasil como favoritos aos jogos e títulos da Copa Libertadores e da Copa Sulamericana, muito graças à força dos nossos clubes de montarem elencos milionários sem o esforço hercúleo que é exigido dos seus pares no resto do continente para tal.

Entretanto, na comparação entre Brasil e o grande centro do futebol atual, Europa, nós deixamos muito a desejar em todos os aspectos. Desde a relação entre torcida e clube até gestão e finanças, o gap que separa os dois lados do Atlântico fica cada vez maior ano após ano.

Um dos “segredos” do lado europeu é a integração à economia dos clubes de lá em âmbito local e internacional. Um dos grandes exemplos disso é a Inglaterra, que hoje tem em seu território a maior liga do mundo em audiência, atenção, finanças e quem sabe no futuro, até mesmo títulos.

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Segundo a consultoria Ernst & Young, somente a Premier League inglesa contribuiu diretamente ao Produto Interno Bruto da economia britânica com 7,6 bilhões de libras entre 2016 e 2017. Além disso, têm-se a criação de 100 mil empregos diretos e indiretos, e 3,3 bilhões pagos em impostos para os cofres da coroa.

Desde 1999 até 2017, o crescimento da contribuição da liga inglesa aumentou em 800%, e continua a crescer com taxa média de 13% ao ano. E para além das fronteiras da Inglaterra, houve também a arrecadação de mais de 1 bilhão de libras por meio de receitas estrangeiras.

Assim, o futebol acaba sendo um produto importantíssimo para a Inglaterra não só como uma das ferramentas para fazer a economia interna gerar, mas também como meio de divulgação cultural. Não é por nada que hoje vemos crianças e adolescentes vestindo camisas de times estrangeiros nas ruas do Brasil – um fenômeno que não acontecia em anos de outrora.

Fonte: Pixabay

O futebol brasileiro pode muito bem ter um efeito semelhante para o país, beneficiando tanto clubes quanto a nação em si. Já temos a vantagem de ser um grande exportador de jogadores para o estrangeiro que com suas associações à Seleção brasileira, acabam servindo como exposição do futebol nacional aos estrangeiros. Mas é necessário ir bem além desse modelo que no fim das contas, até prejudica o país e a qualidade do Campeonato Brasileiro como produto a ser exportado.

Para tanto, precisamos pensar melhor sobre o nosso futebol. Estimativas no passado colocam o esporte como contribuidor à economia brasileira em uma taxa de 1,6 a 1,9%, durante os períodos pré-Copa do Mundo e Olimpíadas. E com o brasileiro tendo menos dinheiro para gastar em lazer, algo que afeta diretamente a taxa de público em nossos estádios, a já deficiente arrecadação com bilheterias é algo que pode ser expandido apenas por alguns poucos clubes do país.

Por isso que é necessário pensar em expandir as fronteiras do futebol brasileiro, tornando sua gestão mais profissional e fazendo com que o espetáculo apresentado em campo seja mais vendável. Isso passa por fatores como nosso modelo atual de venda de diretos de transmissão, legislações internas e externas aos clubes e a capacidade dos times de desenvolverem e reterem talentos natos por mais tempo, como alguns de nossos vizinhos conseguem fazer.

Porém, os clubes sozinhos não conseguirão fazer isso – além de algumas raras exceções. É daí que se faz necessária a entrada de influências externas, de preferência no âmbito privado e público, para ajudar o país a explorar em cheio o potencial que o futebol tem como uma alavanca cultura e econômica.

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