O fio da meada

COP25 representou nova oportunidade de afastar o risco do caos; só que não.

Empresa Cidadã / 19:39 - 17 de dez de 2019

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Vamos falar sobre a COP25? Leia isto antes e não perca o fio da meada. Da COP24, realizada em Katowice (Polônia), pode-se afirmar que foi concluída com relativo sucesso, apurado pelo esforço de negociadores de 196 países então, para implementar o Acordo de Paris.

Segundo Michal Kurtyka, o presidente da COP24, “podemos nos orgulhar, não estivemos só produzindo textos ou defendendo interesses nacionais. Estamos conscientes da nossa responsabilidade com o planeta, nossa casa e casa das gerações que virão depois de nós”. Em Katowice, muitos chefes de estado, de governos e cerca de 100 ministros de meio ambiente e de relações exteriores de todo mundo estiveram presentes. Graças ao consenso alcançado pelas partes, Katowice tornou-se, junto a Kyoto e Paris, outro marco no caminho de uma política climática global e sustentável.

– “Posso falar bem alto agora, que interesses de todas as partes foram considerados de forma honesta e sustentável, mas o mais importante é que o impacto será positivo. Graças a isso, demos um grande passo no sentido de atingir as metas do Acordo de Paris. Graças a quê nossas crianças olharão para o passado e verão que os pais delas tomaram as decisões corretas no momento histórico preciso”.

Afora o otimismo do presidente da COP24, houve opiniões que consideram a cúpula frustrada pela pouca ambição dos compromissos firmados, a ponto de deixar a dúvida sobre a possibilidade de conciliar interesses nacionais e proteção ao ambiente global.

O Acordo de Paris representa o compromisso voluntário de 194 países em cortar emissões para se chegar a uma redução no aquecimento global. Pelo Acordo, o aquecimento não deveria ultrapassar 2ºC, até o final deste século, sob pena de catastróficas previsões de mudanças climáticas, na hipótese de fracasso. Apenas os EUA negligenciaram o Acordo, ao não ratificá-lo.

A manifestação de intenções no Acordo deve ser seguida do estabelecimento de metas voluntárias de cortes de emissões e de disponibilização de recursos, para que os países mais pobres possam alcançá-las. Isto, a COP23, realizada em 2017, na Alemanha, não chegou a conseguir. E a COP24, na Polônia, também não. Agora, a COP25, representou nova oportunidade de afastar o risco do caos. Mas o que aconteceu nesta COP25, realmente?

 

O inimigo dorme na sua geladeira

Uma substância chamada Bisfenol A, também conhecida como BPA, é utilizada na fabricação de plásticos de policarbonato e resinas epóxi, empregado em vasilhames para guardar alimentos, garrafas de água e de refrigerantes, bem como em latas de alimentos em conserva.

Quando estes recipientes são colocados no micro-ondas ou quando recebem alimentos quentes, o bisfenol A contido no plástico impregna o alimento, sendo ingerido juntamente com ele. O bisfenol A também está presente em brinquedos de plástico, cosméticos e papel térmico. O consumo excessivo da substância tem sido associado ao risco maior de doenças como câncer de mama e de próstata. Não basta o alimento ser saudável. A embalagem também tem que ser saudável.

A embalagem também tem que participar para a ingestão saudável de alimentos. E a principal aliada da embalagem saudável é a rotulagem. A rotulagem auxilia na identificação dos produtos que contém bisfenol A. No símbolo dos produtos de plástico reciclável, a presença dos algarismos 3 ou 7 indicam que o material foi produzido com o emprego do bisfenol A. Ele poderá ser encontrado em mamadeiras, pratos, embalagens plásticas, CDs, brinquedos, eletrodomésticos e outros.

Para prevenir danos à saúde, a quantidade máxima a ser ingerida de bisfenol A é de 4mcg/kg por dia (4 microgramas por quilo por dia). A média diária de consumo observado em bebês e crianças é de 0,875mcg/kg. Em adultos, a média observada é de 0,388mcg/kg. Significa que o estágio atual é de prevenção e não de alarme. Depende de cada um de nós.

 

Paulo Márcio de Mello é professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

paulomm@paulomm.pro.br

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