O fechamento das contas externas em 2003

Opinião do Analista / 15:20 - 26 de set de 2002

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O Banco Central divulgou ontem o relatório do setor externo de agosto que mostrou pela primeira vez em muitos anos um superávit em conta corrente. A acomodação do déficit em conta corrente, que saiu de US$ 23 bilhões no ano passado para uma previsão de US$ 15,5 bilhões em 2002 é resultado fundamentalmente da forte desvalorização do real (regime de câmbio flutuante) que está produzindo superávits comerciais crescentes, já que, as contas de serviços e rendas são estruturalmente deficitárias. A insuficiência de poupança interna, necessária para garantir a expansão do produto a taxas próximas a 4% ou 4,5% ano, faz com que o Brasil precise absorver recursos do exterior. Ou seja, precisamos financiar parte de nosso desenvolvimento com poupança externa. Apesar da melhora observada a partir da metade de 2001, o Brasil precisará de aproximadamente US$ 37 bilhões no ano de 2003 para fechar suas contas externas. Esse valor é resultado da soma do déficit em conta corrente, que deve fechar próximo de US$ 14 bilhões, e do somatório das amortizações, algo próximo de US$ 23 bilhões. Contando com investimentos diretos de US$ 14 bilhões e considerando que podemos utilizar atualmente US$ 13 bilhões dos US$ 39 bilhões que possuímos em reservas internacionais, já que o acordo com o FMI não permite a utilização dos recursos emprestados para financiar amortizações, temos um hiato de recursos da ordem de US$ 10 bilhões. Para financiá-lo, via novas captações ou rolagem da dívida, será necessário contar com a melhora do cenário externo, o que permitiria o acesso ao mercado a custos e prazos razoáveis. O outro lado da moeda é a acomodação do balanço de pagamentos via novas desvalorizações do real. Leandro Strasser Analista do BicBanco

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